China condena advogado a doze anos de prisão

Xia Lin, causídico que se notabilizou ao assumir a defesa do artista Ai Weiwei, foi condenado por um tribunal chinês a 12 anos de prisão. O advogado foi formalmente acusado de fraude e de ter obtido ilegalmente cem milhões de yuan para pagar dívidas de jogo.

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Um tribunal do Continente condenou o advogado Xia Lin a 12 anos de prisão, naquele que é o mais recente caso de repressão de defensores de direitos humanos na República Popular da China, informou esta quinta-feira a sua defesa.
Xia ficou conhecido pela defesa do artista Ai Weiwei e do seu colega, também advogado na área dos direitos humanos, Pu Zhiqiang, que foi detido após um seminário privado em que se discutiu o massacre de Tiananmen, em 1989.
“O tribunal condenou Xia Lin a 12 anos de prisão por fraude”, disse o seu advogado, Dong Xikui, à agência AFP.
A polícia deteve Xia em Novembro de 2014, e mais tarde acusou-o de obter, através de fraude, 100 milhões de yuan para pagar dívidas de jogo, de acordo com um comunicado da defesa.
O julgamento começou em Junho deste ano, em Pequim: “Declarámo-nos inocentes, mas o tribunal aceitou apenas parte da nossa defesa e reduziu o valor da fraude de mais de 100 milhões para 48 milhões”, indicou o seu advogado.
O Presidente chinês, Xi Jinping, tem vindo a reforçar o controlo à sociedade civil desde que assumiu poder em 2012, acabando com as possibilidades de activismo que tinham aberto nos últimos anos.
Apesar de inicialmente o Governo incidir sobre activistas políticos e pessoas envolvidas em campanhas por direitos humanos, tem cada vez mais focado a sua atenção nos profissionais legais que os representam.
No ano passado, as autoridades detiveram mais de 200 pessoas, na chamada “repressão 709”, assim apelidada devido à data das detenções, 09 de Julho. Entre os detidos pontificavam advogados que aceitaram casos de direitos civis considerados sensíveis pelo Partido Comunista Chinês.
Pu, o advogado detido por participar no evento sobre Tiananmen, recebeu uma pena suspensa de três anos de prisão em Dezembro por “incitar ódio étnico” e “gerar conflitos e problemas”.
A sentença de Xia foi invulgarmente severa, e de acordo com Maya Wang, uma investigadora para a Ásia da organização de defesa dos direitod humanos da Human Rights Watch, vai “provocar um profundo arrepio à comunidade de advogados de direitos humanos que tem sido alvo de repressão continuada pelo governo de Xi no último ano”: “A sentença é chocante, não apenas pela sua extensão, mas também porque foi aplicada a um advogado de direitos humanos que tem tentado proteger-se ao adoptar uma postura discreta e técnica no seu trabalho”, afirmou a activista.

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