Malásia deportou jornalistas por perguntas incómodas

Liston Besser e Louie Eroglu interpelaram Najib Razak sobre os milhões alegadamente desviados pelo primeiro-ministro malaio. Ontem, os australianos foram ouvidos num tribunal de Kuching e expulsos do país sob a acusação de obstrução a um funcionário público.

1.Najib Razak

O Governo malaio deportou ontem dois jornalistas da televisão australiana ABC que se encontravam detidos no estado de Sarawak, na olha do Bornéu. Liston Besser e Louie Eroglu receberam ordem de expulsão por terem colocado questões sobre um caso de corrupção que envolve o primeiro-ministro do país, Najib Razak.

Os dois jornalistas compareceram ontem de manhã perante um tribunal em Kuching, cidade onde interpelaram Razak sobre a avultada soma de dinheiro – 681 milhõe de dólares – que terão sido desviados de um fundo estatal e depositados em contas bancárias pertencentes ao primeiro-ministro.

O chefe da polícia do estado de Sarawak, Dev Kumar, afirmou, em comunicado, que a justiça decidiu não imputar Besser e Eroglu, os quais estavam formalmente acusados de obstrução a um funcionário público: “Os documentos da investigação da polícia foram apresentados à procuradoria a 14 de Março. No dia seguinte, a polícia recebeu instruções de que não seriam apresentadas acusações contra os dois”, disse Kumar, citado pelo jornal The Star. “Em vez disso, [os jornalistas] serão deportados”, acrescentou o responsável policial.

Liston Besser furou um cordão de segurança durante a visita que Najib Razak efectuou a Kuching para lhe perguntar sobre os milhões depositados nas suas contas. O incidente ocorreu durante uma deslocação do primeiro-ministro malaio a uma das mesquitas da cidade

Agentes de segurança de Najib Razak rodearam Besser e Eroglu de imediato mas acabaram por soltá-los. Contudo, horas depois, a polícia deteve os dois jornalistas, que foram interrogados durante seis horas e viram os seus passaportes confiscados.

A imprensa internacional revelou em meados do ano passado que Najib tinha recebido nas suas contas bancárias 681 milhões de dólares transferidos pelo fundo estatal de investimento 1Malaysia Development Berhard (1MDB), presidido pelo próprio.

Inicialmente o primeiro-ministro e o 1MDB negaram a transferência. Mais tarde o primeiro-ministro admitiu os milhões nas suas contas privadas, mas atribuiu-os a uma doação da família real saudita. Com 62 anos, Najib ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2009.

Em Janeiro, a procuradoria-geral da Malásia ilibou o governante, após uma investigação de seis meses, de qualquer responsabilidade penal em relação à entrada dos 681 milhões de dólares nas suas contas privadas.

Este mês, uma nova investigação jornalística elevou a quantidade supostamente desviada para mais de mil milhões de dólares.

De acordo com analistas políticos, o escândalo de corrupção abriu uma fissura importante no seio da Organização Nacional da Unidade Malaia, a formação que Najib Razak dirige e que controla a coligação partidária que governa a Malásia desde a sua independência, em 1965.

 

 

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