Mãe acusa agente de gozar com filha menor detida por falta de BIR

Julene Goitia Soares acusa as autoridades de terem tratado a sua filha de forma “traumatizante” quando a menor foi enfiada numa carrinha da PSP a chorar. A rapariga, de 13 anos, foi detida na sequência por falta de BIR na sequência de uma operação de rotina conduzida pela Polícia na Rotunda de Ferreira do Amaral.

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João Santos Filipe

Um agente da PSP terá gozado com uma residente menor, de 13 anos, que começou a chorar numa carrinha das Forças de Segurança, após ter sido detida por não ter consigo o Bilhete de Identidade de Residente. A acusação é feita por Julene Goitia Soares, mãe de Ariana Goitia, que afirma igualmente que a Polícia de Segurança Pública não soube proceder de forma a proteger a menor.

O episódio decorreu na Rotunda Ferreira do Amaral, durante a tarde ontem, quando Ariana viajava num autocarro para se encontrar com a mãe, que estava a trabalhar. Numa operação de rotina, a polícia abordou a menor para lhe pedir o BIR, que esta não tinha consigo.

“Uma polícia virou-se para a minha filha e disse-lhe: ‘Passport’. Ela disse que tinha BIR, mas que estava comigo e pediu para me ligar, tudo em inglês. Como eu não atendi, ela ligou ao pai e enquanto começou a falar ao telefone, a polícia pegou no braço dela e colocou-a fora do autocarro, para a meter na carrinha”, contou Julene Goitia Soares, ao PONTO FINAL.

“Nessa altura, a minha filha disse que só tinha 13 anos. Mas eles não quiseram saber e meteram-na na carrinha com outros chineses, que acho que também não tinham BIR nem outros documentos”, explicou.

Após falar com a filha, o pai de Ariana ligou a Julene Soares, que foi ao local com o BIR da filha, que diz guardar consigo por precaução, uma vez que têm medo que os filhos menores percam os seus documentos: “Comecei a perguntar quem é que tinha prendido a minha filha. Depois um polícia disse-me que se eu não me acalmasse que não falava comigo. Respondi-lhe que não conseguia ficar calma depois de ter recebido uma chamada assim”, relata.

“Perguntei o que se passava com a minha filha. Porque é que ela estava na carrinha sempre a chorar e ninguém estava com ela, nem uma agente feminina para lhe fazer companhia, enquanto ela chorava ali sozinha no meio de homens adultos”, complementou. “Fiz a pergunta e eles ainda me disseram: ‘Qual é o problema?’. O polícia de quem tirei foto, que está em pé na carrinha, até gozou com a minha filha. Estava-se a rir porque ela estava a chorar. Para uma criança é traumatizante a maneira como eles tratam as pessoas”, acusa.

Após mostrar a sua identificação e a da filha, Julene Soares pediu ainda aos agentes para se identificarem porque queria apresentar queixa, o que lhe foi negado. A única indicação que recebeu é que tinha de ligar para o Comissariado da Polícia: “Contei tudo o que se passou e eles disseram que iam abrir o processo e que depois me iam dar a resposta”, disse, ao PONTO FINAL.

Julene Soares afiança igualmente que entre os vários agentes da polícia com que contactou nenhum falava português e que a filha se queixou deles não conseguirem perceber bem o seu inglês.

O PONTO FINAL contactou um porta-voz da PSP, que garantiu que as autoridades vão inteirar-se internamente do sucedido. Devido ao adiantado da hora, a porta-voz não confirmou a recepção da queixa de Julene Soares, mas diz que caso esta tenha sido apresentada terá uma resposta dentro de 45 dias.

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