Hoje há sereias veganas no Senado

Activistas que lutam contra o consumo de produtos de origem animal escolhem forma inusitada de espalhar a mensagem de que os peixes também sentem dor. As manifestantes vão promover, no Centro da cidade, as vantagens de uma alimentação em que também não entram nem o leite, nem os ovos.

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Rodrigo de Matos

Se passar pelo Largo do Senado hoje, ao início da tarde, e avistar uma sereia – isso mesmo, uma mulher com rabo de peixe – fique descansado que não se trata de uma alucinação. É que um grupo de activistas veganas (ou seja, que não consomem nem utilizam alimentos ou produtos de origem animal) escolheu trajar-se assim para promover o seu estilo de vida que, garantem, além de amigo do ambiente, contribui também para uma vida mais saudável.

Assim, hoje por volta do meio-dia, duas militantes da organização não-governamental internacional Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA, na sigla em inglês) irão exibir os seus corpos cobertos por pouco mais do que as fantasias a imitar as caudas de peixe de sereias. O traje, prometem, vai ser “sexy e divertido”, concebido com o objectivo de captar os olhares diante daquele que é, provavelmente, o mais movimentado ponto de encontro de residentes e visitantes na cidade, a fonte do Largo do Senado.

“Pretendemos ser animadas e provocantes ao mesmo tempo, de forma a chamar a atenção para a nossa causa. A partir daí, vamos estar a distribuir folhetos e a falar com as pessoas também, explicando-lhes a importância de pararmos de torturar e matar animais”, adiantou a activista Ashley Fruno, ontem em conversa com o PONTO FINAL.

A ideia de se fantasiar de um ser mitológico que é um híbrido entre um ser humano e  um peixe lança um alerta especial contra o consumo de pescado: “No que toca a sentir dor e a ter uma vontade de viver, os peixes são como todos os outros animais, incluindo os humanos”, observa Fruno. A activista sublinha o objectivo da iniciativa: “Que as pessoas reflictam e possam pouco-a-pouco ir deixando os peixes e outros animais fora dos seus pratos”.

 

Por um planeta vegano

 

Os activistas da PETA idealizam um mundo em que os seres humanos possam ter uma dieta livre de qualquer produto que envolva algum tipo de exploração animal, incluindo ovos, leite e derivados: “Sabemos que isso não vai acontecer da noite para o dia, mas se conseguirmos que uma pessoa opte pelo veganismo, ou que algumas das pessoas que contactamos reduzam o seu consumo de alimentos de origem animal, terá valido a pena”, explica a canadiana, de 30 anos.

A desfilar pelas ruas de Singapura com as partes íntimas do corpo cobertas com folhas de alface, ou deitada na calçada em frente a uma conhecida loja de roupa em Banguecoque, com a pele pintada de verde a imitar as escamas das cobras para protestar contra o uso de peles exóticas no vestuário, há vários anos que Ashley Fruno (à direita na foto) se vem envolvendo neste tipo de campanhas, pela representação da PETA para a região da Ásia e Pacífico.

Excluir os produtos de origem animal da alimentação, garante, não traz qualquer prejuízo para a saúde, ao contrário do que muitos pensam: “Eu própria sou vegana há 14 anos e nunca tive problemas. Nós, os veganos, não temos organismos fragilizados, pelo contrário. Está provado cientificamente que temos menos risco de desenvolver diabetes, cancro, doenças cardíacas e outras, para não falar na obesidade”, sublinha a activista.

 

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