Conflito inter-étnico na Birmânia já fez milhares de desalojados

 

Milhares de pessoas deixaram tudo para trás, devido ao intensificar dos combates entre as guerrilhas shan e ta’ang. Os deslocados internos estão alojados em 17 estruturas provisórias na região de Kyuakme.

1.Myanmar
High School and University students receive drill instructions during a 45 day KIA run basic military training program in Laiza, Kachin Independence Army (KIA) controlled territory of Kachin State, Burma on 10th November 2014.

Milhares de pessoas estão alojadas em campos de refugiados no leste da Birmânia, deslocadas pelos confrontos que nas últimas semanas colocaram frente-a-frente as guerrilhas de dois grupos étnicos, adiantam os meios de comunicação social do país.

As hostilidades entre o Exército do Estado Shan-Sul, da etnia Shan, e o Exército de Libertação Nacional Ta’aang, da etnia homónima, prosseguem no Estado Shan, apesar de na semana passada representantes do Parlamento birmanês terem exigido acções urgentes tendo em vista a assinatura de um cessar-fogo.

As duas guerrilhas enfrentam-se desde Novembreo e retomaram este mês os combates. O conflito obrigaram cerca de 4000 mil pessoas a refugiarem-se em 17 acampamentos no município de Kyaukme.

O Exército de Libertação Nacional Ta’aang é um dos cinco grupos armados de minorias étnicas que não subscreveu qualquer cessar-fogo com o Governo e mantém, há um ano, diversos confrontos com as formas leais ao Executivo de Naypidaw.

De acordo com as guerrilhas Ta’ang, o exército contou nas suas ofensivas com o apoio dos Shan, cuja guerrilha – que foi uma das oito que em Outubro último firmou um cessar-fogo de âmbito nacional com o Governo – nega essa acusação.

Do armistício assinado no ano passado demarcar-se outras seis organizações que, contudo, dispõem de um acordo de cessar-fogo bilateral com o Governo.

Uma maior autonomia é a principal reivindicação de quase todas as minorias étnicas – incluindo a shan, a karen, a rakhine, a mon, a chin, a kayah, a kokang e a kachin – as quais representam, no total, mais de 30 por cento dos mais de 51 milhões de habitantes da Birmânia.

Depois de 49 anos governada por generais, a Birmânia conheceu um Governo civil, que herdou o poder da extinta junta militar em 2011, o qual encetou um processo de reformas políticas, económicas e sociais que inclui a paz com as minorias étnicas.

O país prepara-se para uma transição do poder para o movimento democrático liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, líder da Liga Nacional para a Democracia. O partido impô-se nas eleições de 8 de Novembro último.

 

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