“Lobinho mau”, a peça que ensina o que é o mal  

IMG_6319O grupo de Teatro da Areia Preta está de regresso ao Centro Cultural de Macau com uma peça destinada às crianças. Maira Belati e Antonio Martinez trazem a palco uma magia que “pouco existe em Macau”.

Catarina Mesquita

Entre Maira Belati e Antonio Martinez estão sentadas três marionetas: o Lobo Mau, o Capuchinho Vermelho e a Avozinha, personagens da peça “Lobinho Mau”. Mas esta, ao contrário do que as personagens poderiam sugerir, não é uma peça de teatro que retrata o tradicional conto de Grimm, o “Capuchinho Vermelho”.

Antonio Martinez explica que “esta peça é mais a extensão da vida das personagens que os irmãos Grimm não exploraram. O que acontece ao Lobo Mau depois de o Caçador o apanhar? E depois de ter aterrorizado os Três Porquinhos ou comido os Sete Cabritinhos? É o que as crianças vão ficar a saber”.

O grupo de teatro da Areia Preta, que tem vindo ao longo dos quatro anos de existência a trabalhar os contos infantis em várias peças de teatro e animações de leitura em bibliotecas, terá nos dias 7 e 8 de Março o Centro Cultural de Macau cheio de pequenos curiosos.

Os actores querem manter o suspense até ao último minuto, não revelando o que acontece ao Lobo Mau. “Utilizamos a personagem do Lobo Mau para ensinar às crianças o que significa ser mau, prevenindo-as e protegendo-as. As crianças muitas vezes fazem asneiras e acham-se engraçadas, assim, com este tipo de projecto, acabamos por conseguir sensibilizá-las melhor. Elas dão-nos, muitas vezes, mais credibilidade que aos educadores”, conta Antonio Martinez.

O Lobo Mau não pretende assustar, mas mostrar que é possível errar, sentir-se arrependido e tornar-se melhor. “Independentemente do contexto cultural ou familiar, todas as crianças sentem o mesmo: medo, alegria, arrependimento. São sentimentos globais que aqui em Macau ou noutro lugar qualquer serão interpretados da mesma forma”, acrescenta Antonio.

Já Maira defende que o “sentido de humor é diferente de cultura para cultura. As crianças chinesas riem durante o desenvolvimento da história, por exemplo, de coisas que as portuguesas não riem e vice-versa”.

Num trabalho criativo, como escrever e encenar peças de teatro infantis, Maira Belati diz que a “gaveta de histórias” está cheia. “Tenho seis filhos, todos eles com idades diferentes. A vida fez-me estar rodeada de crianças e estou sempre a receber ideias dos meus filhos para as novas criações”. O filho mais velho, de 15 anos, já segue os passos dos pais e irá apoiar Maira e Antonio nos bastidores do espectáculo do próximo fim-de-semana.

Com uma experiência de mais de 10 anos em Macau, os directores artísticos, encenadores e actores, falam de um público infantil “carente de acções que puxem pela criatividade”. Antonio reforça que em Macau as “actividades que poderiam ser lúdicas são vistas como trabalho de casa. Tocar um instrumento e dançar são obrigações extra-curriculares”, algo que dificulta a criação de actividades para as crianças se divertirem.

Maira Belati gostaria que “fosse criado ou reaproveitado um espaço onde existissem peças permanentes para crianças”, visto que em Macau existem tantas crianças com idades entre os três e os oito anos.

O casal já pensa em novos projectos para o futuro, como a encenação da história infantil “Pinóquio”, mas sem data definida. Por agora, o espectáculo “Lobinho Mau” subirá ao palco do ART aos sábados, com sessões às 11h, 15h e 19h30, e aos domingos, às 11h e às 15h, integrada na série “Multiformas”, organizada pelo Centro Cultural de Macau.

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