“Não é o clero que faz campanha”

Jose LaiO Bispo de Macau, José Lai, pretende manter o padre João Lau no colégio que elege o Chefe do Executivo. Ainda não tem substituto para Luís Xavier.

Sónia Nunes

– A Igreja Católica tem de indicar dois membros para a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo até 19 de Junho. Quem vai ser nomeado? O padre Luís Xavier já disse que não vai renovar o mandato.

José Lai – A Igreja Católica continua a ser representada por dois padres no acto eleitoral do próximo Chefe do Executivo. Creio que o padre João [Evangelista] Lau pode continuar. Vou chamar um outro para substituir o padre Xavier. Ainda não falei com o candidato.

– Que perfil tem em mente? Quais são os critérios de nomeação? Por quê manter a tradição de nomear sacerdotes?

J.L. – Será alguém que consiga representar a Igreja Católica para eleger o Chefe do Executivo que pode melhor servir a nossa comunidade. Um sacerdote pode, por norma, ser este representante porque tem conhecimento da doutrina social da Igreja. Creio que, em Macau, o padre tem mais esta convicção de exame. Os leigos ainda estão a olhar para o padre. Além disso, têm as suas associações.

– É o suficiente para representar os católicos na escolha do líder do Governo?

J..L – Sim, tendo em conta que o sector religioso só tem seis representantes [dois católicos, dois budistas, um protestante e um tauista]. Ter dois lugares para a Igreja Católica já é bastante. É um terço.

– Estamos a falar de um universo de 20 mil católicos, correcto?

J.L. – Certo. Proporcionalmente à população de Macau, não podemos pedir muito. Há associações religiosas e de leigos que também podem participar neste processo.

– A inclusão do sector religioso no colégio reflecte sobretudo a mensagem de que há liberdade de credo na China?

J.L. – Não sei dizer qual a ligação entre a liberdade religiosa e esta eleição.

– Há um reconhecimento de que quatro religiões têm direito a votar.

J.L. – Todos os fieis também tem.

– No sector religioso, a escolha dos representantes para a Comissão Eleitoral é feita por nomeação, após consulta. Como é que o Bispo faz esta consulta?

J.L. – Pergunto àqueles que posso consultar. Podem ser católicos, padres, religiosas, etc.. A maneira democrática não é a da Igreja Católica. A consulta é muito importante: é bom para quem comanda que consulte todos para ter uma decisão mais certa e equilibrada.

– Há uma grande responsabilidade nesta escolha?

J.L. – Já temos, por costume, um representante que conhece muito bem a situação, o padre João Lau. O segundo, quem será? Vamos ver.

– Qual é a expectativa dos fieis em relação ao papel destes dois representantes na escolha do Chefe do Executivo?

J.L. – Não sei como reage a comunidade. A regra para a eleição do Chefe do Executivo é esta, está publicada na lei eleitoral. Não vamos, portanto, discutir muito esta questão. Creio também que a eleição do Chefe do Executivo não depende destes dois votos da Igreja Católica (risos).

– Daí ter-lhe perguntado se eram simbólicos.

J.L. – O Governo respeita a Igreja, que já tem uma tradição longa em Macau e tem feito tantas coisas na sociedade. Dão-nos esse direito.

– A Comissão Eleitoral também é responsável por propor candidatos. A Igreja Católica mantém o apoio ao actual chefe do Executivo, Chui Sai On?

J.L. – Sobre o apoio aos candidatos, não é a hierarquia, o clero que faz esta campanha. São os leigos quem tem esta missão no mundo, são quem pode promover um candidato. Nesta fase, é muito precipitado fazer declarações sobre a pessoa.

– Chui Sai On merece um segundo mandato?

J.L. – Não vamos determinar se é o único candidato ou não. Não nos vamos pronunciar sobre isso.

– Que balanço faz do primeiro mandato?

J.L. – A Administração de Chui Sai On tem feito algumas coisas durante estes últimos cinco anos. Claro, há sempre esperança de melhorias. Tudo o que se faça em cinco anos é pouco porque cinco anos não é muito tempo. Há muitas coisas em que é preciso tempo para serem desenvolvidas – ideias, projectos.

– O secretário-geral da Caritas, Paul Pun, disse em Fevereiro que a escola para crianças com necessidades pode fechar por causa do aumento das rendas. Qual é o ponto da situação?

J.L. – Não tenho conhecimento desse caso. Que eu saiba as escolas católicas não estão a ser afectadas por esta questão.

– Há outras organizações que prestam serviços sociais que se queixam da falta de recursos para manter as instalações.

J.L. – Não sei como funcionam outras associações. Não posso comentar.

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