Macau não deve abrir mão de sonho olímpico, defende Manuel Silvério

O antigo dirigente desportivo considera que a filiação no Comité Olímpico Internacional é não só um direito das gentes de Macau, mas também um dever dos que têm o território como casa. Manuel Silvério recorda que os pedidos formulados por Macau para aderir ao COI nunca foram “formalmente recusados”.

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Manuel Silvério, antigo presidente do Instituto do Desporto, defendeu, em declarações à agência Lusa, que o território “deve continuar a batalhar” para integrar a família olímpica, uma ambição que remonta ao final da década de 1980.

“Macau deve continuar a batalhar para filiar-se nesta grande família olímpica. A filiação no COI [Comité Olímpico Internacional] é um direito e até é um dever das gentes de Macau de lutar por ela”, afirmou.

Manuel Silvério – que presidiu ao Instituto do Desporto desde 1966 até 2008 e integrou a direcção do Comité Olímpico de Macau (COM) até 2008 – mantém que o território não está a ser tratado “em pé de igualdade” com Hong Kong, que integra o COI e se estreou nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, em 1952, então como colónia britânica.

Além disso, argumentou, na era da Região Administrativa Especial, ou seja, depois de 1999, “Macau deu mais contributo do que outros comités olímpicos nacionais” para o desenvolvimento do movimento olímpico, mais acentuadamente na Ásia, organizando e participando nos mais diversos eventos sob a égide do olimpismo.

O pedido de adesão “nunca foi recusado formal ou informalmente” e isso “é importante”, sublinhou Silvério, destacando ainda que “apesar de Macau não ser membro do COI, continua a ser membro de pleno direito do Conselho Olímpico da Ásia (COA)”: “É a única janela que Macau ainda tem para participar nessas competições internacionais a nível da Ásia” e permitiu, aliás, a Macau organizar os Jogos da Ásia Oriental (2005), os Jogos da Lusofonia (2006) e os Jogos Asiáticos em Recinto Coberto (2007).

A história em torno do processo de entrada de Macau na família olímpica conta-se em poucas linhas, mas ao longo dos anos foi voltando, de quando em vez, às páginas dos jornais.

Ora por causa de promessas de análise ao caso, antes e depois da transição do exercício de soberania de Portugal para a China, em 1999, ora a propósito da passagem por Macau de dirigentes como Juan Antonio Samaranch ou Jacques Rogge, ou de ocasionais manifestações de apoio à entrada do antigo enclave português, como a feita, em 2013, pelo brasileiro Bernard Rajzman, então novo membro do Comité Olímpico Internacional.

O tema foi recuperado pelo líder do Governo de Macau no final do mês passado, por ocasião do fim dos Jogos Olímpicos do Rio2016. Na mais recente ‘rubrica’ “Palavras do chefe do executivo” – em que Fernando Chui Sai On fala, via texto e áudio, aos cidadãos de Macau sobre um tema –, o dirigente recorda o processo do pedido de entrada de Macau no Comité Olímpico de Macau.

Começa por lembrar que o Comité Olímpico de Macau (COM) apresentou logo no ano da sua constituição, em 1987, pedidos para Macau entrar no COI e no COA, tendo aderido ao segundo em 1989: “Desde então, o Governo e o sector do desporto de Macau têm investido esforços para a entrada de Macau no COI, e o Comité Olímpico da China tem sempre apoiado Macau através de diversos canais”, refere Fernando Chui Sai On.

Contudo, prossegue, em 1996, o COI alterou os estatutos, clarificando que apenas os “Estados independentes” podem ser membros do COI, razão pela qual “Macau não reúne condições”.

As dúvidas persistem, no entanto, por, segundo Silvério, nunca ter chegado um “não”, mas também por o pedido de adesão ser anterior às mudanças dos estatutos do COI.

Tanto que, em 1997, aquando de uma visita a Macau, o então presidente do COI, Juan António Samaranch, – que garantiu que Macau teria em si um “advogado de defesa” – afirmou que a participação do então enclave português em provas internacionais e o facto de ter solicitado a sua adesão ainda durante a vigência do artigo que permitia o reconhecimento de territórios poderia “funcionar como um reforço das aspirações de Macau”.

Macau não pertence ao Comité Olímpico Internacional, pelo que não participa nos Jogos Olímpicos. Contudo, tem sido presença assídua nos Jogos Paralímpicos. Desde a estreia, em 1988, em Seul, com a maior delegação de sempre, Macau enviou sempre atletas, embora nunca tenha conquistado medalhas.

 

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