Pequim rejeita acusações de proteccionismo endossadas por Washington

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Os subsídios atribuídos pela China aos produtores de milho, trigo e arroz “respeitam” as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), garantiu ontem o Governo Central, após Washington ter apresentado queixa sobre o que considera incentivos comerciais “injustos”.

Os Estados Unidos da América alegam que a China, o maior produtor mundial de trigo e arroz, distribuiu “apoios aos preços de mercado”, no total de 100 mil milhões de dólares, um valor superior ao permitido pela OMC. O apoio estatal “torna os produtores chineses mais competitivos nos mercados internacionais”, acusou Washington.

O Ministério do Comércio chinês disse esta quarta-feira que já recebeu o pedido de consulta por parte dos Estados Unidos, através do mecanismo de resolução de litígios da OMC, mas insistiu que os apoios são “legais”: “A agricultura é uma indústria essencial em qualquer país e é fundamental para os interesses económicos dos produtores agrícolas”, referiu o ministério num comunicado difundido na terça-feira.

O apoio dado pelo Governo ao sector é uma “prática internacional comum”, refere.

Segundo as autoridades norte-americanas, a China tem atribuído subsídios ao sector acima do valor de 8,5 por cento dos preços de referência dos grãos, definido pela OMC.

O Secretário da Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, afirmou que “se a China estivesse disposta a operar segundo o regime estipulado pela OMC”, as exportações norte-americanas para o país no sector agrícola estariam acima do nível actual, de 20.000 milhões de dólares por ano, que correspondem a 200.000 postos de trabalho.

Muitos destes empregos são em Estados como Iowa ou Kansas, que devido às particularidades do sistema eleitoral norte-americano têm um papel muito importante nas eleições presidenciais do país. Tanto Donald Trump como Hillary Clinton, candidatos dos partidos Republicano e Democrata, respectivamente, coincidem na opinião de que os EUA devem rever a sua política comercial com a China, mostrando-se favoráveis a um maior proteccionismo.

A queixa contra alegados subsídios atribuídos aos produtores de grãos é a 14.ª iniciada pelos EUA contra a China, desde que o Presidente Barack Obama assumiu funções, sendo que Washington ganhou todos os casos durante este período.

A China “irá sempre proteger activamente os seus interesses industriais e comerciais”, aponta o comunicado do ministério do Comércio chinês.

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