Macau gasta 200 milhões por ano para enviar pacientes para Hong Kong

 

Cidadãos que não confiam nos médicos e serviços sem capacidade de resposta para os problemas de saúde dos cidadãos ao nível de médicos e estruturas. É esta a imagem dos hospitais do território, segundo o South China Morning Post.

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O Governo de Macau gasta por ano cerca de 200 milhões de patacas no envio de pacientes para a vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong para receberem tratamento. Os custos foram revelados ontem pelo jornal South China Morning Post, num artigo que relata a incapacidade do Sistema de Saúde de Macau para oferecer um serviço completo e que retrata o clima de desconfiança reinante entre os residentes face aos médicos vindos do Interior da China.

De acordo com os dados avançados pelo diário, em 2014 o Centro Hospitalar Conde de São Januário enviou 2 mil pacientes para o Hospital Queen Mary, em Hong Kong, para tratamentos. Na região vizinha, os Serviços de Saúde de Macau têm de pagar um total de 4 680 dólares de Hong Kong por dia por cada paciente internado. Ou seja, em média cada paciente enviado para Hong Kong em 2014 custou 100 mil patacas ao erário público.

No artigo é igualmente explicado que o problema é a falta de infra-estruturas para lidar com os problemas de saúde dos cidadãos, assim como a falta de médicos especialistas e de uma escola de medicina de características ocidentais.

Uma vez que os casos mais graves são enviados para Hong Kong, os médicos do território não estão preparados para lidar com certas situações. Um cenário descrito pelo director do Hospital Kiang Wu, Ma Hok Cheung: “Por exemplo, somos capazes de apenas ver um caso de leucemia a cada cinco anos”, revelou o director do principal hospital privado de Macau, ao diário de Hong Kong.

Em relação aos médicos especialistas, Ma Hok Cheung afirma ainda que não há um sistema de acreditação para especialistas que abranja todo o sector. O mesmo revela que no Kiang Wu os especialistas têm um título definido de forma aleatória: “Existe a falta de um sistema uniforme de acreditação para especialistas em Macau. Nós apenas nos limitamos a chamar de forma aleatória aos nossos médicos especialistas no coração, ou outras disciplinas. Em Hong Kong, há faculdades para especialistas, como a Faculdade de Radiologistas. É necessário passar certos exames para ter o título de especialista”, explicou o médico.

Apesar destas limitações e custos inerentes, o deputado e presidente da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, Fong Chi Keong, defendeu junto do South China Morning Post que Macau é demasiado pequeno para ter uma faculdade de Medicina. Uma conclusão que segundo o jornal foi igualmente defendida num estudo da Universidade de Macau.

Outra das questões abordadas é a falta de confiança nos médicos que trabalham em Macau. No artigo é citada uma cidadã, de apelido Chan, que se desloca quatro vezes por ano a Hong Kong para exames de rotina. Entre as razões para as deslocações ao território vizinho, Chan diz que não confia nos médicos do território, que na maioria têm um sotaque da República Popular da China.

 

Além disso refere que experiências vividas por amigos nos hospitais de Macau e da China a fazem optar por tratar dos assuntos relacionados com a sua saúde em Hong Kong. Ainda sobre Macau diz que é útil para problemas “ligeiros” como constipações, e que nos outros casos vai sempre à antiga colónia britânica pedir uma segunda opinião.

 

O PONTO FINAL contactou os Serviços de Saúde para uma reacção ao artigo ontem publicado pelo South China Morning Post. No entanto, o organismo dirigido por Lei Chin Ion disse  à publicação de Hong Kong que a Organização Mundial de Saúde elogiou Macau “pela cobertura ampla do sistema de saúde e pela alta qualidade”. A esperança de vida da população é também destacada.

 

Médicos do Kiang Wu criticados por Fong Chi Keong

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A Faculdade de Medicina da Universidade de Jinan é um dos principais locais para a contratação dos médicos que trabalham no Hospital Kiang Wu. Entre os 340 médicos da instituição, cerca de um terço, ou seja 114, foram formados na universidade da qual Fernando Chui Sai On é um os membros da direcção. Esta foi a universidade que recebeu uma doação de 123 milhões de patacas da Fundação Macau em Maio último.

No entanto, o responsável do hospital Kiang Wu, Fong Chi Keong, não considera que os médicos da instituição trabalhem para manter os seus conhecimentos actualizados. “Em Hong Kong os médicos tentam constantemente actualizar os seus conhecimentos ao estudarem as últimas descobertas e pela realização de estágios e exames no estrangeiro”, disse Fong Chi Keong. “Em Macau isso não é assim”, frisou.

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