Os filmes que mostram a Macau que resistem à passagem do tempo

O realizador António Caetano Faria documentou algumas das profissões e lojas mais antigas de Macau. Os filmes vão passar às quarta-feiras nos três canais da TDM, às 21h. O primeiro episódio já está disponível na Internet. O objectivo é ver e partilhar histórias e memórias que ajudaram a moldar a identidade de Macau.

Cláudia Aranda

 

“Resistentes – Retratos de Macau” é uma série de 10 episódios, a preto e branco, com a duração de cinco minutos cada, sobre profissões e misteres antigas que estão em risco de desaparecer em Macau. A série tenciona “dar voz” às pessoas que constituem a “identidade do território”, explicou ao PONTO FINAL o realizador António Caetano Faria.

O realizador passou os últimos “sete ou oito meses” a filmar aqueles que “resistiram” à passagem do tempo, à evolução da tecnologia, ao abandono e desertificação das casas e pátios das zonas antigas e características de Macau. Foi “a necessidade de eternizar momentos e memórias que hoje em dia se estão a perder” que levou António Caetano Faria a pôr em prática um projecto que já tinha em mente há muito tempo.

Na quarta-feira passada foi exibido nos três canais da TDM o primeiro destes 10 episódios, legendados em português, inglês e chinês. O primeiro é dedicado à sapataria Wong Lam Kei, aberta desde 1946, e ao senhor Deng Tiencheng, de 86 anos, e sua mulher, no ofício há 69 anos. A câmara de filmar entra na intimidade da loja e da oficina mostrando o senhor Tiencheng que corta e cose mais um par de sapatos. No filme, o sapateiro conta que começou o ofício aos 20 anos e criou quatro filhos calçando os polícias de Macau que ali iam comprar calçado feito por encomenda. A música da banda sonora é da Orquestra Chinesa de Macau e assim é em todos os episódios.

O realizador explica que tem pelo menos 30 profissões identificadas. Para já, apenas foi possível produzir estas 10 histórias. Há histórias de pescadores, de vendedores de antiguidades e de mobílias e muitas mais. O objectivo é continuar esta série e “filmar mais 50, 100 pessoas e lojas”, porque “daqui a 100 anos não estaremos cá”. Mas, fica o documento, que no futuro vai adquirir um valor inestimável, porque as pessoas e as profissões “vão mudar” e a cidade acabará, também, por se transformar.

O primeiro filme da série, relativo à loja Wong Lam Kei, já foi disponibilizado para visualização na página de Facebook da produtora Locanda Films. Os restantes episódios vão ser exibidos em três canais da Teledifusão de Macau, nas três línguas, em cada quarta-feira, ao longo das próximas nove semanas, pelas 21h. De seguida, também serão colocados na Internet, para visualização gratuita.

Este é um produto “necessário a Macau”, diz António Caetano Faria que deseja que os filmes sejam vistos e partilhados através das redes sociais, para mostrar a cultura de Macau. “Este é um projecto cultural, sem fins lucrativos”, que se tornou possível com o auxílio financeiro da Fundação Macau e do Instituto Cultural e o apoio material da Casa de Portugal, explica o realizador.

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