Sautedé acusa Tolentino Mendonça de “engano e calúnia”

1 Eric Sautede Macau CloserAs declarações do vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa sobre o despedimento do académico motivaram a reacção.

 

Sandra Lobo Pimentel

 

Numa carta aberta enviadas às redacções, o académico Éric Sautedé diz ter ficado “encantado” com as declarações de Peter Stilwell e de Tolentino de Mendonça dando conta que daqui para a frente não fariam mais comentários acerca do seu caso. “Acredito que é sábio e bem-vindo, especialmente depois de toda a publicidade negativa provocada pela admissão aberta de que a minha demissão da USJ tinha sido desencadeada por motivos políticos”, refere Sautedé, lembrando que se trata de uma “violação clara” da lei laboral de Macau.

Sobre os “comentário adicionais” feitos pelo vice-reitor da UCP na semana passada, confessa que “não esperava que o engano e a calúnia meio velada viesse à tona tão abertamente com a visita do enviado da Católica”.

Relembrando o que Tolentino Mendonça disse à imprensa de Macau, de que o afastamento de Éric Sautedé tinha sido ditado pelo percurso académico, e que a UCP estava solidária com a decisão tomada, o antigo professor da USJ lembra que houve dois motivos invocados para a sua demissão: não ter ainda terminado o doutoramento e os comentários e pesquisas sobre a politica local que poderiam colocar a universidade numa “situação delicada”.

Sautedé diz que o doutoramento não é requisito para leccionar na universidade em Macau e que “mais de metade dos meus antigos colegas teriam que ser demitidos, o que não acontece na USJ”, dando até o exemplo de um diplomata que serviu em Macau depois da transferência e que foi recentemente contratado pela instituição que também não tem doutoramento.

Na carta aberta, o académico enuncia o seu percurso académico e relembra que vive nesta parte do Mundo há 20 anos, tendo publicado dezenas de trabalhos. “No que ao ensino respeita, quando a USJ ainda tinha em curso um mecanismo de avaliação dos professores, recebi sempre boas críticas dos estudantes”.

Dirigindo-se ao vice-reitor da Católica, Sautedé questiona: “o que faz um ‘bom’ estudioso e educador terciário na sua opinião? Não é a relevância e a profundidade de conhecimentos académicos compartilhadas abertamente em publicações académicas um dos principais critérios? E sobre as capacidades de ensino, então? E o dever de acomodar uma diversidade de pontos de vista e perspectivas?”.

Sobre a justificação acerca da censura política, Sautedé ironiza sobre se serão esses os “valores e requisitos” da instituição portuguesa, confessando que aquando da sua visita para dar uma palestra na Católica do Porto e depois num encontro com alguém da Católica de Lisboa, “não era esse exactamente o sentimento partilhado”.

O académico diz não concordar com o professor Ming K. Chan que caracterizou o que lhe estava a acontecer como uma “nova inquisição”, mas confessa que a sua consideração para com o chefe da diocese de Macau “de alguma forma tenha sido alterada por toda esta agitação”.

“Sinceramente acredito que haja aqui a funcionar [em Macau] algum tipo de forma distorcida de ‘lusotropicalismo’, supostamente há muito abandonada”, rematando que isso só parece afectar “as mentes mais fracas e obscuras” e que “não esperava que o Padre Stilwell nem o Padre Mendonça estivessem entre elas”.

 

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