Hu Chunhua, uma estrela em ascensão

e78b0107e3f21f1365a42d7d373659b4Descontraído, jovem e bem-disposto, mas muito reservado e de poucas palavras. É assim que Hu Chunhua, de 49 anos, é descrito pela imprensa internacional, tanto chinesa como ocidental. O novo secretário do comité provincial do Partido Comunista Chinês (PCC) de Guangdong é visto como um dos mais promissores líderes da sexta geração e um forte candidato a sucessor de Xi Jinping.

Hu passou grande parte da sua carreira política no Tibete. Em 2008 tornou-se o governador mais jovem da China, ao assumir os comandos de Hebei. Um ano depois foi promovido a secretário do PCC da Mongólia Interior. Ainda assim, e apesar de ser elogiado pelo bom trabalho na gestão dos conflitos étnicos, pouco se sabe sobre as suas convicções políticas.

Conhecido como “Pequeno Hu”, não só por partilhar o apelido do Presidente (apesar de não serem da mesma família) mas por ter sido seu protegido, esperava-se que assumisse o cargo em Chongqing. A BBC afirma mesmo que Hu era um rival de Bo Xilai e, em Outubro do ano passado, o Taipei Times dava como muito provável a sua ascensão a secretário do município. No entanto, em Dezembro, Hu Chunhua foi nomeado para Guangdong, uma das regiões mais relevantes da China, cujo PIB lidera entre as províncias do país.

Apesar de ter conseguido bons resultados no que toca ao crescimento económico da Mongólia Interior, Hu não escapou polémicas – durante o seu mandato como governador de Hebei foi implicado no escândalo do leite, em 2008, em que pelo menos seis crianças morreram e milhares ficaram doentes. No entanto, a sua proximidade a Hu Jintao terá permitido que saísse ileso da polémica.

O perfil de Hu Chunhua distingue-se dos chamados “príncipes” da política chinesa. Apesar de ter estudado na Peking University, vem de uma família de camponeses. O Hubei Daily descreve como o “Pequeno Hu” era obrigado a percorrer vários quilómetros a pé, com sandálias de palha, para chegar à escola – uma realidade em tudo distante da das grandes cidades, onde cresceram “príncipes” como Xi Jinping e Bo Xilai. Para suportar o curso em Língua Chinesa e Literatura, terá trabalhado na construção de uma central hidroeléctrica, diz o jornal.

Analistas ouvidos pelo New York Times e pela Bloomberg acreditam que Hu Chunhua deverá ascender à elite do Comité Permanente do Politburo no próximo congresso do partido, em 2017. Se tal se verificar, Hu entra na corrida para um cargo político de topo – é apontado como um possível sucessor a Xi em 2022. O seu maior adversário é Sun Zhengcai, chefe da província de Jilin. Acredita-se que, se ambos estiverem no Comité Permanente em 2017, são fortes as probabilidades de virem a ocupar os cargos de Presidente de Primeiro-Ministro em 2022. Tanto Hu como Sun cresceram durante a Revolução Cultural; durante a juventude viveram sob o signo da era de “reforma e abertura” de Deng Xiaoping, quando a China iniciou as suas experiências como uma economia de mercado.

A seu favor – ou a favor da sua “ocidentalização” – um pormenor salta à vista: Hu não pinta o cabelo, ao contrário a maioria dos líderes chineses, que insistem numa cabeleira negra como sinal de força e vigor. Apesar de ser frequentemente descrito como um homem agradável e moderado, pouco se sabe sobre o que pensa. Durante o congresso do partido em 2012 respondeu apenas a quatro das 20 questões que lhe foram colocadas pela imprensa. Recusou-se a comentar se tinha uma conta no Weibo, cingindo-se apenas a questões económicas sobre a Mongólia Interior e revelando preocupação com o fosso entre pobres e ricos na região. I.S.G.

 

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