José Pereira Coutinho só tenciona concentrar atenções na campanha para a Assembleia da República a partir de 6 de Setembro, dia em que são eleitos os novos membros do Conselho das Comunidades Portuguesas.
Marco Carvalho
No dia em que se tornou conhecida a candidatura de José Pereira Coutinho à Assembleia da República, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) e deputado à Assembleia Legislativa quebrou o silêncio sobre as motivações que o levaram a apresentar-se como candidato ao hemiciclo português.
Em declarações prestadas por via telefónica ao PONTO FINAL, o cabeça de lista do “Nós, Cidadãos!” ao círculo fora da Europa – que se encontra em Portugal – defende que, consiga ou não ser eleito para a Assembleia da República, a candidatura pela qual dá a cara já garantiu um dos objectivos a que se propunha: “Pela primeira vez desde a transferência de administração, Macau está a ser falado em Lisboa. O telefone não tem parado e até os candidatos à presidência da República estão a olhar para Macau com interesse renovado”, garante Pereira Coutinho.
Não obstante a atenção de que diz ser alvo, Pereira Coutinho tem as prioridades bem alinhavadas. O deputado à Assembleia Legislativa diz que até 6 de Setembro tenciona centrar a atenção na eleição para o Conselho das Comunidades Portuguesas e só a partir de então se mobilizará no sentido de procurar ser eleito para o hemiciclo de Lisboa: “Neste momento não me passa pela cabeça outra questão que não o Conselho das Comunidades Portuguesas”, assinala.
José Maria Pereira Coutinho reserva, por isso, explicações mais fundamentadas sobre a opção pelo partido Nós, Cidadãos para depois do acto eleitoral de Setembro. Fonte próxima ao processo que culminou na aproximação entre o presidente da ATFPM e o movimento liderado por Mendo Castro Henriques explica que a escolha se deve, sobretudo, a uma questão de afinidade política: “Há uma grande identificação entre as ideias do “Nós, Cidadãos” e a personalidade e a postura política de Pereira Coutinho. Mas houve vários partidos interessados”.
O agora candidato confirma o interesse, depois de ter estado reunido com Francisco André, membro da direcção do Partido Socialista (PS) e com Marco António Costa, vice-presidente do Partido Social Democrata (PSD). Os encontros serviram para discutir o escrutínio para o Conselho das Comunidades Portuguesas, mas as eleições legislativas também foram abordadas, adianta Coutinho: “Foi focada, sim, a questão das legislativas. Pela primeira vez eles acordaram. Chegaram um bocado atrasados. É como aquelas histórias dos namoros: até se pode gostar de uma rapariga, mas se não se avança a tempo, há outro que vem e que toma o lugar. Em política não há namorados”, remata o agora candidato independente nas listas do “Nós, Cidadãos”.
Coutinho, que reserva para depois de 6 de Setembro uma intervenção mais detalhada a propósito da candidatura à Assembleia da República, recusou-se a abordar as críticas que lhe são dirigidas pela secção local do Partido Socialista, mas negou ainda assim a ideia que tenha andado a “mendigar apoios políticos” em Portugal: “Antes de eu vir para Lisboa, já estava tudo tratado. A Rita Santos já tinha discutido com o “Nós, Cidadãos” os objectivos da candidatura”, sustenta.
Sobre a inclusão de Gilberto Camacho como o número 2 da lista pelo círculo fora da Europa que encabeça, José Pereira Coutinho é peremptório: “Há muito tempo que tanto eu, como a Rita Santos estamos a procurar atrair jovens macaenses para a política e garantir o rejuvenescimento da capacidade de intervenção da comunidade macaense. Um tal rejuvenescimento só poderá ser feito com alguém com dinamismo, que domine várias línguas. O Gilberto Camacho é disso um bom exemplo”.

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