China debate pobreza extrema depois de mãe ter morto os quatro filhos

A desigualdade social continua a dar que falar no Continente. No início da semana, uma mulher de 28 anos matou os quatro filhos  na província de Gansu depois de lhe ter sido negado o rendimento mínimo.

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A incidência de pobreza extrema na República Popular da China voltou esta semana a ser tema de debate, depois de uma mãe ter matado os seus quatro filhos por lhe ter sido negado o rendimento mínimo.

Yang Gailian, de 28 anos, utilizou um machado para matar os filhos, de seis, cinco e três anos, na província continental de Gansu, noticiou na terça-feira a imprensa chinesa.

A mulher suicidou-se a seguir, ingerindo pesticida. O marido, Li Keying, acabou também por pôr fim â vida, depois de realizado o funeral.

Eram um dos casais mais pobres na aldeia de Agushan, segundo escreveram os jornais, mas foi-lhes negado o subsídio destinado pelo Governo às famílias com rendimentos baixos.

O comité da aldeia justificou a decisão apontando que o seu rendimento anual era superior a 2.300 yuan – 2754 patacas – por pessoa.

Testemunhos de familiares difundidos na imprensa, contudo, garantem que o apoio foi anulado porque o casal rejeitou subornar os funcionários locais.

“Olhem agora para a exuberância que foi o G20”, ironizou um internauta no Sina Weibo, o Twitter chinês, aludindo à renovação da cidade de Hangzhou, na costa leste da China, visando receber a cimeira de dois dias.

Os trabalhos demoraram seis meses e envolveram milhares de operários, ilustrando os esforços de Pequim para promover a imagem da República Popular da China no exterior.

Outro internauta reagiu assim: “Somos uma sociedade brutal, em que as pessoas se comem umas às outras”.

Ao jornal Global Times, o especialista em problemas sociais Hu Xingdou disse que o caso “serve para alertar o público e o Governo de que, enquanto alguns gozam de uma boa vida nas cidades, a China continua a ser um país em desenvolvimento, com grandes desequilíbrios”.

Xiang Songzuo, economista-chefe no Agricultural Bank of China, considerou na sua conta oficial nas redes sociais que a “situação reflecte exactamente a dura realidade da pobreza na China”: “Por um lado, temos funcionários corruptos a desviar centenas de milhões a cada instante e os ricos que gastam aos milhares por dia, competindo para ver quem compra mais, enquanto do outro lado estão os que vivem numa pobreza tão extrema que perdem a vontade de viver”, disse.

Yang e Li e os quatro filhos viviam com a avó e o pai de Yang numa pequena casa de tijolo, com chão de terra batida. As suas “mais valiosas possessões eram três vacas e 12 galinhas”, segundo o jornal China Youth Daily.

A mulher lavrava a terra, enquanto Li era um dos milhões de rurais chineses que ocorrem às cidades em busca de todo o tipo de trabalho.

Segundo o Global Times, o homem tinha um vencimento anual de 7.000 yuan , quase metade enviado para casa, visando garantir a subsistência da família.

A desigualdade social é uma das principais fontes de descontentamento popular no “gigante” asiático, onde um terço da riqueza está concentrado em apenas 1 por cento da população.

O rendimento ‘per capita’ em Pequim ou Xangai, as cidades mais prósperas do país, é dez vezes superior ao das áreas rurais, onde quase metade dos 1.350 milhões de chineses continua a viver.

Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, 70 milhões de chineses continuam a viver abaixo da linha de pobreza, fixada pelo país num rendimento anual inferior a 2.800 yuan.

A mesma fonte detalha que o rendimento anual ‘per capita’ dos residentes rurais na China fixou-se em 10.772 yuan – 12 900 patacas – em 2015, menos do que muitos países africanos.

No mesmo ano, a República Popular da China ultrapassou os Estados Unidos da América em número de bilionários

 

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