Pereira Coutinho é mesmo candidato a um lugar na Assembleia da República. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau é o cabeça de lista do “Nós, Cidadãos!” pelo círculo fora da Europa. O número dois da candidatura é Gilberto Camacho.
Está desfeito o enigma. José Maria Pereira Coutinho, deputado à Assembleia Legislativa de Macau e Conselheiro das Comunidades Portuguesas, é candidato à Assembleia da República pelo partido Nós, Cidadãos!, formação política dirigida pelo académico e politólogo Mendo Castro Henriques.
Pereira Coutinho é o cabeça de lista do “Nós, Cidadãos!” pelo círculo fora da Europa nas eleições legislativas de Outubro, confirmou ontem a agência Lusa, em Lisboa.
A agência noticiosa portuguesa consultou as listas afixadas publicamente na 1.ª Secção Cível do Palácio da Justiça e confirmou a candidatura de José Maria Pereira Coutinho ao hemiciclo português. Apresentado como sendo aposentado e candidato pelo “ex-província ultramarina” de Macau, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau concorre na qualidade de independente. O contacto e morada declarados por Pereira Coutinho são, de resto, os contactos da ATFPM, organismo que serve de base de apoio aos trabalhos desenvolvidos pelo deputado à Assembleia Legislativa.
Como número dois do grupo de candidatos efectivos pelo partido Nós, Cidadãos!, Pereira Coutinho faz-se acompanhar por Gilberto Carlos Conceição Camacho, elemento que surge como suplente na lista, também dirigida por Coutinho, candidata ao Conselho das Comunidades Portuguesas, cujas eleições se realizam a 6 de Setembro próximo.
Em declarações feitas à Agência Lusa em meados de Agosto, Pereira Coutinho tinha garantido que seria candidato nas eleições legislativas portuguesas de Outubro próximo. Em caso de eleição, salientava na altura o deputado à Assembleia Legislativa, o seu lugar não estaria condicionado, uma vez que – sendo eleito pelo círculo fora da Europa – não estaria obrigado a permanecer em Lisboa, mas podia viajar pelas comunidades portuguesas para auscultar os seus problemas. O deputado deve pronunciar-se de novo sobre a candidatura à Assembleia da República depois da eleição para o Conselho das Comunidades Portuguesas, agendado para 6 de Setembro (ver última página.)
A eventual eleição de José Maria Pereira Coutinho para o hemiciclo português já suscitou reacções junto da classe política de Macau, com Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa a considerar que a candidatura de Coutinho à Assembleia da República constitui “uma questão diplomática”.
“É difícil responder porque se trata de uma questão diplomática e, na qualidade de deputado de Macau, ele deve observar as leis de Macau, porque foi jurado para prestar fidelidade à República Popular da China. Quanto a essa dupla fidelidade eu não me atrevo aqui a dizer muito, não sei”, afirmou Ho Iat Seng, quando questionado sobre um eventual conflito de interesses no exercício de funções parlamentares no estrangeiro. As declarações do Presidente da Assembleia Legislativa foram feitas na semana passada, durante o balanço das actividades do hemiciclo do território relativas ao último ano.
Um partido entre o PS e o PSD
O partido Nós, Cidadãos! aguardava o combate às eleições legislativas para sair à rua. Na base do movimento está o Instituto da Democracia Portuguesa (IDP), uma associação cívica criada em 2007 que tem nos seus corpos sociais figuras como Fernando Nobre ou D. Duarte de Bragança e que veio dar força ao novo partido.
A ambição do “Nós, Cidadãos” é mobilizar o eleitorado do centro, a meio termo entre e as perspectivas do PS e do PSD. Liderado por Mendo Castro Henriques, a nova força política defende a promoção do emprego e da coesão social e propõe que o problema dívida externa seja recentrado nas famílias e empresas portuguesas.
Outras das ideias às quais o novo partido se compromete passam pelo combate à corrupção, a reforma do sistema político e eleitoral através de uma maior moralização e responsabilização dos eleitos perante os eleitores e uma nova estratégia nacional, que passará pela promoção da coesão social e a dignificação da Administração Pública e das funções do Estados.
Para além de Mendo Castro Henriques, a Comissão Política Nacional é constituída por nomes como Joaquim Palma Pinto, pelo ex-jornalista Jorge Santos e por Renato Epifânio.
Entre as figuras que tornaram público o seu apoio ao novo partido estão o juiz Rui Rangel, o cantor José Cid e … Garcia Leandro, antigo Governador de Macau no pós-25 de Abril.
Para a sua legalização, o novo partido político contou com 11 mil assinaturas, tendo entregue no passado mês de Março cerca de 8500 assinaturas ao Tribunal Constitucional para oficializar a corrida às eleições legislativas de Outubro próximo.
De acordo, com a informação publicada na página electrónica oficial do partido estão envolvidas nas candidaturas à Assembleia da República 283 personalidades que o “Nós, Cidadãos!” caracteriza como “caras novas, sem militância política anterior”.

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