Concorrência de jogo mais forte em cinco anos

A competição regional está à porta e vem de Taiwan, Filipinas e Coreia do Sul. Ben Lee, analista de jogo, prevê grandes desafios para Macau dentro de cinco anos se a qualidade do serviço não melhorar.

Alexandra Lages

Dentro de três ou cinco anos, a indústria do jogo de Macau poderá estar em maus lençóis se não melhorar a qualidade do serviço. Quem o diz é o analista de jogo Ben Lee que prevê que a competição regional vai aumentar exponencialmente a partir de 2015.

“Agora, Macau não tem muito com se preocupar, mas nos próximos três ou cinco anos, sim, que é quando os outros centros de jogo vão chegar ao nível de Macau”, disse o especialista aos jornalistas na passada sexta-feira.

“Há actualmente quatro grandes projectos em construção em Manila e vai haver cerca de cinco na Coreia do Sul. Macau deve começar a preocupar-se, mas só [só haverá concorrência] dentro de três a cinco anos”, acrescentou.

Em Manila, há quatro grandes resorts com casinos integrados em construção, um dos quais vai abrir este ano. Com a abertura do Resort World Manila, espera-se que as receitas do mercado do jogo filipino dupliquem. “Isto vai criar uma massa crítica que conseguirá finalmente atrair jogadores chineses”, defende Ben Lee.

Já no Vietname, estão em construção pelo menos quatro grandes empreendimentos com casinos. “Em Taiwan, o lobby pró-casinos estava à espera do resultado das eleições. Com a eleição do presidente Ma, a legislação de jogo já está em fase de elaboração”, explica.

O único vizinho regional que deverá demorar mais tempo a entrar no mundo dos casinos é o Japão. “O Japão teve seis primeiros-ministros nos últimos sete anos. Não acredito que vá ser um concorrente para Macau tão cedo”, conclui o analista.

Os outros países vão ter a capacidade de apanhar Macau muito rapidamente, diz. De acordo com Ben Lee, nem a proximidade da China Continental vai valer a Macau.

“As Filipinas têm uma grande fatia da população que frequentou a escola em chinês e muitas pessoas falam fluentemente mandarim. O mesmo acontece em Taiwan e na Coreia do Sul. Muitos dos trabalhadores sul-coreanos falam muito bem mandarim, ao ponto de envergonharem os residentes de Macau”, exemplifica.

Ben Lee alerta que estes pontos da região não só têm uma fatia considerável da população que fala mandarim, como também prestam um serviço muito melhor que Macau. É preciso apostar na formação dos recursos humanos em Macau, defende.

O nível do serviço de Macau está a “começar a afundar-se”, afirma o especialista. “Se continuar a cair, poderá cair a um ponto em que basicamente os jogadores dirão: ‘Eles falam cantonês lá, é óptimo, é perto, é bom, mas o serviço não presta”.

Enquanto isso, os concorrentes regionais estão a ganhar pontos: “Os níveis de serviço na Coreia do Sul são extremamente elevados, por exemplo. O aspecto do serviço é um factor crítico para reter o negócio em Macau e impedir que vá para outro lado. Nos próximos três ou quatro anos, é preciso melhorá-lo”, reitera.

América para trás

A curto prazo, Macau vai continuar a crescer em termos de receitas de jogo. O analista estima que os casinos de Macau vão ultrapassar os dos Estados Unidos da América em meados deste ano.

Os casinos americanos amealharam 34,6 mil milhões de dólares em 2010. “As estimativas apontam que as receitas vão subir para 35,6 mil milhões em 2011. Em comparação, Macau cresceu para 33,5 mil milhões em 2011 e, com base em projecções de crescimento, vai ultrapassar os casinos dos Estados Unidos com provavelmente entre 36 e 37 mil milhões a meio deste ano”, calcula o especialista.

Ben Lee falava durante a conferência de imprensa de apresentação da exposição de jogo G2E Asia 2012, que se realiza entre 22 e 24 de Maio no Venetian Macau. O representante da empresa de consultadoria e gestão Igamix revelou ainda que os promotores de jogo, também conhecidos por junkets, da Malásia vão fazer um acordo com os junkets de Macau para que os jogadores VIP chineses tenham acesso aos casinos de Singapura. Os junkets malaios têm uma parceria com a entidade reguladora de jogo da cidade-Estado.

“Os promotores malaios têm tido pouca exposição face aos jogadores fora da Malásia. Contudo, acreditamos que isso vá mudar muito rapidamente pois os junkets da Tailândia e Macau vão fazer um acordo em breve”, anunciou durante a apresentação, acrescentando que esta parceria vai desenvolver mais o sector do jogo de Singapura.

Todavia, estima, o impacto em Macau vai ser insignificante, pelo menos nos primeiros tempos. “Possivelmente, se mais junkets se juntarem a estes canais poderá haver um movimento maior”, entende

Já na área das exposições e convenções, o território está a fazer um bom trabalho, segundo o vice-presidente da Reed Exhibitions Hong Kong, Brian Thomas. O responsável aplaude os esforços do Governo para fomentar a indústria, incluindo os incentivos lançados para atrair expositores.

Contudo, Brian Thomas alertou que a população local é insuficiente para as necessidades dos grandes eventos. Apesar disso, o especialista acredita que Macau vai continuar a atrair grandes exposições internacionais.

A edição deste ano do G2E Asia vai receber 110 expositores oriundos de mais de 20 países. O certame é organizado pela Reed Exhibitions e pela Associação Americana de Jogo.

CasinoLeaks irrelevantes

O consultor de jogo Ben Lee considera irrelevante o impacto das informações divulgadas pela página CasinoLeaks em Macau. O especialista atribui a um agente do território a responsabilidade pela publicação.

Para Lee, o trabalho de recolha de informação não é fácil, pois apesar de os dados serem públicos, só são de “fácil acesso para quem sabe onde procurar”.

A CasinoLeaks serve, de acordo com Ben Lee, os interesses americanos, mas é um trabalho feito internamente. “Não sei como é que essa pessoa não é apanhada, tendo em conta que Macau é uma cidade tão pequena”, disse.

“Quem está a agora [nos Estados Unidos] a negociar com os grande casinos de Las Vegas, está a pressionar os operadores de jogo de lá que têm negócios em Macau”, afirmou.

“Há pessoas que querem trazer para Macau o sistema de regulação de estilo americano. Se conseguirem, existe um conjunto de consultores e especialistas de jogo americanos e outros com interesses em ver um sistema americano aqui. Isso vai criar muito emprego [para essas pessoas]”, explicou.

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