Protesto contra a censura às portas da TDM

Uma das associações que liderou as manifestações de ontem, a Juventude Dinâmica, vestiu-se de preto e fez-se acompanhar por alguns jornalistas chineses, também eles em cores de luto, clamando pela liberdade de imprensa.

Os protestantes exigiam o direito ao equilíbrio nas reportagens e uma atitude independente do “políticamente correcto. A reforma politica terá sido, Segundo os mprotestantes, um dos assuntos que provocou maior pressão sobre os jornalistas. Cerca de meia dúzia, oriundos da TDM, Mas TV, e Cheng Pou participaram na manifestação, embora tendo pedido ao PONTO FINAL reserve sobre a sua identidade.

A emoção chegou ao rubro quando um grupo da Juventude Dinâmica liderado pelo  professor universitário Bill Chou, ao qual se juntaram alguns membros da Associação Novo Macau Democrático, passaram em frente aos portões da TDM, por volta das 15h40. Bill Chou exigiu ao megafone a demissão do director de informação do canal chinês da TDM, Song Man, acusado de “censura” e ataque à liberdade de imprensa. “Estaremos ao lado dos jornalistas”, garantiam os manifestantes.

Durante o protesto, um dos elementos da Juventude Dinâmica colou no muro da estação autocolantes, acusando a TDM de “esconder os factos”.

Ava Chan jornalista da televisão chinesa que demitiu-se na semana passada, acusou frontalmente a estação pública da prática de “censura”. Em declarações ao PONTO FINAL, Chan diz que “muitos dos nossos pares sentem que a liberdade de imprensa está a atravessar um duro inverno”. Nos últimos dois anos, alerta, especialmente no último, a censura é directamente exercida sempre que uma reportagem sobre a reforma política parece ser mais sensível; ou quando o director sente que ela é mais sensível”. Assim “é difícil fazermos um trabalho equilibrado”.

Durante os 45 meses que trabalhou na TDM chinesa, Ava Chan garante que 45 pessoas demitiram-se da estação, entre jornalistas, reporteres de imagem e pessoal de apoio, denúncia que estende tanto ao canal chinês como ao português. “Quando um número tão elevado de pessoas abandona um departamento de informação, isso não nos diz que algo está errado ao nível da sua direcção?”, questiona Chan.

Durante a manifestação, outros jornalistas apontaram o dedo também a alguns jornais, onde terão experimentado o exercício da censura. Alguns artigos que não seguiam as instruções foram “simplesmente banidos”; outros “foram editados de forma a eliminar as opiniões “politicamente incorrectas”, denunciaram sob anonimato, os jornalistas que integraram o protesto em frente à TDM.

O protesto foi rápido e terminou com a oferta de um panfleto entregue a jornalistas da TDM, no qual se lamenta “a morte da liberdade de imprensa”. Por fim, saiu gorada a tentativa dos protestantes chegarem à conversa como administrador da TDM, Lam Kam Chun.
Entretanto, um fotógrafo do South China Morning Post, Felix Wong, queixou-se ontem de ter visto barrada a sua entradaem Macau, quando se preparava para fazer a cobertura das manifestalões programadas para o Dia do Trabalhador.

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