Uma visita descansada

 

 

O programa oficial esgotou-se quase todo ontem. Mas a agenda livre não foi suficiente para Chui Sai On aceitar o convite, endereçado por Rui Moreira, para visitar o Porto.

fernandochuisaion_macau

João Paulo Meneses *

Afinal o programa da visita de Chui Sai On a Lisboa é ainda mais curioso do que aquilo que o texto publicado ontem no PONTO FINAL dava a entender. Na verdade, o Chefe do Executivo cumpriu esta segunda-feira três dos quatro compromissos anunciados publicamente e janta amanhã com estudantes de Macau radicados no território. Quarta-feira apanha o avião de regresso e aterra na quinta em Hong Kong.

O GCS falou sempre numa deslocação de seis dias, mas na verdade tudo se resume a um dia e posteriormente a um jantar, que até podia se ter realizado ontem. Chui Sai On participou na manhã de ontem na 4.ª reunião da Comissão Mista Macau – Portugal, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Às 15 horas esteve reunido com o primeiro-ministro António Costa e às 18 horas encontrou-se com o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa.

A terça-feira em Lisboa será, pois, um dia livre, excepção feita ao jantar, que o chefe do Executivo reservou para o tal “intercâmbio com os estudantes de Macau que frequentam o ensino em Portugal, a fim de conhecer melhor a sua situação académica e vida”.

 

DESCANSAR?

Em 2014 o presidente da Câmara Municipal do Porto esteve em Macau e fez um convite da Chui Sai On para que este viesse ao Norte – o que nunca aconteceu nas restantes três visitas dos chefes de governo de Macau a Portugal.

Na altura, além de ter agradecido, Chui Sai On aceitou o convite, que ficou apalavrado para coincidir com a sua próxima deslocação a Portugal. Adiada a visita para este mês, a Câmara do Porto – sabe o PONTO FINAL – tratou de reforçar o convite para a tal visita nortenha.

Mas o gabinete do Chefe do Executivo terá argumentado que Chui Sai On necessitava do dia livre para descansar, relacionando a opção com motivos de saúde. O PONTO FINAL contactou, por email, o GCS, solicitando esclarecimentos sobre o tema, mas não obteve qualquer informação.

 

EDUCAÇÃO NA COMISSÃO MISTA

O chefe do Executivo esteve toda a manhã no Palácio das Necessidades, onde decorreu a 4ª reunião da Comissão Mista Macau-Portugal. Tal como o PONTO FINAL adiantara ontem, o reforço da cooperação na educação foi um dos temas em destaque.

No final Chui Sai On afirmou que estão a ser criadas “muitas condições” para que residentes e futuras gerações possam aprender português na RAEM:  “A nossa Lei Básica estipula que o português é uma das línguas oficiais e desde o passado tem sempre sido generalizado e promovido o ensino da língua portuguesa. Estamos a criar muitas condições e oportunidades para que os nossos residentes e gerações futuras possam ter acesso ao ensino da língua portuguesa”.

O chefe do governo de Macau deixou, no entanto, claro que “apenas proporcionamos oportunidades, a escolha depende de cada um”.

 

ELOGIOS PORTUGUESES

Do lado português, ouviram-se elogios a Macau, “uma excelente plataforma para a difusão da língua portuguesa em toda a China”, considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros. Augusto Santos Silva saudou a decisão recente das autoridades de Macau de generalizar o ensino do português a todas as escolas da Região, um projeto com “prioridade de apoio” do Executivo da RAEM. O Governante declarou a disponibilidade de Portugal para apoiar a formação de professores.

A nível do ensino superior, o ministro destacou as experiências de intercâmbio de estudantes, “com todo o êxito”, e elogiou a iniciativa de Macau de formar especialistas em língua portuguesa, “garantindo a presença de quadros que sejam também capacitados em língua portuguesa em áreas tão críticas como o direito, as finanças e a gestão, a saúde ou a engenharia civil”.

“Esta é também uma área de forte cooperação entre o sistema de ensino superior português e o sistema de ensino superior de Macau”, salientou.

Na reunião de ontem, também foi abordada a cooperação científica, estando previsto um encontro, a promover por Chui Sai On, entre o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau e o Fundação de Ciência e Tecnologia de Portugal “para criar novas condições para o desenvolvimento da cooperação científica e tecnológica”, acrescentou Santos Silva.

Os dois responsáveis acordaram também aprofundar a cooperação no domínio do empreendedorismo jovem, no âmbito das ‘startups’ (jovens empresas da área tecnológica).

Questionado pelos jornalistas, o chefe do executivo de Macau declarou que as autoridades têm apoiado a Escola Portuguesa de Macau “de várias formas” e vão continuar a “apoiar o funcionamento” da instituição, embora sem especificar de que modo.

 

  • Com Lusa

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