O Chefe do Executivo, Chui Sai On, negou ontem as acusações da Associação Novo Macau sobre a alegada manipulação da opinião pública nas consultas relativas à reforma do sistema político. O governante saiu em defesa da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, mas reconheceu que o Governo tem de “melhorar as acções” para chamar a sociedade civil ao debate.
As críticas foram feitas por Ng Kuok Cheong. O deputado voltou a afirmar que a proposta de aumento de deputados eleitos pela via directa, através de um corte no número de assentos do sufrágio indirecto, “não foi divulgada”; acusou Florinda Chan de ter feito “um acompanhamento subjectivo” da auscultação e pediu a “responsabilização” da secretária. Ng censurou ainda o Governo por não ter recorrido a uma entidade independente para analisar as opiniões. “Até uma criança de dez anos foi obrigada a assinar [uma proposta] a concordar com o Governo”, disse.
“Não recebi nenhuma queixa. Eu e os meus colaboradores nunca fizemos o que o senhor deputado acabou de referir. O sucesso de Macau é o resultado da tolerância, do entendimento e do respeito”, respondeu Chui. Por mais de uma vez, o Chefe do Executivo sublinhou que “todos têm direito de manifestar as suas opiniões”. “Não posso admitir que houve irregularidades”, rematou.
Horas antes, também o deputado Tsui Wai Kwan (uma das vozes mais críticas aos deputados da Novo Macau) confrontou o Chefe do Executivo com os resultados da sondagem feita pela Nova Visão que concluiu que mais de metade dos residentes desconhecia a existência de uma consulta pública sobre a reforma política. “Muitos dos residentes não estavam preocupados com o desenvolvimento do sistema político”, concedeu Chui Sai On, depois de resumir as acções de campanha feitas pelo Governo.
O Chefe do Executivo acrescentou, porém, que espera que “seja dada maior atenção” à reforma política: “Temos de melhorar as nossas acções”. E apelou ao debate: “Espero que a população possa manifestar a sua opinião e, sobretudo, que sejam respeitadas as opiniões expressas, para assim termos uma discussão harmoniosa”. S.N.