“Em Macau é fulcral ser-se o mais exacto possível”

JAKARTA, INDONESIA - APRIL 27: Anirban Lahiri of India celebrating his victory during round four of the CIMB Niaga Indonesian Masters at Royale Jakarta Golf Club on April 27, 2014 in Jakarta, Indonesia. (Photo by Khalid Redza/Asian Tour/Asian Tour via Getty Images)

Há um ano, Anirban Lahiri surpreendeu tudo e todos ao conquistar – com uma pancada de vantagem sobre o australiano Scott Hend – a edição de 2014 do Macao Open. O triunfo com 17 pancadas abaixo do par catapultou o golfista indiano, de 28 anos, para uma época em cheio. O 39.o posicionado da tabela da Associação dos Golfistas Profissionais regressa ao green de Coloane um ano depois com o objectivo de revalidar o título, mas admite que a tarefa não se afigura fácil e que a prova do território pode pautar o fim de um ciclo. Lahiri – que lidera a Ordem de Mérito do Circuito Asiático – deu sequência ao sucesso obtido em Macau com a vitória no Maybank Malaysian Open e no Hero Indian Open, mas nos últimos meses os bons resultados tardam a aparecer. No fim-de-semana, o atleta indiano assinou uma performance desastrosa na Coreia do Sul, na edição de 2015 da Presidents Cup. Numa entrevista exclusiva ao PONTO FINAL, Anirban Lahiri fala das expectativas para a mais cotada competiçãos organizada na RAEM, dos desafios em termos de carreira e das dificuldades que poderá ter pela frente no campo do Macau Golf and Country Club. A 17.a edição do Macao Open arrancou esta manhã e prolonga-se até domingo.

Marco Carvalho

PONTO FINAL – Chega a Macau com a responsabilidade de defender o triunfo que alcançou no green de Coloane. Num desporto como o golfe nunca é fácil assegurar a revalidação de um título …
A.L. – Tem razão. Nunca é fácil …

Ainda assim, mental e fisicamente sente-se preparado para o desafio que tem pela frente até domingo?
A.L. – Sim. Devo dizer que gosto muito de jogar neste campo de golfe. Creio que o primeiro torneio do Circuito Asiático em que assinei uma boa performance e em que dei nas vistas foi aqui em Macau. Se não estou em erro foi em 2008, era eu um caloiro nestas andanças. Ainda assim, quando cheguei a sábado e ao penúltimo round no grupo que liderava o torneio. Foi para mim uma experiência de aprendizagem incrível. Desde então que é um grande prazer para mim voltar a Macau e jogar neste campo de golfe. Nos dois últimos anos obtive aqui bons resultados. Em 2013, terminei na segunda posição, atrás do Scott Hend e no ano passado, protagonizámos uma grande batalha no domingo. É um lugar onde, obviamente, gosto de jogar. Gosto de regressar e de jogar em Coloane. É um relvado estreito. Não é muito alongado, mas é um campo muito apertado e eu gosto de jogar em campos com estas características. Alcancei bons resultados no green do Deli Golf Club, na Índia, que é também um campo estreito. Gosto de aqui jogar. Sinto que o jogo e a vitória estão ao meu alcance. Só preciso de estar concentrado e de concretizar uma série de birdies mal o torneio comece.

A 17.a edição do Macao Open pauta, de uma ou de outra forma, o fim de um ciclo? A vitória na última edição do torneio catapultou-o para um ano em cheio. Um triunfo este ano pode pautar a tacada inicial num ciclo ainda mais dourado?
A.L. – Creio que sim. Este torneio é, obviamente, um dos maiores eventos do calendário asiático e, como sabe, estou a tentar entrar na Ordem de Mérito este ano. O Macao Open é, por isso, um torneio em que eu tenho necessariamente de obter uma boa prestação e há medida que nos aproximámos do fim do ano é claro que tenho interesse em melhorar, se possível significativamente, a minha posição no ranking, de forma a poder entrar no top-30, no top-25 ou mesmo no top-20. Esta prova, em Macau, é para mim uma grande oportunidade. Esta é uma boa semana para tentar os objectivos a que me proponho e o contingente que disputa a competição é bastante competitivo. Para além de mim, também disputam a prova o Thongchai [Jaidee] e o Kiradech [Aphinbarnrat]. Estamos os três no top-50. Depois há também o Ernie Els e o Scott Hend. É uma grande oportunidade. Como dizia, o último ano foi fantástico a todos os níveis para mim e neste momento estou à procura de novos desafios, sejam eles o PGA Tour, os “Majors” ou o Campeonato do Mundo de Golfe. É neles que estou concentrado. É, obviamente, importante vir a Macau alcançar um bom resultado e, com um bocadinho de sorte, talvez vencer.

Na conferência de imprensa de apresentação desta edição do Macao Open, Scott Hend defendia que o torneio é um trampolim e uma janela aberta para competições de outra nomeada. Concorda?
A.L. – Sim. É engraçado, porque nunca há verdadeiramente uma má altura para ganhar, mas há alguns triunfos e alguns certames que funcionam, de certa forma, como catalisadores de confiança devido à altura em que ocorrem. No golfe, ou se vence muito cedo, no início da época, ou se chega ao fim da temporada e se consegue um impulso que faça com que possamos manter em alta a confiança para a época que se segue. É algo muito importante e este torneio tem uma importância fulcral nesse sentido, porque há muita gente a tentar chegar ao top-10 para poder disputar o CIMB Classic, que se disputa daqui a duas semanas ou então ao top-4 para participar no Campeonato do Mundo de Golfe, daqui a três semanas. Este torneio sempre foi um certame importante nesse sentido. Por outro lado, o Macao Open é o evento de grande nomeada que pauta o arranque da segunda metade do Asian Tour, os últimos cinco ou seis ou oito eventos – que são também os maiores – do circuito asiático. Estas provas que definem o desenlace de todo uma temporada. Para um golfista asiático, jogar aqui, jogar em Hong Kong e jogar na Malásia é participar nos três maiores eventos do ano. Este é o maior dos torneios verdadeiramente significativos. Começar bem em Macau poderá ser meio caminho andado para uma grande temporada.

Quem serão os seus maiores adversários a partir de hoje no green de Coloane?
A. L. – Este Macao Open reúne uma série de bons jogadores. O contingente que vai disputar a prova é forte e competitivo. Há muitos atletas que estiveram envolvidos nas principais provas do Circuito Asiático e que fazem questão de marcar presença em Macau. Por outro lado, há bastantes atletas jovens que têm alcançado boas prestações e bons resultados e depois há as referências de sempre, como o Ernie [Els] o Scott [Hend], que estão obviamente a jogar bem, porque nunca jogaram mal. Depois há o Thongchai [Jaidee] e o Kiradech [Aphinbarnrat], que estão em grande forma. O Kiradech tem vindo ao longo dos últimos meses a jogar de forma fenomenal e creio que será um candidato sério à vitória no domingo. Este é o tipo de torneio e o tipo de relvado em que se alguém conseguir uma boa vantagem, só tem de se manter concentrado e de conseguir converter uma série de birdies para se manter entre os da frente. Parece-me que Macau é o tipo de local que deixa tudo em aberto. Se a semana começar a correr bem, é bem possível a qualquer um triunfar no domingo.

Quando se fala do green do Macau Golf and Country Club toda a gente fala necessariamente do vento que quase sempre se faz sentir e do tamanho do campo. Os principais desafios de se competir num relvado como este? Conhece bastante bem as contingências do relvado do território. Quais são as grandes contingências inerentes a um local com estas características?
A. L. – É fulcral e absolutamente necessário ser-se o mais exacto possível, especialmente quando o vento, como dizia, se faz sentir. Como dizia, o campo não é muito grande, mas os desafios são vários e em várias perspectivas, sobretudo nos nove últimos buracos. É absolutamente necessário gerir muito bem o campo e compreender que o facto do relvado ser pequeno e estar pontuado por bastantes elevações, há certas posições que exigem uma abordagem mais conservadora e outras em que é necessário atacar . O campo do Macau Golf and Country Club é, sobretudo, um campo muito estratégico. É absolutamente essencial abordar o torneio com uma boa estratégia e ser capaz de a executar. Não se pode ter uma boa estratégia e depois ser-se incapaz de acertar com as tacadas. Por outro lado, também é possível fazer-se um bom jogo em termos técnicos e não garantir um bom resultado se não tivermos uma boa estratégia delineada. O segredo para vencer, parece-me, é uma combinação entre pensar bem e jogar bem. Em alguns campos, basta bater bem as bolas para conseguir garantir birdies. Esse não é necessariamente o caso em Macau . Talvez seja necessário visar para além do buraco para conseguir alguma coisa ou, por outro lado, saber em que buracos se pode e deve apostar. É esta tipo de subtilezas que fazem com que um campo como este se torne verdadeiramente interessante para mim, porque é a prova de que há formas muito distintas de jogar e de encarar o golfe.

Está confiante, ainda assim?
A. L. – Absolutamente. Não tenha dúvida nenhuma. Estou a retirar uma enorme satisfação da forma como estou a jogar e espero que a partir de hoje possa reproduzir a boa forma que me levou à vitória.

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