ATFPM lança inquérito para pressionar Governo sobre eleição por sufrágio directo

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) vai inquirir cerca de três mil cidadãos sobre o aumento do número de deputados eleitos por sufrágio directo. O inquérito, realizado por via telefónica ao longo do mês de Outubro, vai ainda tomar o pulso à avaliação que é feita sobre o desempenho do Chefe do Executivo e dos cinco secretários. Em Novembro deverão ser conhecidos os resultados.

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Sílvia Gonçalves

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) anunciou ontem a realização de um inquérito, a decorrer durante o mês de Outubro, com que pretende perceber qual a posição dos inquiridos sobre um eventual aumento de deputados eleitos por sufrágio directo. O inquérito inclui ainda uma avaliação da actuação do Chefe do Executivo e dos cinco secretários. Realizada por via telefónica, a auscultação incide sobre uma amostra de três mil inquiridos, seleccionados da base de dados da ATFPM, onde figuram sócios dos sectores público e privado, mas também não-sócios. Os resultados deverão ser conhecidos em meados de Novembro e encaminhados depois para o Governo.

“Queremos saber o nível de aceitação dos trabalhos do Chefe do Executivo e secretários por parte da população de Macau, bem como se haverá ou não necessidade de aumentar o número de lugares da Assembleia Legislativa pela via directa. Pretendemos abordar por via telefónica cerca de três mil pessoas, quer sejam sócios ou não sócios”, anunciou ontem José Pereira Coutinho, em conferência de imprensa, explicando que será Rita Santos, presidente da assembleia-geral do organismo, a coordenar a iniciativa.

O deputado explicou os trâmites de um inquérito com sete questões que, nas primeiras seis, começa por solicitar uma avaliação do Chefe do Executivo e dos seus cinco secretários, numa classificação de zero a 10. Na última questão é perguntado aos inquiridos se concordam com o aumento do número dos actuais 14 assentos dos deputados eleitos por via directa. Em caso afirmativo, estes deverão especificar se estes deverão aumentar em dois, três, quatro ou mais lugares.

O presidente da ATFPM assumiu-se “muito ansioso e muito curioso em saber qual vai ser o resultado final deste inquérito”: “Posso-vos garantir à partida que o nosso inquérito será justo e imparcial”. A convicção do parlamentar é de que a amostragem será representativa da vontade popular: “Esperamos que com três mil pessoas poderemos chegar mais ou menos a uma percentagem de 80 por cento de rigor daquilo que a população de Macau pensa, isto tem a ver com o tipo de perguntas que estão a ser feitas às pessoas. E, em segundo, é a fiabilidade do próprio inquérito. Achamos que, com as pessoas que estão aqui, de diferentes quadrantes, de diferentes sectores sociais, podemos garantir à partida que cumprimos com grande rigor o resultado do inquérito telefónico”, elucida.

Numa altura em que a proposta de alteração à Lei Eleitoral se encontra em discussão na Assembleia Legislativa, o deputado assume a intenção de exercer pressão sobre o Executivo: “É evidente que eu e o meu colega deputado[Leong Veng Chai] estamos completamente insatisfeitos pelo facto de a lei eleitoral não ter aumentado o número de deputados eleitos pela via directa. Nós com esta pergunta queremos pressionar o Governo, para dizer que se calhar há muita gente em Macau insatisfeita pelo facto de a nova lei não estar a corresponder aos anseios e necessidades de Macau”.

José Pereira Coutinho justifica a sua posição com o aumento do número de listas que se têm apresentado em eleições legislativas: “Se for comparar com o número de listas participantes em cada acto eleitoral, desde o estabelecimento da RAEM, vai chegar rapidamente à conclusão que cada vez há mais listas participativas. E é por isso que há necessidade de aumentar o número de deputados eleitos pela vida directa”, defende.

A auscultação estará circunscrita à lista de contactos de que a Associação dos Trabalhadores da Função Pública dispõe e que não contempla apenas os associados: “Nós vamos telefonar aos nossos sócios e não-sócios. Nós temos o registo individual dos nossos sócios bastante detalhado, mas também temos os nomes das pessoas e os telemóveis dos não-sócios, que têm participado nas nossas actividades desportivas, recreativas, de viagem”. Um universo de “cerca de 40 mil telemóveis”, sobre o qual deverá recair um sorteio para seleccionar os inquiridos: “É um inquérito aleatório, portanto nós eventualmente vamos sortear e encontrar uma forma de telefonar para as pessoas”.

Rita Santos explicou que não será dada primazia aos funcionários públicos: “Dentro dos três mil fazemos o possível para não incidir tanta percentagem nos trabalhadores da função pública, mas mais virada para a população. Ou seja, sócios que não sejam trabalhadores da função pública. E aproximadamente, dentro dos três mil, 30 por cento de trabalhadores da função pública. O remanescente são os que são sócios aderentes e os outros que não são os nossos sócios”. A confidencialidade no tratamento dos dados pessoais está assegurada, garantiu ainda a presidente da assembleia-geral da ATFPM.

 

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