O jazz ouve-se outra vez em Beishan

1A Ntjam RoiseEstá de volta para a quarta edição o Festival Internacional de Jazz de Beishan nos dias 27 e 28 deste mês. Com músicos da Coreia do Sul, Suíça, Israel e outros países, os destaques chegam da Holanda e do Brasil: a cantora de jazz Ntjam Rosie e o guitarrista Diego Figueiredo.

Hélder Beja

Os Camarões são o país natal da artista em maior destaque na quarta edição do Festival Internacional de Jazz de Beishan, em Zhuhai. Ntjam Rosie, compositora e cantora de jazz, actua na cidade vizinha a 27 de Setembro, em mais uma edição do evento anual que se estende por dois dias e leva músicos de toda a parte ao pequeno povoado nos arredores da cidade vizinha.

Ntjam tinha apenas nove anos quando a mãe casou e se mudou para a Holanda. Foi num ambiente europeizado que cresceu, entre a música e a dança, até decidir entrar na academia de música Codarts, em Roterdão. A artista de 29 anos gravou o primeiro disco, “Atouba”, em 2008, mas foi à segunda, com “Elle”, que começou a dar que falar, atingindo os tops de vendas no país e viajando ao estrangeiro para festivais e concertos a solo. Passou pela Tailândia e pela Turquia, mas também pela China Continental, onde agora regressa para a primeira noite do festival de Beishan.

Ao lado da cantora que vai do piano à guitarra no seu mais recente disco, “At the back of beyond”, estarão a 27 de Setembro o músico Samuel Blaser, da Suíça, o Jangeun KJB Bae Trio, da Coreia do Sul, e o Asaf Sirkis Trio, com intérpretes de Israel e dos Estados Unidos da América.

Os concertos arrancam às 18h e Ntjam Rosie, detentora de toda a estética pop que celebrizou nomes como a nigeriana Nheka, será a voz mais esperada. “At the back of beyond”, com título inspirado no filme “Black Narcisus”, de Michael Powell e Emeric Pressburger, deve servir de base ao alinhamento do espectáculo. “O meu novo álbum é mais envolvente, leva-nos numa viagem espiritual. É sobre o bem e o mal, o corpo e a alma, e sobre encontrar esse balanço. Retira-nos da nossa zona de conforto e faz-nos sentir parte da música”, explica a artista no seu site oficial.

Antes de Ntjam Rosie, será a vez do suíço Samuel Blaser subir ao palco munido do trombone de varas que o acompanha. O improviso tão característico do free jazz e a vocação clássica do músico cruzam-se naquilo que é descrito pela organização como “instinto musical e a base para uma música jazz única e inovadora”.

De seguida as atenções estarão viradas para a pianista de jazz sul-coreana Jangeun JB Bae, acompanhada de músicos à bateria e ao saxofone, que suportam a sua performance nas teclas. A artista é descrita no programa do festival como “uma das pianistas de jazz mais dotadas do mundo”. Ao jazz mais puro unem-se, nas suas composições, influências da folk e do rock sul-coreano, que lhe dão um toque característico.

A fechar a primeira noite em Beishan, já depois da holandesa Rosie, actua o Asaf Sirkis Trio. Este compositor e baterista israelita cresceu com influências da música polaca e russa. Hoje participa em vários projectos colectivos, como aquele que traz a Zhuhai, e já trabalhou com nomes importantes da cena jazzística, como Tim Garland, Jeff Berlin, Gilad Atzmon e Mark Egan.

 

Guitarra brasileira

 

À segunda noite, Beishan abre com uma viagem à Croácia, pelas mãos da repetente Ines Trickovic, e acaba no Brasil, ao som da guitarra de Diego Figueiredo, outro dos nomes mais destacados da programação.

Figueiredo foi premiado duas vezes pelo maior festival de jazz do mundo, o Montreux Jazz Festival, como um dos melhores guitarristas da actualidade, em 2005 e 2007.

Com 29 anos, já lançou 15 álbuns a solo e conta mais de 200 participações noutros projectos. Já percorreu mais de 40 países em concertos, sempre com o toque minimal da guitarra, que vai do jazz à música popular brasileira, referência sempre presente.

Antes, será então tempo de voltar a escutar o Ines Trickovic Quartet, que já passou por Zhuhai e também por Macau, onde deu mais de um concerto em anos recentes. A voz de Trickovic é essencial no projecto que encabeça e que a tem levado a muitas cidades asiáticas, mas a sua pose e o seu perfil de performer também ajudam na empatia com o público.

A outra representação holandesa nesta edição do festival é a Buzz Bros Band, habituada a palcos exóticos como a Índia e a Indonésia. As sonoridades destes países foram, aliás, começando a integrar as nuances musicais deste projecto descrito como “música de fusão”.

A voz da cantautora Eliane Amherd dará o mote para o que restará da noite, que não voltará a deixar os acordes da guitarra até ao final. Os ritmos latinos desta suíça surpreendem, ao cruzarem a canção brasileira com as correntes mais comerciais do jazz e da soul – usando até algumas palavras em português nas letras que escreve, como na canção ‘As If’. Os EUA, em concreto Nova Iorque, onde tem actuado, já começaram a descobri-la.

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