Atrasos nas decisões do ID levaram à saída da Motor Race Consultants

O director executivo da Motor Race Consultants rejeita qualquer desentendimento com o Governo ao nível de verbas. Barry Bland explicou ao PONTO FINAL que a parceria para a organização do Grande Prémio foi alterada, quando lhe tinham dito que isso não ia acontecer.

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João Santos Filipe

 

Os atrasos na tomada de decisões por parte do Instituto do Desporto e as mudanças promovidas na parceria, com a redução dos poderes da Motor Race Consultants – ao contrário do que tinha sido prometido – levaram a empresa a deixar a organização do Grande Prémio de Macau. A explicação foi avançada por Barry Bland, proprietário da consultora que colaborava na organização da Taça Intercontinental de Fórmula 3 desde 1983, ao PONTO FINAL.

“Basicamente [a decisão de deixar de colaborar com o evento] deve-se à mudança da administração do Grande Prémio que passou para o Instituto do Desporto. No início do ano pediram-nos que estivéssemos envolvidos na organização nos mesmos moldes do que no passado. Mas, depois o que aconteceu é que o método de operar não foi o mesmo”, disse Barry Bland, ao PONTO FINAL.

Na semana passada foi noticiado pela revista inglesa Autosport que Barry Bland deixava de colaborar com o Grande Prémio de Macau. A decisão teve efeito imediato. No passado, a parte mais visível do trabalho desenvolvido pela Motor Race Consultants passava por encontrar equipas para participarem no evento de Fórmula 3 e tratar de parte da logística, como o transporte de carros e materiais para Macau.

“Perdemos o controlo que tivemos nos últimos 33 anos e por isso já não tínhamos carta branca para podermos fazer o que sempre fizemos no passado. Mas acredito que a AAMC [Associação Geral de Automóvel de Macau-China] também está numa posição difícil porque tudo o que quer fazer tem de ser aprovado pelo Instituto do Desporto”, afirmou.

“Estávamos a tratar das coisas com dois meses de atraso e mesmo assim continuávamos sem receber qualquer resposta [do ID] para algumas questões muito importantes”, acrescentou.

Entre os procedimentos atrasados estão os regulamentos, que já deviam ter sido entregues às equipas de Fórmula 3, mas que no passado dia oito –  ou seja a um dia antes do fim do prazo de inscrições – ainda não tinham sido dados a conhecer às scuderias.

 

Atrasos sem explicação

 

Barry Bland frisou ainda que nunca houve uma explicação para os atrasos do Instituto do Desporto e que com a nova estrutura se tornou mais complicado comunicar internamente. Contudo, realçou que de acordo com os moldes da parceria que mantinha com o ID, o Governo também não tinha de lhe dar explicações.

 

O britânico negou igualmente que o fim da parceria se tenha ficado a dever a questões monetárias e considera que a prova vai decorrer sem sobressaltos organizativos, apesar da ruptura ter acontecido a pouco mais de três meses do fim-de-semana mais frenético do território.

“Não me parece que [os organizadores] vão ter qualquer problema. Vai tudo acontecer como sempre aconteceu no passado. Já tinha fornecido uma lista provisória com inscrições ao AAMC por isso eles têm algo com que trabalhar”, revelou.

Com a mudança na estrutura organizativa, o proprietário da Motor Race Consultants explicou ainda que a Federação Internacional do Automóvel (FIA) também começou a ficar mais envolvida na organização da prova de Fórmula 3.

O PONTO FINAL contactou o Instituto do Desporto para obter uma reacção sobre os atrasos e alterações à parceria, mas até à hora do fecho da edição não tinha recebido uma resposta.

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