“Responsabilidade moral” conduz Amélia António a um novo mandato

Sem que tenha sido apresentada uma segunda lista para a eleição da nova direcção da Casa de Portugal, Amélia António mantém-se na corrida, pelo dever moral de reduzir ao mínimo a dívida contraída com o encerramento do  restaurante Lusitanus. A dirigente fala ao PONTO FINAL do que diz ser a transmissão de informações erradas a Alexis Tam, que resultaram na retirada do convite endereçado à instituição para assumir o restaurante das Casas-Museu da Taipa. O projecto foi entretanto suspenso.

 

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Sílvia Gonçalves

Amélia António avança sem concorrência para uma nova candidatura à direcção da Casa de Portugal. A ausência de listas e o que diz ser a “responsabilidade moral” de concorrer – numa altura em que estão por saldar menos de dois terços da dívida pendente após o encerramento do restaurante Lusitanus – justificam o avanço para um novo mandato, onde manterá como prioridade conseguir novas instalações para a Escola de Artes e Ofícios. A dirigente diz não querer comentar a decisão governamental de suspender o plano de inclusão de um restaurante nas Casas-Museu da Taipa, que seria atribuído ao Clube Militar. A advogada alega, contudo, que alguém terá comunicado ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura que a Casa de Portugal já não estaria interessada em assumir o projecto do restaurante. “Coisas estranhas”, diz, que resultaram no posterior convite ao Clube Militar.

“Não apareceu nenhuma outra proposta de lista. Eu não me tenho desligado desta responsabilidade por causa da situação que se criou quando o Lusitanus teve que fechar abruptamente [em 2013], ao fim de dois anos, sem tempo para recuperar o investimento feito. Eu estava na presidência e entendo que tenho uma responsabilidade moral nessa situação. Não posso deixar de dar a cara enquanto o problema está pendente”, justifica Amélia António.

A presidente recorda o encerramento do restaurante como a criação de um contexto financeiro sem precedentes na história da instituição: “A Casa nunca tinha tido uma dívida assim. Com o fecho do Lusitanus aquilo foi de facto um desastre, porque o investimento tinha sido muito grande, tinha feito uma coisa bonita, bem montada. E não teve qualquer tempo para haver retorno”, explica.

E quanto subsiste por pagar da dívida então acumulada? “Neste momento já é abaixo de um milhão, mas quando foi o fecho passava de um milhão e meio. Vamos pagando, neste momento a nossa dívida é exclusivamente com o banco. Todos os fornecedores, quer de produtos, quer de serviços, toda a gente foi paga”. A quantia em falta, explica Amélia António, vai sendo liquidado com os serviços prestados pela instituição: “Há alguns proventos. Esses proventos só podem vir de serviços que a casa presta a outras entidades e de produtos que produz e que vende”.

Para o próximo mandato de dois anos, a advogada mantém-se na mesma linha dos últimos anos: “É o melhoramento da Escola de Artes e Ofícios, a perspectiva de se conseguir umas instalações onde, nomeadamente ao nível dos miúdos mais novos, houvesse melhores condições para as actividades deles”, define.

Também para o Lusitanus, actualmente a funcionar na sede da Casa de Portugal, Amélia esperava conseguir a instalação do restaurante nas Casas-Museu da Taipa. Convite que, conta, lhe foi endereçado por Alexis Tam, para posteriormente ter sido retirado de forma quase inexplicável: “Isso é um assunto muito complicado. De facto, nós tínhamos tido um convite, que foi público, por parte do senhor secretário. E portanto toda a gente estava nessa expectativa porque tomou conhecimento desse convite. Depois aconteceram várias coisas estranhas, porque foram dadas algumas informações ao senhor secretário que não correspondem a coisas reais”, adianta a dirigente.

Amélia António dá conta da transmissão de informação a Alexis Tam que diz ser totalmente falsa: “O secretário foi informado que nós teríamos recusado esse projecto, que teríamos dito que não éramos capazes de o fazer. Foi uma coisa que não aconteceu mas foi a informação que lhe foi dada e, na sequência dessa informação, decidiu convidar o Clube Militar. Depois disso eu não sei exactamente o que é que se passou”.

Conta a presidente que foi Alexis Tam quem lhe transmitiu um enredo que diz desconhecer: “O senhor secretário comunicou-me que, em virtude de nós termos dito que não éramos capazes de levar esse projecto por diante, que eu não estivesse preocupada porque ele tinha convidado o Clube Militar. Isso foi-me dado como um assunto que tinha sido uma consequência de uma decisão nossa. Nunca tínhamos tomado essa decisão”, garante.

A advogada esclarece que a estrutura a que preside apenas assumira a actual incapacidade de investimento: “A única coisa que eu sempre disse é que a Casa de Portugal não podia gastar um tostão naquele projecto. Depois do desastre financeiro, não podia investir. Mas não disse que não éramos capazes, já tínhamos dados provas que éramos. Isso terá sido transmitido de uma forma… olhe, ‘lost in translation’ (risos)”.

Sobre a próxima edição do Festival da Lusofonia, Amélia António pouco deixa escapar sobre o tema da barraca de Portugal: “O tema não é bem Aveiro, é aquela zona, é ali da zona”. Sobre a possibilidade de se tratar da Costa Nova, já atirada em declarações à Rádio Macau, a presidente não baixa a guarda: “É a Costa Nova, é para aí, mais para aí. É qualquer coisa típica da zona”. Já sobre a Semana Cultural, Amélia adianta mais qualquer coisa: “Vamos trazer uns formadores de cavaquinho, de uma escola de Montemor-o-Novo. Vamos fazer um workshop de ensino da construção do cavaquinho”, adianta.

 

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