Vozes que se erguem para dar visibilidade à Síndrome de Down

A 24 de Setembro, às 17 horas,  a Torre de Macau recebe a apresentação do 3º volume de “Macau Original Melodies”. O projecto musical, produzido pela SP Entertainment e apoiado pela Fundação Macau e pelo Instituto Cultural, reúne oito intérpretes do território. As receitas da venda do disco revertem na totalidade para a Associação de Síndrome de Down de Macau.

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Sílvia Gonçalves

 

Desde 2014 que o projecto musical dinamizado pela SP Entertainment estende a mão a uma associação do território. A 24 de Setembro é dado a conhecer o terceiro volume do disco “Macau Original Melodies”, numa iniciativa que nesta edição visa apoiar a Associação de Síndrome de Down de Macau. Para além dos nove temas gravados por oito cantores locais, um décimo –  uma versão especial de “My Sweetheart” – dá voz a crianças com a também chamada Trissomia do Cromossoma 21. O cantor macaense AJ, presente no projecto desde o primeiro álbum, falou ao PONTO FINAL da importância de, através da música, levar a um público mais vasto uma mensagem de inclusão de grupos minoritários que encaixam na doença o talento, e aos quais tantas vezes só falta conceder uma oportunidade.

“Em geral, vamos abordar três grandes temas neste disco: a amizade, o amor da família e o namoro romântico”, conta Adriano Jorge, que se apresenta no universo musical como AJ, e é um aliado do projecto desde a primeira hora. Ao cantor, de 29 anos, coube a interpretação de um tema a solo, que em inglês leva o nome “Hardship [Dificuldade]”: “Basicamente é uma história entre mim e a música, em que eu continuo a perseguir o meu desejo de cantar, de ser cantor e actuar. Falo deste sonho com a minha guitarra”, explica.

AJ não compôs nem escreveu o tema que interpreta sozinho, mas fê-lo para os temas de duas cantoras do grupo: “Escrevi duas músicas, uma para a Josie Ho e outra para a Cherry Ho. A minha música foi composta por outro músico de Macau, chamado Eagle”.

Se cada um dos oito cantores – David Chan, Anabela Ieong, Fanny Cheong, Hyper Lo, Cherry Ho, AJ, Josie Ho e José Rodrigues – assume um tema a solo, um há que é interpretado em colectivo: “Essa música chama-se ‘My Sweetheart’, não é um tema romântico, é uma música que descreve as crianças com Síndrome de Down. Queremos, através desta música, descrever estas crianças, mostrar que elas são muito activas, que gostam muito de dançar, de cantar, de actuar. Não são como talvez as pessoas pensam. Queremos descrever mais o lado positivo destas crianças, os seus talentos”, salienta.

E o tema “My Sweetheart” conta com uma segunda versão no disco, onde são acolhidos outros intérpretes: “Fizémos uma edição especial desta música, na qual algumas crianças com Síndrome de Down cantam connosco”. Mas a participação de portadores da síndrome não termina aí: “Este ano, para o ‘packaging’ do disco, que é especial, convidamos uma das crianças para escrever as letras. Uma das crianças gosta muito de escrever, tem muito talento para escrever e copiar, por isso decidimos pedir-lhe para nos ajudar e escrever as nossas letras, que utilizamos no design do disco. Desenhou as letras que aparecem no interior do disco, em caracteres chineses. Ela chama-se Leong Sin Man”, conta.

O músico considera o projecto “muito importante para os cantores de Macau” e explica porque razão: “Através deste projecto conseguimos atingir um público mais vasto, não estamos só a fazer música mas estamos também a ajudar esses grupos minoritários. Creio que é muito importante a gente, através da música, tentar passar mensagens positivas e mostrar que esses grupos também têm talento e conseguem sobreviver nesta sociedade se lhes derem oportunidades e os aceitarem”.

Em cada um dos três álbuns editados, a produtora SP Entertainment escolheu uma instituição diferente à qual atribuiu a totalidade das receitas angariadas com a venda dos discos. Nesta terceira edição, a escolha recaiu sobre a Associação de Síndrome de Down de Macau. “No ano passado apoiamos a associação de doenças mentais [Associação dos Encarregados e Familiares de Deficientes Mentais de Macau]. Através dessa entidade, conhecemos esta Associação de Síndrome de Down. A senhora que nos apresentou o projecto contou-nos que é uma associação nova. Precisam muito de ajuda em termos financeiros mas também para que mais gente conheça o que de facto esta associação é. Por isso decidimos desta vez ajudar esta associação mais jovem e convidá-los a participar no álbum”, explica o músico macaense.

O preço de venda do disco ainda não está definido – “vai custar por volta de 100, 120 patacas” – e a expectativa é alcançar pelo menos o resultado de 2015: “No primeiro ano vendemos 1000 discos no total. No ano passado vendemos 1500. Está a crescer, esperamos vender pelo menos 1500 este ano. Se conseguirmos vender tudo, talvez lancemos uma segunda edição do álbum”, revela Adriano Jorge.

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