Redes sociais contra o tráfico infantil

Com o tráfico de crianças a preocupar cada vez mais a China, os utilizadores de redes sociais decidiram juntar-se à polícia e dar o seu contributo. No Facebook e no Weibo já há páginas para troca de informações.

Stephanie Lai

Ontem foi noticiado o desmantelamento de mais uma rede de tráfico infantil, desta vez em Shanxi, onde 12 suspeitos foram detidos. Para tentar combater este tipo de crime, é habitual as autoridades controlarem as crianças de rua, que se encontram a pedir ou a fazer acrobacias. A novidade é que, agora, um grupo de internautas decidiu juntar-se aos esforços. No Facebook foi criado um grupo, de Hong Kong, que se compromete a tirar fotografias às crianças de rua, com o objectivo de gerar acções além de ‘likes’ e ‘shares’.

De acordo com a agência noticiosa Xinhua, a rede de tráfico de Shanxi dedicava-se ao rapto de menores e à venda destas para outras províncias. A polícia conseguiu resgatar 21 crianças e dois bebés, procedendo também à detenção de 12 suspeitos. De momento, o caso está ainda sob investigação.

Desde Novembro do ano passado, avança a Xinhua, que a polícia do Continente tem em mãos vários casos que envolvem redes de tráfico de crianças em 14 províncias, incluindo Shandong, Guizhou, Hebei e Shanxi. Há anos que o rapto de menores, e consequente uso destes para pedir dinheiro e realizar pequenas acrobacias de rua, constitui um problema social na China Continental, que se faz sentir por todo o país, refere a agência.

Desde 25 de Janeiro do ano passado que o famoso bloguer e professor Yu Jianrong, actualmente a leccionar no Instituto de Desenvolvimento Rural da Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim, criou a página “Fotografar as Ruas para Salvar as Crianças Pedintes”, no Sina Weibo, o maior site de microblogues da China. A ideia é apelar aos internautas para que tirem fotografias de crianças de rua de modo a ajudarem a polícia a reconhecer e a identificar as crianças declaradas desaparecidas ou suspeitas de terem sido raptadas ou traficadas. Até à data, a página criada por Yu conta com 212.585 seguidores e tornou-se um local onde utilizadores de Internet colocam activamente fotografias de crianças a pedir nas ruas e também contactos de famílias cujos filhos estão desaparecidos.

Na China, de acordo com o Código Penal, aqueles que forçam pessoas com deficiência ou menores de 14 anos a pedir de forma continuada são sujeitos a pena de prisão ou multa até três anos. Nos casos mais graves, as penas podem ser agravadas até sete anos.

Em declarações à imprensa do Continente, Yu disse que, seja por imposição dos traficantes, seja por dificuldades financeiras, nenhuma criança devem ser sujeita a uma situação em que tem de pedir dinheiro na rua. Todas as crianças, afirmou, devem ser resgatadas pela polícia.

Foi para reforçar o trabalho feito pela página de Yu que surgiu, no Facebook, o grupo “Hong Kong Union of Rescuing Trafficked and Abused Children” (www.facebook.com/beggarchildrenrescue), onde os membros partilham fotografias e informações de crianças que suspeitam serem vítimas de tráfico ou abuso. Por enquanto, o conteúdo encontra-se apenas em chinês.

Com a página a reunir mais de cinco mil seguidores, o administrador, Chu Thomas, anunciou que o grupo vai agora traçar um plano a dez anos para ampliar os métodos de acção para ajudar a salvar mais crianças. Além da presença no Facebook, o grupo criou também uma página no Sina Weibo (http://weibo.com/savethechildren) para alargar a partilha de informação.