Macau, uma odisseia pessoal

Aportou a Macau há cinco anos e a efeméride deu o mote ao seu primeiro livro a título individual. O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta na quinta-feira, no Consulado Geral de Portugal, “Macau 5.0”. A obra, que se faz acompanhar por uma exposição homónima, propõe uma viagem visual – em pouco mais de trezentas fotos – pelo quotidiano do território ao longo dos últimos cinco anos. Uma viagem que é sobretudo um relato de vivências pessoais com a RAEM como principal protagonista.

Marco Carvalho

– Cinco anos em Macau e um projecto para assinalar a data. Um projecto com um cariz especial porque é o seu primeiro livro de fotografia a título individual …

GLP: Exactamente. É o meu primeiro livro de fotografia a título individual, embora eu já tenha participado em alguns projectos de natureza colectiva, até mesmo aqui em Macau, relacionado com a participação nos Jogos Paralímpicos. O objectivo, como referia, é assinalar cinco anos de Macau: cheguei a Macau a 10 de Setembro de 2010 e o livro e a exposição serão lançados quinta-feira, 10 de Setembro de 2015, exactamente cinco anos depois. Ao mesmo tempo, comemoro também este ano cinco anos de carreira fotojornalística e, portanto, decidi juntar o útil e o agradável e comemorar ambas as efemérides. As duas nuances dão o mote ao livro. É um projecto que eu vinha alimentando já há algum tempo, mas nunca tive grande tempo disponível para o preparar, para selecionar fotos. Por outro lado, cinco anos parece-me um período de tempo suficiente para construir uma visão abrangente de Macau. Dois anos se calhar é pouco tempo, três anos também não será suficiente. Ao fim de cinco anos já disponho de um número suficiente de fotografias para poder construir uma narrativa daquilo que é a minha visão pessoal de Macau …

– Nesse sentido, o que se pode esperar desde Macau 5.0? É apenas um retrato de Macau? Ou engloba também um bocadinho da tua própria experiência ao longo dos últimos cinco anos no continente asiático?

GLP: O Macau 5.0 é um projecto relativo apenas a Macau. O que é que posso dizer em relação a este trabalho? Ao fim e ao cabo, acaba por ser um retrato da minha visão de Macau ao longo dos últimos cinco anos. Dentro do universo dos livros de fotografia há vários tipos de livro. Este não é, nem tem pretensões de ser um livro artístico. É mais um registo, em formato de álbum, daquilo que foi a minha vivência em Macau ao longo dos últimos cinco anos de um ponto de vista mais fotojornalístico do que propriamente artístico. Não é que não haja fotos com um pendor mais artístico, mas a maioria das fotos foram feitas para serem publicadas na imprensa: em jornais, revistas e em formatos de comunicação social e não propriamente para fazer uma exposição mais artística. São conceitos diferentes. O livro é mais um álbum do que outra coisa qualquer. E é um álbum que tem Macau como fio condutor. O fio condutor não é o património, não é a figura humana. O fio condutor é Macau e todas as especificidades que captaram a minha atenção enquanto fotógrafo ao longo dos últimos cinco anos.

– São fotos inéditas? Ou são trabalhos que já foram publicados?

GLP: Algumas já foram publicadas na imprensa. Há algumas inéditas, que nunca foram publicadas em lado nenhum e nunca as mostrei e há outras que nunca foram publicadas em formatos de imprensa, mas que acabei por divulgar em formato digital, através, por exemplo, das redes sociais. O livro é composto por trezentas e poucas fotos e eu escolhi cinquenta, que por uma outra razão considero mais apelativas, para figurarem na exposição.

– O projecto tem uma outra característica particular. Inicialmente, o Gonçalo Lobo Pinheiro procurou recorrer a um artifício que ainda está pouco divulgado em Macau, o crowdfunding…

GLP: Eu parti do zero, como sucede com quase todos os projectos. O público foi colocado ao corrente do projecto, digamos assim, em Fevereiro ou Março deste ano e na altura foram muitos os que me perguntaram porque razão estava a anunciar o lançamento do livro e a exposição com tanto tempo de antecedência. O crowdfunding foi uma das razões pelas quais eu decidi avançar com a iniciativa o quanto antes. Tinha a noção de que não seria fácil recolher apoios e patrocinadores. Em Macau, como se sabe, há uma certa facilidade em se ter dinheiro para isto e para aquilo, mas eu tive desde cedo a sensação que não seria fácil garantir o dinheiro necessário para avançar com o projecto e comecei, por isso, a publicitar a iniciativa muito cedo, numa altura em que não tinha sequer fotos escolhidas. Tinha apenas uma ideia, um esquiço daquilo que poderia vir a ser o livro. Ao início, quando comecei a contactar eventuais patrocinadores, vi que a coisa não ia ser muito fácil e comecei a recolher alguns apoios extras, de pessoas ou de organizações a título individual, através do crowdfunding. Como não existem ainda ferramentas destas em Macau – existe uma em Hong Kong, mas que não tem ainda grande visibilidade – decidi avançar com o processo através de Portugal, onde obtive um apoio que podemos caracterizar como interessante, à volta de três mil euros ou cerca de 30 mil patacas, que acabou por ser o ponto de partida de todo este projecto. Tive a sorte de juntar a este financiamento alguns apoios da Fundação Macau e do BNU. Tive, ainda assim, de colocar algum dinheiro do meu bolso, porque todo este projecto é um projecto oneroso. Um livro de fotografia é caro e a iniciativa vai além do livro, uma vez que abarca também a exposição e eu vi-me obrigado, de certa, forma a colocar também dinheiro do meu bolso. Mas sim, o crowdfunding funcionou bem. Acabei por vender alguns livros, por ter pessoas a fazer reservas desses livros e foi um processo que acabou por correr relativamente bem.

– Falamos de uma edição com quantos exemplares?

GLP: Falamos de uma edição de 1000 exemplares, numerada e autografada. Passei por alguns revezes durante todo o processo, porque o meu objectivo inicial era o de avançar com uma edição com 1979 cópias a cores. E 1979 porquê? Porque é o ano do meu nascimento. Um livro a cores de fotografia é algo muito caro e que coloca outro tipo de desafios do ponto de vista da impressão. Confrontado com esta questão, decidi avançar para uma edição com 500 cópias a preto e branco e para um projecto, que apesar de oneroso, se encaixava bem nas minhas expectativas. À última da hora tive um patrocínio extra que me permitiu avançar para os 1000 exemplares, que é a versão final, digamos assim, do projecto. O livro já está a ser impresso na Wellfare. São 1000 cópias a preto e branco, o livro tem 150 páginas, mais coisa menos coisa. São 314 fotos, para ser mais específico e o livro, como dizia, é numerado e autografado.

– Dessas 314 fotografias, há alguma que tenha sido propositadamente produzida para a mostra e para o livro?

GLP: Não. Nenhuma das fotos foi concebida para figurar exclusivamente no livro. Algumas fotos foram feitas mais recentemente, numa última leva de trabalhos que foram feitos quando me encontrava já a paginar o livro. Fiz essas fotos no âmbito de alguns trabalhos e acabei por fazer algumas fotos extra e uns ensaios com uma máquina nova que adquiri há pouco tempo. Essas fotos, que datam de Junho ou Julho, foram as últimas que fiz e há quatro ou cinco que são incluídas no livro, mas que não foram feitas especificamente para o livro. São fotos que nunca foram expostas ou publicadas em lado nenhum, mas que não foram concebidas em exclusivo para figurar no livro. Gostei das fotos e decidi incluí-las. Como referia, o projecto não tem um fio condutor uniforme. O livro parte das fotografias que eu produzi ao longo dos últimos cinco anos. Não andei a fotografar para dar forma a um projecto que tenha sido concebido com uma intenção particular. Trata-se de um álbum e não de um livro sobre uma temática específica, cconcebido e projectado como tal.

– A exposição vai estar patente ao público durante um mês, num espaço que é, por natureza, um espaço de convergência para a comunidade portuguesa. Pode ser um bom impulso para que mais pessoas em Macau conheçam o seu trabalho, sobretudo porque é um espaço a que recorre também a comunidade chinesa com nacionalidade portuguesa?

GLP: Essa foi outra das questões com as quais me vi, de certa forma, confrontado. Quando andei a pesquisar espaços e a fazer contactos nesse sentido, houve pessoas que não mostraram interesse, outras que pura e simplesmente não me responderam e outras que mostraram um interesse limitado. O Consulado, de facto, nesse sentido foi inexcedível. Através do cônsul, Vítor Sereno, demonstrou logo de início interesse em receber a exposição. Falou-se da residência consular e falou-se do Consulado, mas chegou-se à conclusão de que o Consulado poderia ser a escolha ideal, uma vez que recebe muito mais gente e está numa zona bem mais central do que a residência e, como tal, espero que as dezenas ou centenas de pessoas que ali acorrem possam ter interesse em ver a exposição. Espero que gostem e que a mostra possa ser um sucesso. Não sou hipócrita e reconheço que o local que recebe a exposição tem a palavra a dizer no que diz respeito ao sucesso da iniciativa.

– O lançamento de um livro em nome individual é o ponto alto da carreira de um fotojornalista? Os livros de fotografia estão na moda. No seu caso, como dizia, o livro foi um projecto caro, porque a edição é de autor. O lançamento do livro é de algum modo uma espécie de consagração?

GLP: Gostaria, acima de tudo, de deixar algo claro: desde que comecei a minha carreira, há quinze anos, em Portugal, que estabeleci para comigo mesmo que o meu primeiro livro a título individual seria uma edição de autor, custasse o que custasse. Daqui para a frente, se tudo correr bem e se alguém tiver interesse poderei publicar sob a chancela de alguém. Mas o meu primeiro livro, sempre fiz questão que fosse uma edição de autor; neste sentido, é um sonho tornado realidade poder ver este projecto chegar a bom porto. O lançamento de um livro é sempre um passo ambicionado. Um fotógrafo, seja ele de que área for, ambiciona sempre publicar um livro ou dois ou mostrar o seu trabalho através de livros. No meu caso pessoal, foi sempre algo que eu ambicionei e é um passo à frente. É um passo à frente porque a partir do momento em que um fotógrafo consegue publicar e mostrar ao mundo o seu trabalho através de um veículo que é o livro está a celebrar um avanço na carreira: mostra que não está estagnado, que não está parado. Independentemente do local onde se esteja – em Portugal ou em Macau – é sempre um avanço. Com alguns contactos que tenho em Portugal, também tenciono dar a conhecer o livro lá e isso também pode ser bom para mim e para o meu trabalho.

– Já há predisposição suficiente por parte das editoras para produzir este tipo de conteúdos? Ou ainda não?

GLP: Pela experiência que tenho, editar livros de fotografia – seja aqui, seja em Portugal ou seja nos Estados Unidos, onde tenho feito alguns contactos – não é fácil. Um livro de fotografia é um produto caro. Exige um papel especial e é um livro onde a cor ou, na pior das hipóteses, as imagens a preto e branco são um elemento prevalecente. Há um sem número de características que tornam a edição de um livro de fotografia sempre mais caro do que é habitual, começando logo pela questão do papel. Para um livro de poesia, de contos, para um romance pode-se perfeitamente recorrer a qualquer tipo de papel: papel normal ou até mesmo reciclado. Os livros de fotografia são diferentes: requere outro tipo de papel, outro tipo de acabamentos e outro tipo de preocupações que acabam por contribuir para o encarecimento da obra. E depois há os formatos. Um livro de poesia pode perfeitamente ser um livro de bolso, mas um livro de fotografia, a priori, é um livro de grande formato que permite que as fotos respirem. Eu acho que este aspecto é o maior entrave a que as editoras invistam mais na publicação de livros de fotografia. Dito isto, o que não falta por esse mundo fora é editoras que se dedicam à edição de livros de fotografia e de artes. Agora, em Portugal, por exemplo não é um processo fácil. A determinado momento tive a ambição de editar um livro de fotografia em Portugal – o projecto permanece na gaveta e não sei se sairá ou não – mas a resposta das editoras era sempre a mesma: tinham interesse, mas só publicavam se eu avançasse com o dinheiro. É um processo muito oneroso. Em Macau ainda se consegue obter valores de impressão mais simpáticos, mas em Portugal não. Em Portugal a impressão é cara, a distribuição é cara. Quase que não compensa avançar para a publicação de um livro de fotografia se não se conseguir mobilizar alguns apoios.

– O mote para este primeiro livro a título individual é Macau. A cidade é uma cidade fotogénica? É uma cidade aliciante, dada a revelações? Ou o eventual fascínio é uma linguagem que se constrói?

GLP: Acho que sim. Macau é uma cidade dada a descobertas constantes. Mesmo tendo vivido a maior parte da minha vida na Europa e estando habituado a outra luz, a outra realidade e a outras vivências, eu acho que Macau é uma cidade muito interessante em termos fotográficos. Não me refiro apenas à parte antiga e à envolvente histórica. O dia-a-dia das pessoas oferece a um fotógrafo motivos de sobra para se enredar pela cidade. Já cá estou há cinco anos e já passei por aqueles dois, três anos iniciais de deslumbramento. Tudo isto era novo para mim e eu acho que isso também é importante porque nos oferece a possibilidade de olharmos para as coisas pela primeira vez, de as fotografarmos quase como se a fotografia fosse a resposta natural ao fascínio e a um certo ritual de encantamento. Depois há aspectos que não aparecem na fotografia mas que ajudam a compor esse encantamento, como os cheiros e até o paladar dos pratos, que ajudaram a orquestrar a imagem que tenho de Macau e que acabaram por influenciar as fotografias que fui tirando ao longo destes cinco anos. É óbvio que a minha forma de fotografar Macau é muito diferente da forma como fotografo a cidade agora.

– Em que sentido?

GLP: Não lhe sei dizer, de uma forma objectiva. Pode ser um lugar comum, mas se calhar quando cá cheguei há cinco anos, estava mais atento a determinados aspectos do que estava agora. Há locais de Macau que eu já fotografei muito. Em abono da verdade, já fotografei quase o território todo e há locais que já quase não tenho vontade de explorar. Outros existem, pelo contrário, que ainda me suscitam alguma curiosidade. A zona do Cinema Alegria e do Bairro de San Kio é fantástica para fotografar e ainda não tive grande tempo para a explorar como deve ser. Este é apenas um exemplo, mas há outros. A Ilha Verde ainda conversa uma certa aura de desfasamento que se torna aliciante. A zona do Templo de Á-Ma, a Barra, a cidade velha e os roteiros do património, por outro lado, já estão mais do que fotografados e não é fácil conceber visões diferentes dessa zonas. Macau é, no entanto, uma cidade com um grande potencial imagético. É claro que há dias de céu cinzento e de uma envolvência grisalha que não são muito convidativos, mas há outros em que fotografar Macau é um prazer. O interesse de Macau também é um pouco esse: é a cidade convidar a viagens de descoberta de câmara na mão. Não é difícil perder três ou quatro horas a fotografar no Jardim Lou Lim Ieoc, por exemplo.

– Falava do templo de A-Ma e do roteiro do património… É fácil inovar em Macau no que toca à forma como se retrata o património? É fácil fugir à fotografia cliché e ao fotograma que é mil vezes batido?

GLP: Do ponto de vista fotojornalístico, o cliché acaba por ser uma inevitabilidade. Mas é essencial também ter algum tempo e alguma capacidade para fazer fotos diferentes. Diferentes em que aspecto? Fundamentalmente no que toca à abordagem e aos ângulos. É essencial, por exemplo, ter a capacidade de explorar o pormenor no meio onde nos encontramos. Os templos são locais de grande vitalidade e não têm que ser fotografados sempre da mesma forma. O enquadramento e a composição com que se trabalham as fotografias ajudam a enriquecer a vivência fotográfica. Como profissional da fotografia e como fotojornalista eu tenho que garantir o tal fotograma mil vezes batido, porque muitas vezes essa é a fotografia que muita gente pede. Se me perguntarem se tenho o templo de A-Ma assim fotografado ou as Ruínas de São Paulo assim fotografadas, eu tenho, mas depois também sou capaz de fazer o mesmo motivo em contra-luz ou um pormenor de outra coisa ou um plano que é menos usual. Trata-se mais do que uma questão de curiosidade do que de inovação.

– Este “Macau 5.0” é um projecto abrangente, no sentido de que não se foca numa perspectiva unificada de Macau. Se pelo contrário, se tivesse que incidir sobre uma perspectiva mais específica do território, que tipo de incidência é que gostaria de retratar?

GLP: O que eu gosto mais de retratar são as pessoas. E gosto de retratar as pessoas no seu dia-a-dia. Gosto de fazer fotografia de rua, de captar as pessoas no desempenho das suas funções. Este aspecto, apesar de não ser o fio conductor do livro, é um aspecto muito presente na obra. Há fotos de pessoas a trabalhar, de pessoas na rua a circular, simplesmente. Gosto de perder algum tempo a interagir com as pessoas que transitam na rua. De vez em quando consigo obter algumas fotos interessantes. Ruas como a Rua dos Mercadores, a dos Ervanários ou a da Tercena constituem roteiros visuais fantásticos, com os negócios tradicionais e as pessoas a circularem. Há todo um mundo de detalhes que torna estas zonas da cidade muito convidativas para um fotógrafo.

– E depois deste “Macau 5.0”? Que outros projectos?

GLP: O 5.0 do título acaba por ser, como dizia, quase como que um trocadilho com os cinco anos que passei em Macau, mas eu não quero balizar as coisas desse modo. Tenho algumas ideias na cabeça e outros projectos que estão um bocado adormecidos na gaveta e que gostava de ver concretizados. Não digo que gostaria que avançassem para livro, mas que dariam azo a uma exposição porventura interessante. Há um outro projecto que, mais lá para a frente, poderá estar na origem de um novo livro, mas agora vou gozar este e ver o que isto dá. Vou procurar sobretudo tentar perceber a reacção das pessoas: algumas das fotos, as pessoas já conhecem mas acima de tudo é ter uma recordação. Acho que é um álbum que vale como recordação, tendo sempre em conta que esta é a minha visão de Macau. As pessoas até podem não se rever nas fotos e na forma como elas estão orquestradas, mas é meu testemunho desta passagem por Macau, valha ele o que ele valer.

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