Vacinas para cancro do colo do útero polémicas autorizadas em Macau

As vacinas contra o HPV Cervarix e Gardasil estão a ser acusadas no Japão de provocar desmaios, perda de memória e incapacidade motora temporária. Os produtos estão a ser utilizados em Macau, mas os fabricantes garantem a sua eficácia. O Governo ainda não tomou uma posição sobre o assunto.

João Santos Filipe

Dois tipos de vacinas para o colo do útero que estão a ser acusadas, no Japão, de causarem efeitos secundários como desmaios, perda de memória e incapacidade motora temporária têm autorização para ser utilizadas em Macau. Em causa estão os produtos Cervarix e Gardasil, produzidos pelas empresas GlaxoSmithKline e Merck Sharp & Dohme, respectivamente.

A controvérsia surgiu na quarta-feira quando um grupo de 63 mulheres japonesas, com idades entre os 15 e 22 anos, decidiram processar os fabricantes das vacinas e o Governo do Japão devido aos efeitos secundários dos produtos farmacêuticos. Segundo o jornal The Japan Times, as mulheres pedem 15 milhões de ienes cada, ou seja aproximadamente 1,1 milhões de patacas, sendo que os processos decorrem nos tribunais de Tóquio, Nagoya, Osaka e Fukuoka.

Segundo as queixosas, após terem sido vacinadas contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV na sigla inglesa), entre 2010 e 2013, experimentaram diversos problemas de saúde como dores de cabeça, fatiga, desmaios e dificuldades motoras temporárias.

Em 2013 o Governo do Japão cessou mesmo de recomendar às jovens com idades entre os 12 e 16 anos que levassem as vacinas em causa devido aos efeitos secundários. Segundo o jornal japonês, em Setembro do ano passado o Governo do País do Sol Nascente afirmou mesmo que não podia ser excluída a “ligação casual” entre as vacinas e os sintomas, assumindo as despesas dos tratamentos de algumas das vítimas.

No entanto o mesmo Governo referiu que entre os 3,39 milhões de mulheres vacinadas, apenas 2 945 apresentaram efeitos secundários, o que representa uma taxa de 0,09 por cento.

Em Macau estão registados 5 tipos de vacinas Gardasil do fabricante norte-americano Merck Sharp & Dohme. Já o produto da empresa belga GlaxoSmithKline, Cervarix, tem apenas um registo.

O PONTO FINAL entrou em contacto com o Governo para perceber se esta situação estava a ser acompanhada, mas até à hora do fecho da edição não foi enviada uma resposta.

Por sua vez, a GlaxoSmithKline afirmou ao PONTO FINAL que a vacina Cervarix é recomendada pela Organização Mundial de Saúde, Federação Internacional de Ginecologia e Obstétrica (FIGO em inglês), Centro de Controlo de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC) e Agência Médica Europeia (EMA).

“A segurança dos pacientes é a primeira prioridade da GSK. Todos estes organismos [OMS, FIGO, CDC e EMA] fizeram investigações independentes sobre a segurança e eficácia da vacinação contra o HPV e concluíram que os benefícios da vacinação são muito superiores aos riscos associados”, explicou o porta-voz da empresa, Paul Hardiman, ao PONTO FINAL.

Sobre a utilização do produto em Macau, a GSK afirmou que “tendo em conta os benefícios e riscos da vacina Cervarix, mantém a confiança de que esta ajuda a prevenir o cancro do colo do útero”.

Já a Merck Sharp & Dohme, através da porta-voz Lainie Keller, afirmou ao PONTO FINAL que “está ansiosa para provar em tribunal” que “a maioria dos argumentos científicos, incluindo exames clínicos aleatórios, não provam as alegações feitas pelas mulheres em causa.”

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