Compreensão lenta

Há “espaço para melhorar” a capacidade de compreensão de leitura dos alunos do ensino primário e secundário de Macau, concluiu um estudo da Universidade de Hong Kong. Os dados recolhidos dão ainda conta que quanto mais elevado é o ano de escolaridade, menor é o nível de percepção dos estudantes.

Pedro Galinha

A capacidade de leitura dos alunos do ensino primário e secundário de Macau tem “espaço para melhorar”, defendeu ontem Tse Shek Kam. O académico do Centro para o Estudo e Desenvolvimento do Ensino da Língua Chinesa da Faculdade de Educação da Universidade de Hong Kong liderou uma pesquisa no território que concluiu ainda que “quanto mais alto é o nível de ensino, mais baixo é o nível de compreensão” apresentado pelos estudantes.

Encomendado pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), o estudo foi apresentado na reunião plenária do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior. Tse Shek Kam adiantou na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro que os alunos de Macau “precisam de trabalhar mais” para elevar a capacidade de leitura. Neste momento, “há maior compreensão dos textos informativos do que dos literários”.

O académico de Hong Kong referiu que “a nível superficial” há registos de  “bom desempenho” por parte dos jovens locais. No entanto, quando a exigência é maior podem ser verificadas lacunas.

“Mas a capacidade dos alunos de Macau não é fraca”, ressalva Tse Shek Kam, que sugere que sejam criados grupos de leitura nas escolas.

O desempenho das alunas “é melhor” do que o dos alunos. O especialista acrescentou que esta tendência também se verifica no ensino superior.

Durante a apresentação da pesquisa, a qualidade dos manuais também foi um assunto abordado. Tse Shek Kam explicou que o sistema de ensino de Macau “depende muito” dos livros escolares, que são “de nível médio ou médio-baixo”. Por isso mesmo, sugeriu a introdução de outros métodos educativos.

Questionado sobre as diferenças que existem entre Macau e Hong Kong, o académico preferiu não fazer comparações. Mas referiu que os sistemas de ensino das duas regiões administrativas especiais “têm diferentes objectivos”.

“Hong Kong dá muita importância à reflexão dos alunos. Não quer dizer que Macau não dá”, argumentou Tse Shek Kam, antes de acrescentar que na RAEM é dada “mais importância ao método”.

No ensino primário, o estudo abrangeu 865 alunos do 4º ano e 1.087 do 6º ano. Quanto ao ensino secundário complementar, participaram 744 estudantes do 3º ano.

No primeiro grupo, a média de respostas correctas aos inquéritos efectuados para apurar a capacidade de leitura dos alunos foi de 46,74 por cento; no segundo, chegou aos 50,55 por cento; e, no último, 37,50 por cento.

A equipa de académicos esteve apenas presente em estabelecimentos de ensino em língua chinesa. “Há mais alunos”, justificou Tse Shek Kam, que, no entanto, avançou que visitou uma escola luso-chinesa.

Esforço conjunto

A DSEJ comentou ontem os resultados do estudo da Faculdade de Educação da Universidade de Hong Kong, dando a entender que para inverter a situação há que apostar em sinergias. “São precisos esforços do Governo, das escolas e dos pais”, apontou o inspector Kuok Heng Kei.

Tse Shek Kam acrescentou que é em casa que muito trabalho pode ser feito. Mas isso não tem sido a regra: “Os pais dão muita importância ao desempenho dos filhos, mas não têm atenção à leitura”.

Segundo o académico, é necessário “mais acompanhamento” e os centros de explicação – tão requisitados em Macau – “limitam” a capacidade de compreensão dos textos.

DSEJ ensina adolescentes a “dizer não” a propostas sexuais 

Leong Vai Kei, chefe de departamento na DSEJ, explicou ontem que tem sido dada prioridade à educação sexual nas escolas, a partir do ensino infantil. “Ensinamos os alunos a conhecer os sexos, a respeitar o seu próprio corpo e o dos outros”, referiu a responsável.

Segundo Leong Vai Kei, são também veiculados “outros valores” nas sessões direccionadas para os alunos. “Amar não é equivalente a sexo”, explicou a responsável, que acrescentou ainda que as adolescente são instruídas a “dizer não” a propostas sexuais.

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