Novo bispo promete aprender português para abraçar todas as comunidades

 

Stephen Lee tomou posse no sábado dos destinos da diocese de Macau. O novo epíscopo do território proferiu um curto discurso em português e revelou que já começou a aprender a língua com o propósito de chegar a todas as comunidades.

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O novo responsável pela diocese de Macau, Stephen Lee Bun-sang, tomou no sábado posse como novo bispo do território, numa cerimónia na Sé Catedral em que expressou “respeito pela cultura portuguesa, tradição e costumes de Macau”.

Stephen Lee – que desempenhava até agora o papel de bispo auxiliar de Hong Kong – é o primeiro epíscopo de Macau que não domina o português, sendo antes fluente em chinês, inglês e espanhol. Tendo em consideração as características da congregação – a que pertencem algumas centenas de fiéis lusófonos – Lee proferiu um curto discurso em língua portuguesa, numa cerimónia que decorreu maioritariamente em chinês, com traduções também em inglês.

“Gostaria de dizer algumas palavras em português. Desculpem os meus erros de pronúncia, aprendi a língua apenas há alguns dias atrás. Tento aprender a língua para mostrar que amo as pessoas que falam português e gostaria de continuar a ir ao encontro de todos. Respeito a cultura portuguesa, a tradição e costumes de Macau. Agradeço a vossa presença aqui”, disse Stephen Lee, na Sé, que se apresentava cheia. Os católicos do território não se deixaram intimidar pelas baixas temperaturas e fizeram questão de marcar presença de entronização do novo responsável pela diocese local.

Após ser empossado, Stephen Lee cumprimentou os fiéis, incluindo o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, e alguns deputados. Os fiéis formaram, então, uma fila para comungar com o novo líder, junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima, sob a mensagem “Rainha do Mundo, Mãe de Portugal, Amparai Macau”.

No final da cerimónia, Stephen Lee manifestou-se “muito comovido com os sentimentos que as pessoas demonstraram, o apoio, as orações”: “[São] sentimentos de muita devoção, estou muito feliz de estar aqui”, disse.

Questionado sobre o seu esforço para comunicar o português, Lee disse ter começado agora a aprender a língua: “Comecei ontem apenas. A tradição é muito forte aqui e acho que é simpático aprender para chegar a todos”, justificou.

Para a sua missão em Macau, o novo bispo destacou a importância de “unir, procurar santidade e propagar a fé a mais pessoas, porque há muito poucos católicos aqui”.

Quanto aos seus novos fiéis, considerou-os “muito devotos e muitos carinhosos”.

Sobre o papel de Macau – o berço do catolicismo na Ásia Oriental – na relação entre a Igreja e a República Popular da China, Lee foi parco em palavras, dizendo apenas que “é difícil”. “A minha atenção vai para a diocese de Macau, acho que é isso que o Santo Padre quer”, rematou.

O dia da tomada de posse do novo bispo coincidiu com o aniversário da Diocese, que celebra 440 anos de existência, sendo a primeira diocese do Extremo Oriente da era moderna ainda em funcionamento. O primeiro episcopado na China foi a Arquidiocese de Pequim, erguida em 1307, seguida da diocese de Quanzhou, mas ambas desapareceram ao fim de pouco tempo.

Sobre os 440 anos da diocese de Macau, o agora bispo emérito, D. José Lai – que deixou o cargo por motivos de saúde – lembrou a intenção do Papa Gregório XIII, seu fundador: “Queria que esta diocese fosse uma plataforma para o intercâmbio cultural e académico entre Oriente e Ocidente. Além disso, a diocese tem uma missão de evangelizar estes povos desta terra do extremo Oriente”.

A comunidade católica de Macau abrange cerca de 30 mil crentes num universo de pouco mais de 600 mil pessoas. Além de portugueses, macaenses e chineses, conta também com membros da comunidade filipina, entre outros.

Na sexta-feira, após um encontro com D. Stephen Lee, o chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, comprometeu-se a “respeitar a liberdade de crença religiosa”, bem como a “manter a cooperação com a diocese no sentido de, com mútuo apoio, continuar a servir a população local”.

 

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