O filme que conta a história de Macau no tempo de Matteo Ricci

WuLi_Stills_09 (1)A longa-metragem “As Crónicas de Wu Li no Colégio de S. Paulo” vai ter a sua estreia oficial sexta-feira, 27 de Novembro, às 20h, no cinema UA Galaxy. A produção, que recria Macau nos séculos XVI e XVII, vai ser posteriormente exibida nos vários canais da TDM.

Cláudia Aranda

 

Ao fim de cerca de ano e meio de pesquisa e de outros dois de filmagens, o filme-documentário “As Crónicas de Wu Li no Colégio de S. Paulo”, com argumento, produção e realização da dupla Silvie Lai e James Jacinto, vai ter a sua estreia, sexta-feira, 27 de Novembro, às 20h, no cinema UA Galaxy.

“A ideia surgiu há cinco anos, a autora Silvie Lai pensava fazer um documentário sobre as ruínas de S. Paulo e, na altura, achámos o tema bastante difícil”, explicou o produtor e realizador James Jacinto, ontem, em conferência de imprensa. No processo de pesquisa, “surgiu a ideia de utilizar um personagem histórico para estabelecer o elo”, prosseguiu Jacinto.

O enredo desenvolve-se através da leitura na primeira pessoa dos poemas e narrativas do pintor e poeta chinês Wu Li durante a sua permanência em Macau, no Colégio de S. Paulo. A produção, que teve início em 2011, incluiu filmagens em Macau, Hong Kong, Pequim e Portugal, e envolveu perto de 50 actores e figurantes trajados à época, recriando o ambiente multicultural de Macau nos séculos XVI e XVII. Em Pequim, as filmagens incluíram cenas junto à campa de Matteo Ricci, enquanto em Portugal, a Igreja de São Gonçalo de Amarante é um dos cenários. O resultado é uma produção “quase 100 por cento de Macau”, dizem os promotores, uma vez que os profissionais envolvidos, desde a equipa de filmagem e produção, actores, passando por grande parte da equipa de adereços e guarda-roupa compositores e intérpretes das músicas, são residentes de Macau.

WuLi_Stills_03 (2)Os actores são na sua maioria amadores, com profissões diversas. “O recrutamento foi um bocado complicado na altura”, admitiu Jacinto. “Foi através dos amigos, do Facebook, de todos os meios possíveis e impossíveis que encontrámos estes actores”, acrescentou o produtor para quem o maior desafio foi fazer a reconstituição de época e “trabalhar com os cavalos”.

Wu Chong Wai, que representa o poeta Wu Li, não tinha experiência de equitação, e uma das primeiras cenas do filme é, precisamente, a chegada a cavalo de Wu Li a Macau. Wu Chong Wai, professor e membro da Associação Teatral Hiu Kok, é talvez o actor mais experiente do grupo, e revelou que, apesar de tudo, o mais desafiante foi contracenar com pessoas que falavam em línguas diferentes.

Tiago Quadros, arquitecto, confessou que esta foi a sua primeira experiência enquanto actor. Quadros veste o papel do jesuíta Alessandro Valignano, que desempenhou uma função bastante relevante na época: foi o fundador do Colégio de São Paulo, em 1594, e é um dos missionários envolvidos na introdução do catolicismo no Oriente. “A sua passagem por aqui é de uma enorme importância e relevância”, afirmou Quadros, que fez questão de sublinhar a importância destes projectos históricos. “Num lugar como Macau, com um crescimento enorme, estes projectos são muito importantes porque são a forma de reproduzir e fixar memória”, disse, acrescentando que é um pouco nisso que consiste este projecto: “Procurar trabalhar sobre esta memória que é uma das partes mais importantes da história de Macau”.

WuLi_Stills_21João Pedro Góis, no papel do padre Philipe Couplet, afirmou ter retirado desta participação no filme sobretudo a “experiência multicultural e internacional”. “Os participantes no filme são pessoas de diversas origens, o filme retrata o cruzamento na história de culturas, as referências históricas e culturais e, à semalhança do que aconteceu há cinco décadas, através desta experiência de recriar essa história sob a forma de filme, estamos novamente a reproduzir aquilo que é Macau, que é um ponto de cruzamento de culturas e que pode ter um papel pedagógico em termos de mostrar tolerância e respeito pela divresidade”, afirmou.

Chon Hin Wai, com experiência de actuação no Grupo de Teatro Dóci Papiaçám di Macau, representa o académico chinês Xu Guangqi, e destacou o momento em que contracena com Nuno Gomes, no papel de Matteo Ricci. Chon Hin Wai sublinhou igualmente a importância do “intercâmbio cultural” vivido na época e agora transposto para os nosso dias através da recriação de época.

As ruínas de S. Paulo, hoje símbolo de Macau, são aquilo que resta da antiga Igreja da Madre de Deus (construída em 1565) e do Colégio de S. Paulo, a primeira instituição universitária de tipo ocidental na Ásia Oriental, ambas obra da Companhia de Jesus e destruídas em 1835 num incêndio.

Depois da estreia, que os promotores prevêem ter lotação esgotada, o filme, produzido nas versões narradas em português, inglês, mandarim e cantonense, será transmitido nos canais televisivos da TDM.

 

 

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