Barcos nas Diaoyu e protestos em Macau e Hong Kong

No mesmo dia em que EUA e China se sentavam à mesa para discutir a questão das disputadas ilhas Diaoyu (ver página 11), cerca de mil embarcações piscatórias e onze barcos-patrulha chineses decidiram rumar àquele arquipélago.

Os barcos de pescadores, provenientes das províncias de Fujian e Zhejiang, juntaram-se a embarcações das autoridades chinesas e navegaram junto das ilhas que o Japão (e também Taiwan) reclamam como suas.

Os protestos anti-Japão, que ontem se espalharam por mais de cem cidades chinesas, também chegaram a Macau e Hong Kong. Dois membros da Macau Tri-Decade Action Union (MTAU), Issac Tong e Cheong Hoi Kuan, rumaram a Hong Kong para se juntarem à manifestação que ocorreu junto do consulado do Japão na região vizinha. Os manifestantes entregaram uma petição no consulado nipónico, na qual, explica Issac Tong, foi pedido ao Governo japonês que “respeite a História” e pare com o “truque” da compra das ilhas Diaoyu.

Na RAEHK, vários activistas e grupos políticos juntaram-se em Exchange Square. Alguns deles atiraram ovos contra fotografias do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda. Outros, como os membros da China Federation for Defending Diaoyu Islands, preferiram manifestar-se silenciosamente, sentados junto ao consulado.

“Escolhemos fazer isto [entregar a petição] como método directo de expressar a nossa preocupação pública sobre incidentes internacionais”. “Esperamos igualamente que a China possa ser mais proactiva e tomar uma posição mais forte com os seus discursos, exercícios militares e forças de supervisão que coloquem mais pressão sobre o Japão”, acrescentou Tong.

Quando comparadas com as manifestações massivas ocorridas no Continente, junto de embaixadas, restaurantes e outros estabelecimentos nipónicos, o representante da MTAU considera que os protestos em Hong Kong e Macau “foram muito mais suaves”.Ontem, em algumas escolas de Macau, como a Lou Hau, a Hou Kong e a Pui Ching, tocaram-se sinos e fizeram-se minutos de silêncio para lembrar as vítimas ocupação japonesa da Manchúria, em 1931.

Em Pequim, depois do encontro entre o Secretária da Defesa dos EUA, Leon Panetta, o ministro da Defesa Nacional chinês, Liang Gaunglie, disse aos meios de comunicação que o país está determinado em afirmar a sua soberania sobre as ilhas Diaoyu. Liang considera o Japão “totalmente responsável” pela crise que vem crescendo dia após dia e acrescentou que Pequim se opõem completamente a que o tratado de cooperação e segurança que os EUA têm com o Japão seja aplicado no caso das Diayou. O governante disse esperar que Washington mantenha a promessa de não tomar uma posição nesta disputa de soberania. S.L.

 

 

 

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