Envelhecer em Macau

Pode dar um livro. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas estão a recolher histórias de emigrantes com mais de 60 anos, espalhados pelo mundo. O cônsul-geral de Portugal em Macau não tem dúvidas de que, por cá, há “histórias de vida fantásticas” que merecem ser contadas.

Inês Santinhos Gonçalves

Que razões o levaram a emigrar? Como correu a primeira viagem e quais as impressões à chegada? Que sonhos conseguiu concretizar e que tradições portuguesas continua a manter? Estas são algumas das perguntas que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quer que portugueses emigrados, com mais de 60 anos, respondam. Dos relatos recolhidos até ao fim de Agosto, 152 vão integrar o livro “Envelhecer no Estrangeiro: Histórias de Vida”.

A iniciativa destina-se a pessoas que tenham saído de Portugal na infância ou juventude e que hoje tenham mais de 60 anos, continuando a residir no estrangeiro. A iniciativa da Santa Casa surge em parceria com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

“Incentivo imenso os nossos compatriotas mais idosos, gostava que eles escrevessem”, comenta Vítor Sereno. Para o cônsul-geral de Portugal em Macau, o território é “sem dúvida nenhuma, um dos mais emblemáticos” destinos de emigração portuguesa e, por cá, há “histórias de vida fantásticas”.

Os relatos devem incluir alguns pormenores como o motivo para a partida, a descrição da viagem e momento de chegada, pormenores sobre o modo de vida no local de acolhimento ou a experiência mais marcante aí vivida. “Emigrar tem sempre subjacente a realização de alguns sonhos e aspirações. Até que ponto os conseguiu alcançar?”, lista o regulamento.

Nos tópicos orientadores pergunta-se também pela fase mais feliz no percurso de vida do emigrante e se tem intenções de regressar definitivamente a Portugal. Há também questões sobre o grau de integração conseguido ao fim de décadas: “Pense na gastronomia, música, costumes, celebrações dos dois países. O que ainda mantém da cultura portuguesa? Considera que a balança pende mais para o país de origem ou pata o país de acolhimento?” Tentando responder à questão, Vítor Sereno salienta que em Macau “há muitas histórias de vida de assimilação de costumes, imensa gente que pode dar o seu testemunho”. “Sem deixarem de ter os costumes portugueses, integraram-se bem nesta sociedade e dão um bocadinho do que é português”, sublinha.

Sereno considera que a comunidade portuguesa mais antiga está “muito bem integrada” e que histórias interessantes, por cá, são o que não falta. “As pessoas têm é que se predispor a escrever. Seria engraçado que partilhassem as suas histórias”, aponta. Até porque, essa partilha seria “não só com os seus compatriotas de Macau, mas à volta de mundo”. “Gostava que isto aqui tivesse algum impacto”, remata.

Por agora, o trabalho do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong é apenas de divulgação. Sereno promete falar com o secretário-geral para saber se são desejados trabalhos de promoção “mais individualizados”.

As participações para “Envelhecer no Estrangeiro: Histórias de Vida” devem ocupar um mínimo de uma página A4 e um máximo de três páginas. Os textos devem ser enviados para a Direcção de Serviços de Emigração portuguesa, através do e-mail emi@dgaccp.pt até dia 30 de Agosto. Além da selecção das 152 melhores histórias, será promovido também um concurso para a atribuição dos 1º e 2º prémios, sendo oferecida uma viagem a Portugal.

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