O futuro está no fundo do mar  

O geólogo Fernando Barriga defende que a solução para a falta de recursos está na exploração dos fundos marinhos e na mineração em alto mar.

O fundo do mar encerra riquezas nunca vistas. A ideia foi expressa na passada sexta-feira no Centro de Ciência de Macau, numa conferência que teve Fernando Barriga com orador principal. O geólogo e investigador deu a conhecer o potencial dos recursos existentes no fundo do mar e mostrou-se convicto de que os oceanos encerram parte considerável dos elementos que vão propiciar o desenvolvimento futuro da Humanidade: “A sociedade está em constante crescimento e também está mais exigente. Hoje, há aspirações legítimas a um maior equilíbrio, o que faz com mais pessoas tenham mais exigências conduzindo à escassez de recursos”, explica Fernando Barriga.

De acordo com o antigo professor universitário, “em média cada habitante de um país industrializado gasta 13 toneladas de materiais geológicos por ano”. Para o investigador, a solução para a escassez de recursos deve passar, incontornavelmente pela exploração de elementos localizados em águas profundas.

Fernando Barriga dá o exemplo do cobalto, um mineral encontrado em estado sólido à temperatura ambiente e que, é utilizado, entre outras finalidades, na construção de baterias eléctricas: “Marcas de carros como a Renault dizem que terão só carros eléctricos daqui a alguns anos. Nessa altura, a procura de cobalto será ainda maior”, garante o geólogo. “A exploração deste mineral terá de ser feita no mar uma vez que em terra já há poucos recursos e as jazidas começam a escassear”, explica.

Actualmente, a China é, a par da Zâmbia e da República Democrática do Congo, um dos países do mundo com maior produção de cobalto, mas nas contas poderão entrar outras nações, caso sejam ponderadas as potencialidades do subsolo oceânico. Barriga exemplifica com o caso de Portuga e da área marítima tutelada por Lisboa: “Portugal tem quase 2 milhões de quilómetros quadrados de mar, ou seja, uma área 42 vezes superior à área terrestre do país. Há muitas questões e dúvidas sobre o que deve ser feito com uma tão grande extensão, pelo que a exploração tem de ser muito bem planeada”.

Defensor de que a exploração das jazidas de minério localizados no fundo do mar deve ser feita de forma organizada e regrada, Fernando Barriga afirma, ainda assim, que as investigações devem ser encaradas como “a indústria da pesca ou a agricultura, na medida em que são também essenciais para a sobrevivência humana”.

O geólogo assegura que tanto os cientistas, como os responsáveis por empresas de exploração estão a trabalhar tendo em vista a obtenção dos recursos, mas também a preservação do ambiente e dos ecossistemas naturais: “Ninguém quer ser o “lobo mau” que destrói o ambiente”, garante.

Durante a apresentação, o antigo professor universitário lembrou que nos últimos trinta anos se assistiu a três grandes fenómenos que mudaram o modo de ver o planeta Terra.

Os progressos na identificação de actividade hidrotermal, de hidratos de metano (que indiciam a existência de grandes jazidas de gás natural) e da biosfera profunda “influenciaram a forma como vemos os recursos”, afirma.

Fernando Barriga esteve em Macau para participar no ciclo de conferências “Mistérios do oceano profundo” que se realizou durante os dias 8 e 9 de Maio. O Centro de Ciência de Macau inaugurou também uma exposição dedicada às maravilhas do mundo subaquático. A mostra poderá ser visita até ao próximo dia 31 de Maio. C.M.

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