O bispo compositor que trouxe a Igreja para o meio da cidade

 

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Arquimínio Rodrigues da Costa trouxe o bispado para o meio da cidade, para junto da população, e foi o primeiro bispo estrangeiro a ser recebido oficialmente em 1985 pelo Governo Central. Estes são os principais contributos do epíscopo, ontem falecido, para a Igreja Católica em Macau e na República Popular da China, na opinião do padre Luís Sequeira.

“Deixou o Palácio do Bispo lá em cima na Penha e foi o primeiro que veio cá para baixo para o seminário. Depois mais tarde fez o Paço Episcopal junto da Catedral. O facto da residência episcopal estar no topo da Penha dava uma visão um pouco principesca do que era ser bispo. Mas ele trouxe a residência para o povoado”, disse ontem Luís Sequeira, ao PONTO FINAL.

Além disso, o jesuíta recorda a visita de D. Arquimínio Rodrigues da Costa em 1985 a Pequim, na qual também participou, integrando a comitiva: “Foi o primeiro bispo estrangeiro a entrar em contacto com o Governo Central e com a Igreja da China, que continua ainda hoje a ser um problema que tem de ser resolvido. Ele foi o primeiro estrangeiro. O bispo de Hong Kong foi recebido antes dele, mas era chinês”, afirmou.

Quando chegou a Macau, Luís Sequeira foi recebido por Arquimínio Rodrigues da Costa. Do homem recorda uma pessoa tímida, bondosa mas com um grande intelecto: “Era uma pessoa muito inteligente e bem formada. Conservava sempre muita discrição e recato e, por vezes, uma certa timidez. Mas tinha uma profunda bondade com as pessoas”, enfatiza.

A questão do intelecto do último bispo português de Macau é também destacada pelo jornalista e investigador João Guedes, nomeadamente no que diz respeito à faceta “escondida” de compositor e ao domínio do cantonês e mandarim: “Era um intelectual, um virtuoso. Era um músico também, é uma vertente de que se fala pouco ou nada. Era um compositor, embora as suas composições se mantenham quase todas inéditas e é um instrumentista”, recorda.

Além disso, João Guedes destaca o papel de Arquimínio Rodrigues da Costa na preparação da Igreja Católica para os tempos pós-transição. “Foi ele que preparou a Igreja Católica local para a chamada localização, ou seja, para a adaptação de uma situação colonial ao cenário da transferência da soberania de Macau para a República Popular da China. Isto numa altura em que não tinham sido abertas as conversações entre Portugal e a China para a transferência da soberania”, explicou.

 

 

 

 

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