Aeroporto prevê mais seis por cento de passageiros

A CAM, sociedade responsável pelo aeroporto local, antecipa para este ano um aumento ligeiro no número de passageiros que usam a estrutura. A Air Macau, diz António Rato, deve investir em novas rotas e resgatar aviões à Air China.

 

Maria Caetano

 

A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) estima que a infra-estrutura registe este ano um aumento no tráfego de passageiros na ordem dos seis por cento, para até 4,2 milhões de passageiros, com a actual área e instalações aeroportuárias a suportarem ainda uma subida no volume de tráfego de 42,8 por cento até atingir o máximo da sua capacidade (ver texto em baixo). A CAM calcula que tal aconteça dentro de “dois ou três anos”, segundo António Rato, director da sociedade.

A previsão é feita com base em expectativas de uma ampliação das operações da Air Macau – a única transportadora aérea comercial com base no território –, numa altura em que a CAM identifica um potencial de crescimento nas ligações com a Indonésia, Vietname e Índia. As perdas de movimento decorrentes do aumento das ligações directas entre Taiwan e Continente terão chegado ao fim.

“No ano de 2011, acabámos de perder o que tínhamos a perder em termos do impacto dos voos directos no tráfego de transferência de Macau. O número de passageiros em transferência que temos neste momento, presumimos que é sustentável, que está relacionado com as pessoas que realmente precisam de fazer ligações entre voos”, assumiu ontem António Rato, em declarações feitas durante um jantar de Primavera oferecido pela CAM.

Para o dirigente da sociedade, “terá acabado aquilo que foi, de certa forma, a grande erosão de passageiros do aeroporto”, com a estrutura a perder de forma gradual dois milhões de passageiros de voos de ligação, com a abertura das ligações directas entre Taiwan e o Continente, hoje contabilizadas em mais de três dezenas.

“Era um mercado artificial que existia. Agora estamos a ter a oportunidade de usar o nosso aeroporto para as pessoas que querem voar para ou de Macau, especialmente”, constata Rato, dando conta de expectativas, não apenas de uma estabilização no movimento de passageiros, mas de uma subida.

“Estamos convencidos que irá crescer qualquer coisa como seis por cento em relação ao ano anterior, para 4,15 ou 4,2 milhões de passageiros”, afirma o responsável da CAM.

O aumento, adverte porém, está dependente de uma aposta da transportadora de bandeira da RAEM em abrir novos mercados de tráfego comercial de passageiros. “Temos de conseguir que a Air Macau faça mais voos. Temos a esperança de que a Air Macau traga este ano alguns dos aviões que ainda estão a voar na Air China. Mesmo que não traga aviões novos, que pelo menos traga esses e que, com isso, consiga aumentar o volume de participação no tráfego de Macau”, diz.

António Rato sublinha que as operações do aeroporto local não podem contar à partida com um impulso por via das transportadoras internacionais – e, designadamente, low-cost, que em algumas ocasiões têm expressado a vontade de realizar rotas de e para Macau. “Quando pensam em voar para esta região, a primeira opção que lhes aparece é Hong Kong e não lhes faz sentido, economicamente, ter uma estação em Hong Kong e outra em Macau, porque são tão próximas”, faz notar.

O responsável calcula assim que o mercado de Macau seja servido pelo aeroporto de Hong Kong “tanto ou mais do que é pelo aeroporto de Macau” e destaca que quem tem a ganhar com as operações na estrutura são apenas as companhias sedeadas no território – no caso presente, unicamente a Air Macau, que a CAM entende poder desenvolver novas rotas para o sudeste asiático e o subcontinente indiano.

“Há uma oportunidade que a Air Macau ainda não conseguiu agarrar, mas nós temos uma procura extraordinária em termos de voos de passageiros da Indonésia, Vietname e da índia, que não temos condições para satisfazer”, alerta.

Porém, a operadora de transportes não tem, com a actual frota, capacidade para voar para alguns destes destinos, como a Indonésia e a Índia. “Precisaria de ter um avião de médio curso. Temos esperança de que possam a curto prazo pensar nisso”, diz Rato.

 

Novo plano do aeroporto ainda está por aprovar

 

A expansão das actuais instalações do Aeroporto Internacional de Macau, um projecto anunciado ainda em 2007 pelo Governo do ex-Chefe do Executivo, Edmund Ho, está longe de ser uma realidade. A sociedade que gere o aeroporto, a CAM, espera porém que os planos, retomados no ano passado, possam ser aprovados ainda durante 2012, para que a longo prazo a estrutura possa ganhar espaço para o alargamento das operações.

Numa altura em que infra-estruturas congéneres – em Hong Kong e no Continente – conhecem um crescimento de operações e, no caso da região vizinha, projectam aumentar a sua área – a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau estima como uma capacidade desejável que a estrutura possa vir a movimentar até 15 milhões de passageiros por ano. A actual capacidade é de seis milhões e, segundo António Rato, deverá ficar esgotada até 2015.

“O plano que existe, e que foi desenvolvido pela [Autoridade de] Aviação Civil e que conhecemos, permitirá desenvolver [o aeroporto] para esses 15 milhões de passageiros”, lembra o director da CAM, sobre o projecto que foi encomendado a uma consultora internacional e que se apresenta com um plano director da estrutura visando a expansão.

“Não está aprovado, mas presumimos que será aprovado [este ano], e será feito com base no terreno que existe neste momento – mais a água que nós temos agora dentro do aeroporto, que terá de ser conquistada ao mar”, explica Rato.

“Queríamos ter toda a área que vem até junto à estrada, mas não foi possível – paciência”, desabafa o responsável da CAM, que prevê um longo caminho até que todo o terreno necessário à expansão do aeroporto esteja preparado. A construção de aterros, recorda, “demora tempo a fazer e a consolidar até que se possa construir as infra-estruturas”. “Portanto, não é tão cedo que vamos ter grandes expansões dentro do aeroporto”, estima.

Actualmente, a aviação comercial dispõe de área suficiente. Já o segmento da aviação de negócios, com duas operadoras em serviço no território, teria margem para crescer, se houvesse espaço para tal.

“A única área em que não temos espaço e que, eventualmente, tem potencial para crescer é a aviação executiva. Para as outras, temos capacidade e pensamos que essa capacidade dá para mais dois ou três anos sem grandes problemas”, explica.

As companhias que se dedicam à aviação executiva no aeroporto local podem, segundo Rato, “operar em Macau sem problemas”. “O que não temos é capacidade para as operadoras desses aviões os poderem ter baseados em Macau. Não temos lugar para estarem em permanência em Macau”, desenvolve, dando conta da falta de espaço para a construção de hangares.

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