Mal-entendido reacende questão dos sem-abrigo em Macau

Afinal os supostos “okupas” que estariam a dormir no piso de refúgio de um prédio de habitação pública da Ilha Verde não passavam de especulação infundada, segundo a Polícia Judiciária. Mesmo assim, o PONTO FINAL ouviu ontem o secretário-geral da Caritas Macau fazer um balanço dos sem-abrigo em Macau: existem, mas são menos de uma dezena.

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Rodrigo de Matos

Uma cama, malas, sapatos e várias sacolas com objectos foram encontrados no piso de refúgio do Edificio Cheng Chong, na Ilha Verde, dando a impressão de que o andar estava a ser utilizado clandestinamente por sem abrigo. Os moradores do prédio criticam os serviços de segurança prestados pela empresa de administração do condomínio e queixaram-se ao Instituto de Habitação (IH), de onde veio a resposta de que a responsabilidade era da administração. Mas, afinal, tudo não passou de um mal-entendido.

A notícia foi avançada pelo jornal Ou Mun Iat Pou, na sua edição de ontem: o jornal garantia que havia gente a utilizar o andar de refúgio localizado no 15.º piso do bloco 2 do Edifício Cheng Chong como um lar improvisado. Uma série de objectos encontrados por acaso por um morador do prédio assim o fazia adivinhar. Queixas deram entrada no Instituto de Habitação e na Divisão de Prevenção do Crime da Polícia Judiciária (PJ).

Mas, após investigação, a polícia concluiu que os objectos encontrados afinal pertenciam à equipa de limpeza do edifício, que estava a utilizar o local para descansar nos intervalos do trabalho e também para armazenar algumas coisas pessoais. Ainda assim, o facto mereceu reiteradas críticas dos moradores em relação à empresa de administração, que foi repreendida pelo organismo liderado por Arnaldo Santos pelo uso incorrecto do espaço (ver texto: “IH puxa as orelhas à administração do Cheng Chong”).

 

Sem-abrigo já foram mais

 

Embora o caso afinal não tivesse tido origem em supostos sem-abrigo, o PONTO FINAL considerou oportuno ouvir quem lida todos os dias com pessoas desfavorecidas para traçar um retrato do flagelo social, menos visível em Macau do que noutras cidades.

Afinal, existem ou não sem-abrigo na RAEM? “Existem. Já chegou a haver entre 20 e 30 pessoas a dormir nas ruas, mas hoje são menos de uma dezena”, resume Paul Pun Chi Meng, secretário-geral da Caritas Macau.

O responsável revelou que, no momento, a instituição oferece abrigo a 42 indivíduos – na sua maioria homens – recolhidos das ruas, mas explicou não se tratarem de casos de pessoas marginalizadas pela sociedade, os tipicamente considerados sem-abrigo (esses são menos de 10 e estão perfeitamente identificados), mas sim o que considera “retidos” – gente de fora de Macau, muitos deles vindos de Hong Kong, e que perderam (a maior parte a jogar nos casinos) as condições para financiar o seu regresso a casa, tendo alguns deles perdido também os documentos. “Eles ficam abrigados connosco e nós damos uma ajuda para que consigam voltar a casa”, explica.

 

IH puxa as orelhas à administração do Cheng Chong

 

Depois de a investigação da Polícia Judiciária (PJ) ter descoberto que os objectos encontrados no piso de refúgio do Edifício Cheng Chong afinal pertenciam aos empregados de limpeza do prédio, o Instituto de Habitação (IH) procedeu também ontem às suas próprias inspecções ao prédio de habitação pública situado na Ilha Verde e já encontrou o piso em causa limpo e sem os objectos referidos.

Ainda assim, o Instituto de Habitação entendeu repreender a empresa que trata da administração do prédio e avisá-la de que tal não podia voltar a acontecer. Perante as queixas dos moradores, a empresa de administração foi instada a proceder a um maior controlo dos acessos a pessoas estranhas ao edifício e à educação dos seus empregados para o que podem e não podem fazer. A administração deve cuidar ainda para que os andares todos sejam alvo de uma vigia regular, que mantenha desobstruídas as passagens, e que impeça que tal volte a acontecer.

 

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