Plano Director do Turismo precisa de colaboração activa das concessionárias

O académica da área do Turismo Glenn McCartney considera que os plano para o turismo pode ser essencial para diversificar a oferta e o local de origem dos visitantes, mas que é essencial a participação das operadoras de jogo. O docente da Universidade de Macau avisa igualmente que é muito fácil promover um plano que não se adequa às necessidades do território.

Inauguração do resort Parisian em Macau
O novo resort integrado, “Parisian”, propriedade do magnata Sheldon Adelson, abre esta noite as portas ao público, em Macau, China, 13 de setembro de 2016. Este novo projecto, foi inspirado em Paris e inclui uma réplica da Torre Eiffel com metade do tamanho original. O Parisian de Macau conta também com reproduções do Arco do Triunfo, da Fontaine des Mers, da Avenue Montaigne, dos Champs-Élysées, da Place Vendôme, entre outros espaços icónicos de Paris. Localizado na zona do cotai, ao lado do Casino Venetian, abre mais com 3.000 quartos de hotel, um centro de convenções, restaurantes, lojas, ‘spa’, e uma sala de espetáculos de 1.200 lugares, entre outros. CARMO CORREIA/LUSA

João Santos Filipe

O académico Glenn McCartney considera que é essencial que as operadoras do jogo contribuam de forma activa para a definição do Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau. No entanto, o professor da disciplina de Hospitalidade e Gestão da Indústrias do Jogo na Universidade de Macau teme que tal não esteja a acontecer.

“Espero que o Governo consiga realizar um bom plano, mas para isso tem de se ouvir tantas opiniões quanto possível, do sector público e do privado. Por essa razão gostava de ver as concessionárias participarem de forma activa nesta discussão, o que até agora me parece não está a acontecer”, disse ontem Glenn McCartney, ao PONTO FINAL.

“Participei em algumas sessões e o que me parece é que estão a ser ouvidas algumas associações locais, mais isso não é suficiente. É preciso ouvir os agentes do sector. Caso contrário o plano não tem o sucesso pretendido porque vai enfrentar demasiados problemas na sua implementação”, complementou.

Glenn McCartney escreveu recentemente um artigo que foi publicado na revista Gaming Research and Review Journal, da Universidade do Nevada de Las Vegas, em que explora a integração dos casinos numa estratégia ampla para o desenvolvimento do turismo Asiático. No documento, com o título Joga as Cartas, Lança o Dado, também é abordada a relação com a diversificação do local de origem dos turistas e as ofertas existentes nos territórios.

“Em muitos aspectos Macau não tem sido capaz de diversificar o seu turismo porque esta opção nunca foi uma prioridade, ao contrário do desenvolvimento da indústria do jogo que foi sempre visto como nuclear”, apontou.

O académico indicou depois os problemas existentes ao nível das infra-estruturas que estão por concluir e apresentam vários atrasos, como o metro ligeiro ou o terminal do Pac On: “Quando falamos do desenvolvimento turísticos falamos de questões como as infra-estruturas, o terminal marítimo, o aeroporto e por aí. Isso devia ter sido uma das principais preocupações para Macau após a liberalização, mas não foi. É por isso que estamos nesta situação [dependência extrema da indústria do jogo]”, defendeu.

Além disso, o académico fez o contraste entre os objectivos traçados pelo Governo local e as autoridades de Singapura no esforço para diversificar as ofertas turísticas: “Durante o concurso para a atribuição das licenças de jogo em Singapura era muito claro nas regras que as concessionárias tinham de fazer parte da estratégia para desenvolver o turismo. Em Macau isso não aconteceu”, disse. “A culpa não é da indústria do jogo porque esta tem de ser guiada. Por exemplo, não chega colocar como objectivo que os elementos dos casinos não-jogo têm de ser de nove por cento até 2020. É preciso definir bem um plano e depois ter uma liderança forte, que diga como é que isso se vai fazer”, frisou.

Glenn McCartney considera que o Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo pode oferecer uma resposta para a situação actual e contribuir para a diversificação do sector. Contudo insiste na necessidade de ouvir o sector e avisa que é “muito fácil fazer planos errados que depois enfrentam muitos problemas quando têm de ser aplicados”.

 

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