Lisboa recebe Fórum do Livro de Macau no final de Outubro

Promovida pela Associação dos Amigos do Livro em Macau, a iniciativa pretende dar a conhecer os livros que se publicam em Macau ou os volumes sobre o território dados à estampa em Portugal. Do programa do certame constam debates, palestras, sessões de poesia e apresentação de três novos livros.

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Palestras, debates e a apresentação de pelo menos três novos títulos. Entre 24 de Outubro e 3 de Novembro, Lisboa recebe a maior iniciativa de promoção e divulgação do livro e da literatura de Macau realizada em Portugal em mais de três décadas. Recentemente reactivada, a Associação dos Amigos do Livro é a entidade que promove a edição inaugural do Fórum do Livro de Macau em Lisboa, uma iniciativa descrita pela própria entidade organizadora como “a maior acção de promoção do livro e da literatura de Macau dos últimos trinta anos” em Portugal.

Do programa do certame fazem parte uma feira do livro, debates e a apresentação de obras sobre o território ou escritas por autores de Macau. Rogério Beltrão Coelho, presidente da Associação dos Amigos do Livre em Macau, explica a realização da iniciativa em Portugal com o facto do mercado para os livros em língua portuguesa ser incipiente no território: “Os livros em português devem ser promovidos nos sítios onde se fala português”, defendeu o também responsável pela editora Livros do Oriente. “O que acontece é que qualquer edição que se faça aqui [em Macau] – por maior interesse que tenha – não vende mais do que 100 exemplares e o que está em causa – e sempre esteve – quer agora com a associação e, no meu caso, com a editora [Livros do Oriente] não é vender, é chegar às pessoas”, sublinhou Rogério Beltrão Coelho, na conferência de apresentação do programa, ontem na Fundação Rui Cunha

O presidente da Associação dos Amigos do Livro em Macau lamentou, porém, que o Instituto Cultural (IC) não tenha dado o devido reconhecimento ao valor do evento em apreço: “Entendemos que estamos a fazer uma acção cultural, a divulgar um dos componentes mais importantes da cultura de Macau, e pensávamos – ingenuamente – que a entidade que tutela a cultura em Macau percebesse isto”, explicou. “O nosso orçamento era espartano”, explicou Beltrão Coelho, dando conta de que rondava as 400 mil patacas. O montante destinar-se-ia a cobrir as despesas com a deslocação de oito pessoas a Lisboa, o alojamento, a edição dos livros que vão ser lançados ou o envio de outros para Portugal.

O Instituto Cultural considerou, no entanto, que o evento “não merecia mais do que 119 mil patacas”. Tido como insuficiente pela organização, o montante acaba por não cobrir o envio para Portugal de alguns dos últimos títulos dados à estampa pelas editoras do território.

O Fórum arranca a 24 de Outubro, com a inauguração de uma feira do livro, com obras de e sobre Macau, realizando-se no mesmo dia, desta feita, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) a sessão oficial de abertura da semana do livro. O certame, que poderá contar com uma figura de peso da hierarquia política de Portugal, antecede a realização de duas conferências: a primeira, sobre livros e leituras de Macau nos séculos XVI e XVII, que vai estar a cargo do presidente do CCCM, Luís Filipe Barreto, e uma segunda, intitulada “O Delta Literário de Macau”, a ser proferida por José Carlos Seabra Pereira, autor da obra com o mesmo nome, recentemente galardoado com o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho/Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

Três obras serão lançadas durante os quase dez dias pelos quais se prolonga o Fórum: “Espíritos”, de Shee Va, é apresentado no dia 25 de Outubro, “Macau Histórico e Cultural”, de António Aresta no dia 26 e “Arquivo das Confissões/Bernardo Vasques e a Inveja”, de Carlos Morais José, a 31 de Outubro. A obra do jornalista e editor da Livros do Meio vai contar com a apresentação de Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Língua e da Cooperação.

Destaca-se ainda uma sessão sobre os poetas de Macau, com especial evocação de Camilo Pessanha, na Fundação Casa de Macau em Lisboa, com a presença do ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, também ele poeta, num sarau que terá lugar no dia 29 de Outubro.

No dia anterior, destaque para a palestra conduzida por Han Lili, docente do Instituto Politécnico de Macau, que irá apresentar uma panorâmica da actual literatura chinesa em Macau, dado que um dos objectivos da Associação Amigos do Livro em Macau passa também por “tentar entrar na literatura chinesa de Macau, conhecê-la e tentar, quanto possível, divulgá-la para que possa ser traduzida”.

Depois de 03 de Novembro, o Fórum do Livro de Macau vai ter uma extensão a Coimbra, cujo programa inclui a apresentação de um livro coordenado por João Figueira, sobre os 15 anos da imprensa de língua portuguesa em Macau, após a transferência do exercício de soberania de Portugal para a China, em 1999.

Trata-se do primeiro grande evento da Associação Amigos do Livro em Macau que pretende que a iniciativa tenha carácter anual. Criada em 2005, a associação retomou a sua actividades este ano com o objectivo renovado de “fazer chegar o livro a todos” quantos o estimam.

 

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