Treze detidos na aldeia mais democrática da China

As autoridades da vizinha província continental de Guangdong fizeram uso de balas de borracha e de gás lacrimogéneo para dispersar um protesto contra a detenção do líder eleito da localidade de Wukan. A manifestação terminou com a detenção de quase uma dezena e meia de pessoas.

China Village Protest
FILE – In this Dec. 13, 2011 file photo, villagers chant slogans as they gather for a protest in Wukan village, Lufeng city, in southern China’s Guangdong province. Local police announced on social media early Saturday, June 18, 2016 that Lin Zuluan, the village’s democratically elected leader, had been detained on bribery charges as scores of paramilitary police have locked down a restive village in southern China to ward off fresh anti-corruption protests nearly five years after an uprising garnered international attention. (AP Photo/File)

As autoridades do Continente detiveram 13 residentes da localidade de Wukan, a aldeia que se tornou célebre em 2012 ao eleger o comité local através de eleições por sufrágio directo, após uma rebelião popular, numa experiência inédita na China.

A vaga de detenções surge após o chefe local, Lin Zulian, ter sido detido em Junho passado, por alegado desvio de fundos públicos.

Com 15.000 habitantes, a localidade costeira da vizinha província de Cantão tornou-se um símbolo de resistência popular em 2011, quando protagonizou uma das mais celebradas experiências democráticas do país.

Protestos contra a expropriação ilegal de terras culminaram com a demissão dos líderes locais, acusados de corrupção, e a eleição de um novo comité de aldeia por sufrágio directo.

Após a detenção de Lin Zulian, que encabeçou os protestos, a polícia disse que residentes locais “continuaram a lançar boatos e a insultar, ameaçar, forçar e subornar, visando instigar, planear e lançar manifestações de massas ilegais”.

“Perturbação da ordem e dos transportes públicos”, justificaram as detenções ontem anunciadas, segundo um comunicado difundido pela polícia local.

Depois das detenções, os residentes entraram em confrontos com a polícia, que usou balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar a manifestação, informou o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Vídeos e fotos difundidos na Internet mostram os manifestantes – alguns deles a sangrar – a atirar pedras contra a polícia.

Os protestos de 2011, em Wukan, foram inicialmente vistos apenas como um levantamento popular, semelhante às dezenas de milhares que todos os anos ocorrem na China. A morte de um dos líderes dos protestos, sob custódia da polícia, contudo, levou os residentes a bloquear as estradas que davam acesso à aldeia, conseguindo expulsar as forças de segurança durante mais de uma semana.

O Partido Comunista Chinês decidiu então recuar e fazer concessões raras, incluindo investigar as disputas de terra e permitir aos locais organizar eleições livres.

Lin Zulian, de 70 anos, foi então nomeado chefe local com 6.205 votos, num total de 6.812 eleitores, substituindo um homem de negócios que era acusado de roubar terras para as vender a promotores.

Na semana passada, porém, foi condenado a três anos de prisão por corrupção, depois de confessar ter aceitado subornos no valor de 590.000 yuan.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s