As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

 

Os enganos aéreos dos gatunos

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Com a boca na botija, foi como Y. apanhou aquele homem a vasculhar comprometedoramente a mala que havia guardado no compartimento por cima do seu assento, num voo Xiamen-Macau, na sexta-feira. “Ei, essa mala é minha!”, terá dito. Com ar estupefacto, o sujeito desculpou-se com uma justificação que tinha preparada debaixo da língua: “É que tinha uma mala parecida e tinha pegado naquela por engano”.

Comerciante, de 42 anos, Y. estava habituado a viajar de avião e nunca lhe acontecera nada semelhante. Desconfiado, abriu a mala e contou o dinheiro que tinha lá guardado: as 12 mil patacas e os 6500 dólares de Hong Kong (6695 patacas) estavam lá todos, mas não conseguia engolir a desculpa do homem que tinha apanhado com o nariz enfiado na sua bagagem. Por sorte, L., uma doméstica de 50 anos, tinha assistido a tudo e viu como um outro passageiro havia retirado a mala de Y. do compartimento das bagagens e passado disfarçadamente para o homem que tinha sido apanhado em flagrante a bisbilhotar o seu conteúdo.

Não precisou ouvir mais nada. Manteve os dois indivíduos debaixo de olho durante todo o voo. Ao desembarcar em Macau, reparou que, das bagagens que ambos transportavam, nenhuma se parecia minimamente com a sua. Pediu imediatamente ajuda à polícia, sabendo que podia contar com o testemunho de L., a mulher que tinha assistido à tentativa de furto.

Detidos pelos agentes da PSP, D. um comerciante de 53 anos, e E., um empreiteiro de 40, negaram a prática do crime e mantiveram-se insistentes em como tudo não havia passado de um mal-entendido. Tiveram de repetir a sua versão no sábado, perante o Ministério Público, ao responderem às acusações pelo crime de furto qualificado.

Trapaça nas corridas

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T. é um cavalo de corridas dos mais bem sucedidos no Jockey Club de Macau. Costuma ficar sempre nos primeiros lugares, daí que os seus donos e os apostadores tenham achado estranho que, no dia 22 de Abril – sem que tivesse sofrido uma lesão ou por qualquer outra razão aparente – o puro-sangue tenha acabado em último. Parecia tristonho e sem vontade de correr.

A empresa que gere a pista de corridas tentou apurar o que poderia ter acontecido de anormal. Tudo apontava para um único suspeito: o tratador de animais que alimentava os cavalos. Teria ele dado alguma substância a T. antes da corrida, com o propósito de o fazer perder?

Confrontado com a acusação, C. negou a pés juntos que o tivesse feito e lembrou que apenas era o responsável por dar comida aos animais, e não medicamentos. Mas a sua desculpa não terá convencido e a denúncia deu entrada na PJ no dia 1 de Junho. A polícia de investigação começou a analisar o caso e, este fim-de-semana, chegou à conclusão de que já tinha provas suficientes para remeter o caso ao Ministério Público.

O suspeito teve de responder pelo crime enquadrado no artigo 1.º da Lei número 9/96 sobre “Ilícitos penais relacionados com corridas de animais”.

O cheiro do álcool

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Era uma gritaria que não se podia. Apesar de não ser muito tarde – apenas 15h10 – os berros que vinham daquele quarto de hotel estavam a incomodar os outros hóspedes e o gerente foi chamado a intervir. Bateu à porta e foi saudado com uma catadupa de desaforos por um indivíduo demasiado agitado. E aquele bedum a vinhaça indicava que a coisa não se iria resolver com recurso à razão.

“Isto é um trabalho… para a Polícia de Segurança Pública!”, terá pensado o gerente, que tratou de ligar para as forças de segurança. Os agentes chegaram e foram directo ao aposento indicado confirmar o cenário descrito: um indivíduo a exalar álcool, com os nervos à flor da pele e a disparar palavrões em todas as direcções. Alguns atingiram a honra dos polícias e das suas progenitoras, pelo que o destino do cidadão só podia ser um. Encaminhado para o comissariado, D., de 42 anos, – apesar dos constantes avisos dos agentes sobre os crimes em que estava a incorrer – manteve a mesma atitude desafiadora e pouco cooperante. Recusou-se a preencher os impressos e resistiu a que lhe fossem recolhidas as impressões digitais.

Ontem, foi apresentado perante o Ministério Público para responder pelos crimes de injúria agravada e desobediência.

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Falsificação baratinha

Como acontece sempre que a polícia avista um sujeito com ar comprometido e a comportar-se de maneira suspeita, os agentes que patrulhavam junto ao casino Ponte 16 na sexta-feira passada, por volta das 21h, pediram a B. os documentos. O homem de 36 anos obedeceu e apresentou o que tinha nos bolsos: um salvo-conduto da China e uma declaração de entrada dos Serviços de Imigração de Macau.

Os agentes repararam que a declaração tinha um aspecto fora do comum e confrontaram o indivíduo, que se apressou a confessar que o documento era falso, admitindo tê-lo comprado na China Continental pelo equivalente a apenas 20 pataquinhas. “Mas, reparem como o meu salvo-conduto, por outro lado, é mesmo verdadeiro”, terá dito, segundo a polícia, que não se deixou seduzir pelo facto.

E, no sábado, perante o Ministério Público, B. teve mesmo de responder por falsificação de documento.

 

Destaque:

“Os agentes repararam que a declaração tinha um aspecto fora do comum e confrontaram o indivíduo, que se apressou a confessar que o documento era falso, admitindo tê-lo comprado na China Continental.”

 

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