C.S.I: Crime Série Ilustrada

 

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

 

 

Enquanto há sida, há esperança

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O plano parecia perfeito e H. não percebia como é que não tinha funcionado da primeira vez que o pôs em prática. O líquido vermelho no interior das duas seringas parecia mesmo sangue e até um relatório clínico a atestar que estava infectado com o vírus HIV tinha conseguido forjar. Não sabia como poderia ser mais persuasivo, mas o certo é que aqueles dois homens que vira momentos antes a ganharem uma pequena fortuna num casino da ZAPE não foram na conversa. E tudo o que H. queria era que eles voltassem para a mesa de jogo durante uns minutos e o ajudassem também a enriquecer, com as suas dicas de especialistas em bacará, mas teve de sair de fininho quando eles começaram a chamar pelos seguranças.

Para aquele desempregado, de 27 anos, que começara a pôr o plano em prática em Agosto, quando adquiriu em Hubei o sangue falso e o restante material, não fazia sentido que da primeira vez tivesse corrido tão mal. Por isso, voltou a tentar de novo cinco dias depois. Dirigiu-se a um casino da mesma zona, viu outro homem a ganhar muito dinheiro numa mesa de jogo, esperou que saísse e foi abordá-lo, exibindo uma vez mais as suas seringas e o documento a dizer que tinha sida. Mas, para sua surpresa, também este se mostrou pouco cooperante e, em vez de regressar à mesa de jogo para lhe ensinar os seus truques de bom apostador, desatou aos berros e não demorou muito a que os seguranças o viessem socorrer.

Desanimado, H. resolveu abandonar o plano que, se calhar, não era assim tão bom como esperava. Mas a polícia já estava no seu encalço e, passados dois dias, um segurança de um hotel na ZAPE achou-o parecido com o criminoso dos avisos que a polícia colocou a circular e alertou a Polícia de Segurança Pública. Em pouco tempo, H. foi detido e levado para a esquadra. Na revista aos seus bolsos, os agentes encontraram o recibo de um balcão de depósito de bagagens, onde descobriram depois uma mochila com as seringas com sangue a fingir e o documento falso. Explicou que tinha perdido muito dinheiro a jogar e que aquela era a forma que tinha encontrado para tentar obter a ajuda de jogadores mais bem sucedidos.

Teve de responder pelos crimes de ameaça, resistência e coacção, posse de armas proibidas e ofensa simples à integridade física.

Informação violenta

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Sexta-feira, 6h da madrugada. M., uma jovem filipina, passeava pela zona do Mercado Vermelho na companhia de G., um homem nepalês que conhecera em Macau. Há pouco tempo no território, os dois trabalhadores não-residentes ainda não estão completamente familiarizados com algumas zonas da cidade, pelo que ainda se perdem com facilidade.

Resolveram pedir informações a dois homens que encontraram na calçada para ver se descobriam a rua para onde queriam ir. Mas em vez de responderem com indicações de direcções, os dois indivíduos começaram a agredir o estupefacto casal. Deram-lhes vários golpes na cabeça e fugiram.

As vítimas alertaram a polícia e, em pouco tempo, a PSP deteve os dois sujeitos – um electricista, de 24 anos, e um desempregado, de 30 – ambos residentes de Macau. Ao abordar os dois homens, os agentes foram também brindados com a sua atitude violenta e pouco cooperante, que se manteve durante um interrogatório em que não foram capazes de explicar porque tinham agredido os outros dois transeuntes.

Encaminhados para o Ministério Público, tiveram de responder pelos crimes de resistência e coacção e ofensa simples à integridade física.

 

Queda nas obras e tour dos hospitais

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Há anos que K. trabalha como médico numa clínica de medicina chinesa do Fai Chi Kei, mas nunca tinha visto entrar-lhe pela porta um indivíduo naquelas condições: todo cheio de ferimentos, caminhava amparado por quatro colegas de trabalho, vindos directamente de um estaleiro de obras. Os homens explicaram que se tratava de um acidente de trabalho – o colega tinha caído de uma altura de vários metros – deixaram-no aos cuidados do médico e desapareceram num ápice.

Além de várias escoriações um pouco por todo o corpo, a vítima do acidente tinha ferimentos mais sérios nas costas, mas o médio considerou o seu estado estável. Como os colegas haviam desaparecido, K. transportou-o, ele próprio, ao Hospital Kiang Wu, de onde foi depois contactada a Polícia de Segurança Pública. Mas, para poder ser dado o devido seguimento ao caso, o indivíduo teve depois de ser enviado ao hospital público, o Conde de São Januário, para avaliações. A vítima permanece internada e, para já, ainda não foi capaz de prestar declarações, mas a Policia Judiciária está a prosseguir com as investigações.

Violência nocturna

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Eram 4h da madrugada quando os dois amigos chegaram a uma discoteca na zona do Porto Exterior, na sexta-feira passada, um deles já visivelmente tocado pelo álcool. Uma hora e vários copos depois resolveram voltar para casa. Saíram juntos, mas J., o menos bêbado, foi o primeiro a chegar aos táxis. Esperou pelo amigo que nunca mais aparecia e voltou para ver porque estava a demorar tanto.

Encontrou-o deitado no chão, todo ensanguentado e cheio de ferimentos no corpo. F. contou que tinha sido violentamente agredido por um grupo de três homens que o abordou no caminho. Os agressores não roubaram nada, apenas o atingiram com vários golpes sem qualquer razão aparente, deixando-o num estado lastimável. O amigo ajudou-o então a chegar ao táxi e levou-o ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde permanece internado. F., de 22 anos, tinha inclusive ferimentos provocados por uma arma branca. A PJ está a investigar.

 

 

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