Anima recusa-se a estar presente hoje na Assembleia Legislativa e participar em acção de “show off”

 

O presidente da Anima, Albano Martins, defende que é demasiado tarde para a Assembleia Legislativa querer ouvir as associações sobre a proposta de lei de protecção de animais. “Não estamos interessados em participar nessa cerimónia de corte de fitas do novo projecto de lei de protecção de animais cozinhado entre o Governo e a Assembleia Legislativa”, afirmou. Entretanto, entre 26 de Maio e 2 de Junho estão previstas manifestações em diversos pontos da Europa contra a exportação de galgos para Macau.

1.Galgos

Cláudia Aranda

A Anima – Sociedade Protectora dos Animais de Macau declarou ontem que não vai marcar presença hoje, na Assembleia Legislativa (AL),  no encontro convocado pela 1.ª Comissão Permanente do hemiciclo com as associações para tomarem conhecimento do ponto de situação da proposta de “Lei de protecção dos animais”.

Numa carta dirigida a Kwan Tsui Hang, presidente do organismo que analisa o polémico diploma, a Anima afirma poder deduzir das declarações da deputada prestadas à imprensa a 20 de Maio que “está tudo já acordado entre o Governo e a AL”, pelo que não se justifica ouvir as associações agora numa fase em que já não vai ser possível influenciar a discussão no hemiciclo.

“Dificilmente vai haver alterações até Setembro. A própria Kwan Tsui Hang já declarou publicamente que não vai haver mais alterações, portanto só nos estão a colocar perante factos consumados e nós assim preferimos ver o diploma final”, afirmou ao PONTO FINAL o presidente da Anima, Albano Martins, que considera a reunião de hoje uma acção de “show-off”.

A associação manifesta-se ainda “estupefacta” por, nesta fase final do projecto, a AL convocar as associações de protecção de animais “sem lhes possibilitar sequer o último rascunho já acordado com o Governo”: “Pedimos o diploma final e eles recusaram, disseram não, vocês se quiserem vão ver o diploma de 2014”, acrescentou Albano Martins. A questão é que esse diploma de 2014 “foi profundamente alterado nas discussões na especialidade e nós nem sabemos o que é que eles de facto fizeram. Estou convencido de que o documento inicial, que já não era muito bom, tornou-se ainda pior. (…) mas nós não sabemos”, adicionou.

Na última reunião da 1.a Comissão Permanente da AL, realizada a 19 de Maio, com a presença de representantes do Executivo, Kwan Tsui Hang deu a conhecer aos jornalistas alterações discutidas na especialidade da versão da proposta de lei aprovada na generalidade em Outubro de 2014.

No entender da Anima, o Governo deveria ter ouvido as associações assim que avançou para um processo legislativo de elaboração de uma lei de protecção de animais, de maneira a considerar as suas opiniões. Albano Martins acrescenta que a própria AL, assim que recebeu a proposta inicial do Governo, e antes de ter começado a trabalhar, deveria ter ouvido as associações: “Agora, na fase final do processo é que vêm ouvir. Já depois da versão final estar cozinhada entre o Governo e a assembleia vão ouvir as associações. Nós não estamos disponíveis para isso”, prosseguiu Albano Martins.

“Esta é a primeira lei que vai surgir, mas é uma lei feita de uma forma muito pouco democrática, porque não ouviu as associações que trabalham no dia-a-dia com os animais. Na fase final é que nos convidam, para quê? Não vale a pena, porque eles não vão mudar nem mais uma vírgula. Nós, portanto, não estamos interessados em participar nessa cerimónia de corte de fitas do novo projecto de lei cozinhado entre o Governo e a Assembleia”, rematou Albano Martins.

A Anima tem dúvidas sobre se os membros do hemiciclo alguma vez leram as cartas enviadas à Assembleia com as preocupações da associação: “Vimos que em relação ao Canídromo não contemplaram nada porque a senhora [Kwan Tsui Hang] diz claramente aos jornalistas que o Canídromo nunca foi sequer discutido. No meio disto tudo, todas as sugestões que nós fizemos nunca foram discutidas, nunca ouvimos falar se concordavam, se tinham dúvidas”, lamenta o dirigente.

 

Movimento quase mundial contra exportação de galgos

 

Albano Martins vai estar dia 2 de Junho na Irlanda para entregar ao Ministro da Agricultura irlandês, Michael Creed, uma petição com mais de 350 mil assinaturas pedindo às autoridades irlandeses que não permitam a exportação de mais galgos para Macau com o propósito de competirem no Canídromo. Albano Martins ainda não tem a certeza se vai ser recebido pelo governante, mas afirmou ter-lhe sido enviada uma carta dizendo que o Governo irlandês está a estudar a possibilidade.

Entre 26 de Maio e 2 de Junho estão previstas manifestações em diversos pontos da Europa contra a exportação de galgos para a China. Na quinta-feira, prevê-se um protesto em frente ao Consulado-Geral da Irlanda, em Edimburgo, na Escócia. A 28 de Maio está confirmado outro protesto, em Milão. A 2 de Junho esperam-se concentrações contra a exportação de galgos em cidades italianas como Torino, Génova, Como, Pisa, Ferrara, Treviso e Nápoles. Também neste dia está prevista uma manifestação à porta do Ministério da Agricultura irlandês, em Dublin: “O movimento é praticamente mundial”, disse Albano Martins, acrescentado que “o Governo não pode ignorar isso”.

 

 

 

 

 

 

 

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