Pandas, votações, corrupção e ciberterrrorismo

 

Jason Chao denunciou o que diz ser o reforço da vigilância a que estão sujeitos os membros do Novo Macau. O assédio à associação pró-democrata tem aumentado muito ultimamente. Chao considera que deve estar para ser anunciada em breve a visita a Macau de algum membro do Governo Central.

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Rodrigo de Matos

Os bebés de panda gigante já têm nomes alternativos aos dados pelo Governo, escolhidos pelo público, numa iniciativa da Macau Concealers, subsidiária da Associação Novo Macau (ANM). Os nomes preferidos dos cibernautas foram Tam Tam e Wu Wu – sendo que, em cantonês, “tam wu” significa corrupção.

A votação online conduzida pela plataforma pró-democrata decorreu normalmente, apesar de um ataque informático proveniente da China Continental:  “Depois de um período de votação de sete dias, 1024 cidadãos fizeram chegar com sucesso o seu voto para a escolha dos ‘nome civis’ dos pandas bebés. Entre os nomeados a combinação ‘Tam Tam e Wu Wu’ recebeu 561 votos e ganhou”, anunciou Jason Chao, vice-presidente da ANM, ontem em conferencia de imprensa. Para o responsável, o sucesso da iniciativa irá agora depender da frequência com que as pessoas adoptarem estes nomes para se referirem aos pandas, em vez dos nomes provisórios que foram decididos pelo Governo: “Irmão” e “Mano”. A ANM incentiva a população a fazê-lo no dia-a-dia.

Para Jason Chao, a escolha de nomes que ecoam a palavra corrupção é significativa da reputação da esfera dirigente junto das camadas populares. Através da iniciativa, os pró-democratas procuraram reagir à decisão do Governo de não permitir uma votação aberta para os nomes oficiais dos pandas bebés, como havia sido feito no caso de Hoi Hoi e Sam Sam: “Na altura havia uma lista limitada a cinco opções, salvo erro, mas pelo menos era dada alguma escolha às pessoas. Desta vez, quiseram fazer tudo às escuras”, comenta.

Apesar da aparente irrelevância para a vida dos cidadãos que possa ter a escolha do nome dos pandas, os responsáveis da ANM viram neste referendo online uma oportunidade para conduzir alguma educação de natureza cívica: “É uma forma de motivar o público a ter iniciativa e se envolver nas questões. Encorajamos as pessoas a expressarem as suas opiniões. Tivemos aqui um exercício da liberdade de expressão”, considera.

 

ANM e Macau Concealers alvos de ciber-ataques

 

Entre os dias 5 e 7 de Setembro, quando decorria a votação, as páginas da Associação Novo Macau e da Macau Concealers na Internet tiveram o seu acesso bloqueado por uma avalanche de visitas provenientes da República Popular da China. O vice-presidente da Novo Macau apresentou gráficos do tráfego registado durante esse período, explicando ter sido essa a razão para os dois sites terem estado sempre inacessíveis durante aquele período. O ataque não afectou, no entanto, a votação, já que o esta estava alojada num outro servidor: “Estive ocupado com o site da votação que, graças à aplicação de um dispositivo de segurança para referendos civis, não foi afectado, e não pude responder aos ataques. Assim que terminou o período de votação, pude responder finalmente, accionando um dispositivo que pede para digitar um pequeno código para os acessos provenientes da China. Como as máquinas não o conseguem fazer, esse tráfego caiu imediatamente, provando que não se tratava de tráfego orgânico, mas artificial, gerado por programas automatizados”, explicou Jason Chao.

Os alegados ataques foram mais um entre vários sinais que os pró-democratas têm observado recentemente de um aumento da vigilância e boicote à sua actuação. Na quarta-feira da semana passada, conta o dirigente, dois membros da associação, incluindo o próprio Chao foram alvo de uma insólita perseguição pelas ruas de Macau: “Avistamos pessoas a vir atrás de nós e sabemos que não pertencem à polícia”, revelou. O caso, ocorrido este mês, de um ex-estudante de Hong Kong que é agora comentador político e que foi impedido de entrar em Macau é outro exemplo de atitudes que deixaram a ANM com a pulga atrás da orelha: “Estes indícios fazem-nos especular que algum alto responsável do Governo Central esteja prestes a visitar Macau nos próximos meses. Será essa a razão do aumento da vigilância”, acredita.

Especulações à parte, o que a Associação Novo Macau tem como certo é que, relativamente ao ataque informático, não irá apresentar queixa na Polícia Judiciária. “Há aí um dilema interessante. Algumas pessoas aconselharam-nos a apresentar queixa, mas será que isso tornaria os nossos sites mais seguros ou menos, ao colocarmos à disposição da Polícia Judiciária os dados técnicos necessários para relatar o crime? Não sei se essa seria a jogada mais inteligente”, afirma. O dirigente lembrou o sucedido em 2014, quando a PJ solicitou a Chao as identidades das pessoas que participaram no “referendo civil” promovido pelos pró-democratas: “Desde essa altura, perdi toda a confiança nas autoridades policiais locais”, atesta.

 

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