Volte-face da Uber reforça ainda mais necessidade de regulamentação

 

Independentemente da empresa de transportes alternativos aos táxis ter ou não usado a opinião pública na defesa dos seus interesses, os pró-democratas defendem que a polícia deve aliviar a repressão que tem exercido sobre os motoristas da companhia. O Novo Macau espera que o Governo avance com legislação para regular as novas alternativas aos táxis.

Shanghai, China. February 13th 2014. Driver images for UBER marketing content.

Rodrigo de Matos

O anúncio da Uber de que iria voltar atrás na decisão de abandonar o mercado de Macau foi recebido com agrado pelo presidente da Associação Novo Macau (ANM), Scott Chiang, uma das vozes críticas que se têm levantado contra a forma como o Governo tem gerido a presença da plataforma no território. Para o dirigente, a inversão de marcha da empresa de transportes alternativos aos táxis em nada prejudica aquilo que a associação pró-democrata tem defendido, pelo contrário.

“Isso não muda em nada a nossa posição. Quando muito, reforça o que temos vindo a sublinhar que é a necessidade de regulação nesse tipo de solução de transportes”, observou ontem Chiang, em conversa com o PONTO FINAL. “Independentemente de eles saírem ou não, o que nós propomos continua de pé, porque seria sempre aplicável a qualquer outra empresa que no futuro se dispusesse a prestar o mesmo tipo de serviço em Macau”, explica.

Desconhecendo-se em que momento é que a Uber terá tomado a decisão que viria a anunciar no sentido de não abandonar Macau, o certo é que nas últimas semanas o caso tem suscitado uma vaga de contestação por parte do público, com protestos e petições a sucederem-se: “Para ser franco, penso que os responsáveis da Uber não são nenhuns amadores nestas questões de marketing, até pela experiência acumulada noutros episódios semelhantes, uma vez que têm enfrentado este tipo de obstáculos e resistência um pouco por todo o mundo”, nota o presidente da Associação Novo Macau.  Sem afirmar directamente que a empresa tenha simulado a intenção de saída por forma a manipular a opinião pública, Scott Chiang considera, no entanto, um tal expediente legítimo: “Não os acuso disso e, mesmo que o tenham feito de forma premeditada, não contesto a sua legitimidade para o fazer. O mais importante é que vai continuar a haver uma empresa a operar um serviço que precisa urgentemente de ser regulado”, considera.

Levar a que o Governo avance para a regulamentação é, aliás, a meta assumida por Chiang. Mas, até lá, a Uber irá continuar a operar à margem da lei, o que já lhe valeu mais de 10 milhões de patacas em multas acumuladas. Por isso, defende o responsável da ANM, “é preciso afrouxar um pouco a repressão que a polícia tem exercido nestes casos e que não se vê que seja proporcional à forma como actua noutras situações de irregularidades nos transportes”, defende. “Se vier a ser dado um primeiro passo em direcção à regulamentação, não fará sentido manter mão tão pesada contra algo que se pretende legalizar”, defende.

 

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