Centro de alto rendimento pronto a tempo de Tóquio 2020

Devia ter sido inaugurado no ano passado, mas uma série de atrasos empurraram a conclusão do Centro Desportivo de Alto Rendimento para o final da década. A obra ainda não saiu do papel mas deve estar pronta daqui a três anos.

 

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O centro de alto rendimento há muito prometido pelo Governo de Macau vai estar concluído, depois de sucessivos atrasos, dentro de três anos, garantiu no sábado o presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun.

“A elaboração do projecto já está na última fase (…). Esperamos que esteja concluído dentro de três anos”, disse Pun Weng Kun à agência Lusa, referindo-se ao Centro Polivalente de Estágio, que deveria ter sido inaugurado no ano passado, à luz das previsões de 2012.

As instalações destinam-se a acolher os atletas de alto rendimento que participam no plano de formação e, numa fase posterior, “caso haja condições”, atletas estrangeiros.

Actualmente, há mais de uma centena de atletas de elite incluídos no programa de apoio financeiro concebido pelo Governo de Macau em 2014. Contudo, apenas dez se dedicam em exclusivo a uma modalidade, com formação especializada.

No nível mais elevado do programa – reservado a medalhados com ouro em Mundiais ou Jogos Asiáticos – está apenas Huang Junhua, praticante de wushu (kung fu), que recebe 25 mil patacas mensais, de acordo com dados disponibilizados pelo Instituto do Desporto.

Nas modalidades praticadas pelos restantes nove, incluindo portadores de deficiência, há sobretudo artes marciais: wushu, karaté e taekwondo. Estes encontram-se numa categoria inferior, que também exige a conquista de pódios em competições internacionais, recebendo um financiamento menor.

Os dez atletas de elite treinam pelo menos cinco dias por semana ou um mínimo de 25 horas. O programa divide os atletas em três grandes níveis, subdivididos em diversas categorias, às quais correspondem por conseguinte distintos financiamentos.

O presidente do Instituto do Desporto reconheceu que “no passado, o número era maior”, pelo que a ideia passa por “sensibilizar os atletas para que adiram ao programa de modo a passarem para um nível semiprofissional ou profissional”.

Apesar de o plano não exigir a prática de uma modalidade específica, admitiu a vontade de “aumentar o nível desportivo”, em particular das artes marciais – com especial destaque para o wushu –, por permitirem uma “formação mais sistemática”, como disciplinas individuais.

O ID pretende melhorar a formação em outros desportos como o ténis de mesa, os barcos-dragão ou o futebol: “Não é por se ter bons ou maus resultados, é porque são as modalidades favoritas e as mais praticadas pela população”.

Manuel Silvério, presidente do Instituto do Desporto de 1996 a 2008, considerou “inconsequentes” os planos ao nível da alta competição. Por um lado, encontra-se centralizada nas associações desportivas – subsidiadas – marcadas por “puro amadorismo” e, por outro, “há um corte entre o desporto escolar e o desporto federado ou associativo”, uma ligação que seria fundamental para “haver um verdadeiro desenvolvimento para se chegar à alta competição”, defendeu o ex-dirigente do ID.

Apesar de reconhecer que “não existe nenhuma fórmula”, considerou que a “falta de hábitos dos técnicos, dos dirigentes, dos atletas, de instalações ou os calendários de competições confusos” impedem o fomento da alta competição. Em paralelo, a falta de instalações desportivas é um dos grandes entraves à prática de determinadas modalidades em Macau, como o futebol.

Para Manuel Silvério, o “Desporto para Todos”, que promove actividades e eventos com o objetivo de divulgar as vantagens do exercício físico, contribui para agravar o problema, pois entra em conflito com o desporto associativo, apesar de reconhecer que essa política – também vigente enquanto esteve à frente do Instituto do Desporto – foi relevante no passado.

“Sei de equipas da I divisão [de futebol] que não conseguem campos para treinar. Muitas vezes é por causa do ‘Desporto para Todos’. Os campeonatos são interrompidos por causa de uma efeméride, para uns joguinhos de idosos, para o festival das mulheres, para as competições dos deficientes. (…) Num espaço tão exíguo, já com tantos atritos entre modalidades, estarmos ainda a insistir nesse tipo de campanha é chover no molhado”, considerou.

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