As transições do pincel de Sofia Arez

O momento do dia em que a luz vai desaparecendo para dar lugar à noite que se avizinha serviu de inspiração para uma nova série de trabalhos da pintora portuguesa, radicada no território. Sofia Arez também inclui versos de poetas portugueses nas suas obras. Uma exposição para ver na Creative Macau a partir da próxima quinta-feira.

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“Transient” é a expressão inglesa para transitório, efémero, algo que não dura muito tempo. É também o título da mais recente exposição da pintora Sofia Arez, uma mostra que abre na próxima quinta-feira na galeria Creative Macau, no complexo do Centro Cultural de Macau (CCM). Quem quiser ver, tem apenas um mês para o fazer, uma vez que a exposição, como tudo na vida, também é transitória. Termina no dia 23 de Julho.

São quatro telas de grande dimensão e mais 20 desenhos em papel, pintados a acrílico e com inscrições em português: “Procurei retratar nesta série aquele momento ao fim do dia em que a luz se começa a desvanecer, esse abrandamento do ritmo do entardecer, quando nos entregamos ao abandono, em que nos deixamos ir”, explica a artista, em conversa com o PONTO FINAL.

Apesar de separadas fisicamente, as quatro grandes telas funcionam como um conjunto de leitura contínua. O tempo acaba por ser uma dimensão captada na obra de Sofia Arez, que explora a forma como uma imagem é influenciada pela que lhe precedeu.

 

Pincelada poética

 

Já os 20 desenhos, de menor dimensão, que integram a mostra são agrupados em duas séries de 10. Na primeira, a tinta acrílica azul é aplicada dos dois lados do papel que não fica fixo na parede, convidando o observador a transitar em redor para apreciar frente e verso. O azul capta a dinâmica da água, havendo também alusão às nuvens do céu ao anoitecer e onde aparecem também, em bom português, versos dos poetas Eugénio de Andrade e Tolentino de Mendonça: “Usei o mesmo pincel para pintar as imagens e escrever os textos, que é uma ideia colhida de uma prática comum aqui no Oriente, que eu acho linda”, explica a artista.

Na outra série de 10 desenhos, assumidamente mais abstracta, reina a força do azul escuro, aplicado em camadas densas umas por cima das outras.

Frequentemente associada à melancolia, a redução da luz pode, por outro lado, também ser vista como uma oportunidade para se reconhecer o valor do crepúsculo, o florescer da escuridão num mundo cada vez mais iluminado. A ambiguidade desse momento transitório, em que o dia lentamente vai vestindo o véu da noite, encontra paralelo na forma ambígua como podem também ser lidas as pinturas de Sofia Arez, assumidamente inspiradas na natureza, mas com uma fluidez que as leva a passear pelos caminhos do abstracto.

 

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