Roger Lobo: o último dos portugueses notáveis de Hong Kong

Sales Marques e Anabela Ritche recordam Rogério Lobo como uma figura “de referência” da comunidade macaense e portuguesa em Hong Kong e destacam a notoriedade que granjeou na região vizinha, sem nunca esquecer Macau. O empresário faleceu no sábado passado. Tinha 91 anos

Sandra Lobo Pimentel, com Lusa

Sir Roger Lobo, português radicado em Hong Kong e uma das figuras mais credenciadas da comunidade lusa na região vizinha, morreu no sábado aos 91 anos, vítima de cancro, noticiou ontem o diário South China Morning Post.

“Foi das pessoas mais importantes no seio da comunidade portuguesa em Hong Kong, com um percurso um pouco diferente dos restantes portugueses que ali se radicaram”, contou ao PONTO FINAL Luis Andrade de Sá, autor do livro “The boys from Macau: portugueses em Hong Kong”, que também aborda a história de Rogério Lobo.

O autor destaca o empresário como “o último exemplo de um português de Macau que fez uma grande carreira em Hong Kong”, considerando a história de vida de Lobo uma história “irrepetível”, tendo em conta o que foi o século XX na região vizinha. “É o fim de uma era. Existem poucos que tenham feito este trajecto”, sublinha.

Também Anabela Ritchie, antiga presidente da Assembleia Legislativa, destaca Rogério Lobo como “um homem notável”, com quem teve oportunidade de estar em várias ocasiões.

Sobre a relação que mantinha com a terra que o viu nascer, indica que “mesmo de longe, a impressão que colhia era de que acompanhava as coisas que se passavam aqui, com grande atenção e carinho”.

A posição que o empresário granjeou em Hong Kong, entende Anabela Ritchie, “trouxe prestígio para a comunidade”, e, “como macaense, não podia ter feito mais para que Macau estivesse presente na vida pública de Hong Kong”.

José Luis Sales Marques lembra Roger Lobo como “uma figura destacadíssima no seio da comunidade macaense em Hong Kong e também da grande família macaense espalhada pelo mundo”.

Ao PONTO FINAL, o líder do Conselho das Comunidades Macaenses destacou o empresário como “uma referência” pelo contributo que deu em várias vertentes, nomeadamente, na afirmação do Clube Lusitano. “Fez dessa instituição umas das mais importantes instituições de matriz portuguesa espalhadas pelo mundo”, sustenta Sales Marques.

Título de cavaleiro da coroa em 1984

Empresário de profissão, Rogério Hyndman Lobo, nascido em Macau em 15 de Setembro de 1923, era filho de Pedro José Lobo, importante empresário e político local e destacado membro da elite macaense na primeira metade do século XX.

Roger Lobo, lembra Luis Andrade de Sá, foi para Hong Kong “já tardiamente”, depois de um grande contingente de portugueses se ter mudado para o outro lado do Delta, a maioria, para trabalhar na Administração britânica.

Na pérola da coroa do império britanico, foi um elemento activo da vida pública, tendo sido membro do Urban Council entre 1965 e 1978, do Conselho Executivo entre 1967 e 1985 e do Conselho Legislativo de Hong Kong entre 1972 e 1985.

A notoriedade que alcançou, alcançou-a “por mérito próprio”, defende Luis Andrade de Sá. O autor de “The Boys from Macau” não se coíbe de classificar Roger Lobo como “um grande profissional”, ainda que o apoio da comunidade portuguesa radicada na região tenha tido o seu papel. “Foi um homem que saiu de Macau e conquistou com grande mérito a importância que conquistou”.

Sir Roger Lobo, que recebeu em 1984 o título honorífico de cavaleiro do império britânico, garantiu nesse mesmo ano um lugar em nome próprio na história da política da antiga colónia britânica, quando apresentou no Conselho Legislativo a iniciativa que ficou conhecida como “Moção Lobo”. A proposta, que acabou por ser aprovada, exigia que todas as questões em debate entre o Reino Unido e a China referentes à transferência de soberania de Hong Kong fossem debatidas pelo hemiciclo antes de qualquer decisão ser tomada pelos dois países.

Para além do título de cavaleiro, Roger Lobo recebeu também da coroa britânica os títulos de oficial da Ordem do Império Britânico, em 1972 e de comandante da Ordem do Império Britânico, em 1978.

O empresário deixou uma mulher, dez filhos, 28 netos e 17 bisnetos, de acordo com o South China Morning Post.

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