Inês Santinhos Gonçalves
O antigo jornalista da TDM, Alan Tsu, recebeu uma carta anónima, que considerou ameaçadora, e na qual a Polícia Judiciária encontrou impressões digitais de Lorman Lo, actualmente da comissão executiva da TDM. O caso foi arquivado por falta de provas de crime de ameaça, mas o jornalista já recorreu.
O caso foi ontem denunciado pelo grupo Consciência de Macau, que pede à TDM para abrir uma investigação interna à então directora de informação. No total, o jornalista recebeu duas cartas em Junho de 2011, com aspecto semelhante, ambas anónimas. Apenas numa foi encontrada a impressão digital do polegar direito de Lorman Lo.
Além de Alan Tsu, a carta é destina a mais dois jornalistas, um deles Ava Chan, que saiu da empresa em 2012. Nesta, é feita uma referência a uma coluna semanal que saia no jornal Son Pou sobre problemas internos na TDM. Esta coluna era assinada com o pseudónimo Loi-un, que o autor da carta considerava ser um dos três jornalistas. “Já chega deste comportamento. Se continuar, vai causar mais prejuízos que benefícios. Vai haver um efeito reverso”, indica a carta.
No mesmo mês, Alan Tsu recebeu outra carta que continha uma longa lista de insultos e acusava o jornalista de apoiar uma pessoa de nome Leong com vista a obter uma promoção – recorde-se que em 2011, Leong Kam Chun ocupava o cargo de presidente da Comissão Executiva da TDM.
O jornalista levou as duas cartas à polícia, que apesar de encontrar a impressão digital na primeira, optou por arquivar o caso. Tsu recorreu e espera agora resposta.
Desde 2012 que o jornalista já não trabalha na TDM – segundo explicações do próprio, foi despedido sem justa causa, conseguindo uma indemnização, não só pelo despedimento, mas por ter sido colocado, como castigo, no turno da madrugada durante um ano. Até hoje, Tsu diz não saber ao certo porque foi despedido – o despedimento, conta, foi precedido da sua ausência num trabalho por não se estar a sentir bem. Mas o real motivo, acredita, era a sua postura no trabalho. “Por vezes queriam esconder os problemas do Governo. Eu dizia a verdade nas minhas histórias e eles não gostavam, mas nunca se queixavam pessoalmente”, conta.
Tendo trabalhado na TDM durante 12 anos, manteve uma boa relação com Lorman Lo durante os primeiros cinco a sete anos. Depois, as coisas deterioraram-se. “O valor das notícias era muito diferente para mim e para ela”, diz.
Em comunicado, Manuel Pires, presidente da comissão executiva da TDM, explicou que, tendo em conta que o caso foi arquivado, a TDM “entende que não tem de tomar qualquer medida”. Não foi possível chegar à fala com Lorman Lo.